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Questão de Medicina — Cardiologia e Alterações Vasculares — FGV 2024

MedicinaCardiologia e Alterações Vasculares
Código
fg076091
Banca
FGV
Órgão
AL-TO
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Analista Legislativo - Medicina
Paciente do sexo feminino, 55 anos, hipertensa e diabética procura atendimento na unidade básica de saúde onde faz acompanhamento devido elevação da pressão arterial, PA 160X100mmHg e queixa de cefaleia.Ao chegar à unidade, a equipe do acolhimento deverá
  1. Aagendar uma consulta medica para quando tiver disponibilidade.
  2. Breferenciar paciente para atendimento na unidade de pronto atendimento mais próxima da sua área.
  3. Cencaminhar paciente para atendimento com cardiologista.
  4. Dacolher a paciente e solicitar avaliação médica.
  5. Esolicitar ambulância para que paciente seja transferida para emergência.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — acolher a paciente e solicitar avaliação médica.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Acolhimento na Atenção Básica: hipertensão e cefaleia

Gabarito: letra D. A paciente apresenta PA 160x100 mmHg (HAS grau 2) com cefaleia, mas sem sinais de lesão aguda de órgão-alvo — não configura emergência hipertensiva. A conduta correta da equipe de acolhimento é acolher a paciente e solicitar avaliação médica, pois a elevação da PA com PA ≥ 160/100 mmHg tem recomendação imediata de consulta médica, conforme as diretrizes de hipertensão arterial. As demais alternativas erram ao subestimar (agendar para depois), superestimar (encaminhar para emergência/cardiologista) ou desviar o fluxo (UPA/ambulância) sem necessidade.

O acolhimento é a porta de entrada do usuário na Atenção Básica (AB). Ele não se resume a uma triagem burocrática: é um processo que escuta a queixa, avalia riscos e define o fluxo mais adequado dentro da rede de saúde. No caso de uma paciente hipertensa e diabética com PA 160x100 mmHg e cefaleia, o primeiro passo é sempre acolher — ouvir, medir a PA corretamente, verificar sinais de gravidade — e, diante de PA ≥ 160/100 mmHg, solicitar avaliação médica imediata na própria unidade. Isso porque a diretriz brasileira de hipertensão estabelece que valores de PA ≥ 160/100 mmHg exigem consulta médica imediata, sem necessidade de confirmação posterior em outra ocasião.

A grande distinção que decide esta questão é entre urgência/emergência hipertensiva e elevação pressórica sem lesão de órgão-alvo. A emergência hipertensiva é definida por PA muito elevada (PAS > 180 e PAD > 120 mmHg) associada a lesão aguda de órgão-alvo — encefalopatia, AVC, edema agudo de pulmão, síndrome coronariana aguda, dissecção de aorta, insuficiência renal aguda, eclâmpsia. A urgência hipertensiva é a elevação acentuada da PA sintomática, mas sem lesão aguda ou disfunção iminente de órgão-alvo. No caso da paciente, a PA é 160x100 mmHg (HAS grau 2, não grau 3), e a cefaleia é um sintoma inespecífico — muitas vezes a PA se eleva em resposta à cefaleia, e não o contrário. Não há dados de lesão de órgão-alvo (sem déficit neurológico, sem dor torácica, sem dispneia, sem alteração visual). Portanto, não se trata de emergência hipertensiva, e o manejo é na própria AB, com avaliação médica.

A banca explora exatamente a confusão entre "PA elevada + cefaleia" e "emergência hipertensiva". O candidato que associa cefaleia a emergência hipertensiva tende a marcar a alternativa E (ambulância) ou B (UPA). Mas a cefaleia, isoladamente, não é sinal de lesão de órgão-alvo — é um sintoma comum e inespecífico. A emergência hipertensiva exige a combinação de PA muito elevada (geralmente > 180/120 mmHg) com evidência de lesão aguda. Aqui, a PA é 160x100 mmHg, e não há nenhum dado de lesão. O encaminhamento ao cardiologista (C) também é prematuro: a paciente precisa primeiro de avaliação médica na AB para ajuste terapêutico; o cardiologista é referência para casos de hipertensão resistente, suspeita de HA secundária ou lesão de órgão-alvo já estabelecida, não para uma elevação aguda sem complicação.

