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Questão de Medicina — Farmacologia e Anestesiologia — FGV 2024

MedicinaFarmacologia e Anestesiologia
Código
fg076093
Banca
FGV
Órgão
AL-TO
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Analista Legislativo - Medicina
Paciente do sexo masculino, 77 anos, com diagnósticos de hipertensão arterial, insuficiência cardíaca e diabetes mellitus, é levado para emergência com quadro de dispneia, expectoração rósea, sudorese, ao exame – PA 210x110mmHg; FC 95bpm; FR 25 IRPM RCR, ritmo cardíaco em galope, ausculta pulmonar com estertores bolhosos difusos e edema bilateral de membros inferiores.Nesse caso, a medicação de escolha para o controle da PA é
  1. ACaptopril.
  2. BLabetalol.
  3. CHidralazina.
  4. DNitroprussiato.
  5. ENifedipina