Guarde o critério decisivo: PA ≥ 160/100 mmHg → consulta médica imediata na própria unidade; emergência hipertensiva (PA > 180/120 + lesão de órgão-alvo) → serviço de emergência. É exatamente nessa fronteira que as alternativas se dividem.

Alternativa A — ❌ Incorreta

Agendar consulta para quando houver disponibilidade subestima a urgência. A diretriz é clara: PA ≥ 160/100 mmHg tem recomendação imediata de consulta médica. Adiar a avaliação para um agendamento futuro contraria essa recomendação e expõe a paciente a risco de complicações. O acolhimento deve priorizar o caso, não postergá-lo.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Referenciar para a UPA mais próxima superestima o caso e desvia o fluxo da AB. A paciente não tem critérios de emergência hipertensiva (PA 160x100, sem lesão de órgão-alvo). A UPA é um serviço de urgência e emergência, destinado a quadros agudos que não podem ser resolvidos na AB. Encaminhar desnecessariamente sobrecarrega a rede e retira da AB a responsabilidade que é dela: o manejo da HAS não complicada. A avaliação médica na própria unidade resolve o caso.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Encaminhar diretamente ao cardiologista pula etapas da rede de atenção. A referência ao especialista é indicada para situações específicas: suspeita de HA secundária, hipertensão resistente (3 medicamentos em doses máximas), lesão de órgão-alvo estabelecida (HVE, IC, FA, DAC), nefropatia, entre outras. Uma elevação aguda de PA em paciente já em acompanhamento na AB não é, por si só, indicação de cardiologia. O primeiro passo é a avaliação médica na AB para ajuste do tratamento.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Acolher e solicitar avaliação médica é a conduta correta e completa. O acolhimento é a escuta qualificada e a classificação de risco; a solicitação de avaliação médica garante que a paciente seja vista imediatamente na própria unidade, conforme a recomendação para PA ≥ 160/100 mmHg. A alternativa espelha exatamente o fluxo adequado: acolher (não dispensar, não encaminhar sem necessidade) e garantir a consulta médica no mesmo momento.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Solicitar ambulância para transferência à emergência é o erro mais grave, pois trata o caso como emergência hipertensiva. Não há critérios: PA 160x100 mmHg (não > 180/120), cefaleia isolada (sem lesão de órgão-alvo). A emergência hipertensiva exige a combinação de PA muito elevada com lesão aguda — encefalopatia, AVC, edema agudo de pulmão, SCA, dissecção de aorta. Nenhum desses está presente. Acionar o SAMU para um caso manejável na AB é desperdício de recurso e exposição desnecessária da paciente.

NÃO CAIA NESSA!

A banca tenta fazer você associar "PA elevada + cefaleia" a emergência hipertensiva. Mas a cefaleia é sintoma inespecífico — muitas vezes a PA sobe por causa da dor, não o contrário. Emergência hipertensiva exige PA > 180/120 mmHg com lesão aguda de órgão-alvo (déficit neurológico, dor torácica, dispneia, alteração visual). Aqui, PA 160x100 e cefaleia isolada = HAS grau 2, manejável na AB com avaliação médica imediata. Não caia na armadilha de "PA alta = emergência".

PEGA ESSA DICA!

Na prova, monte o fluxo mental: 1) PA ≥ 160/100 → consulta médica imediata na AB; 2) PA > 180/120 sem lesão de órgão-alvo → urgência hipertensiva, manejo na AB com medicação oral e reavaliação; 3) PA > 180/120 com lesão de órgão-alvo → emergência hipertensiva, serviço de emergência. A presença ou ausência de lesão de órgão-alvo é o divisor de águas.

Gabarito: letra D — acolher a paciente e solicitar avaliação médica.

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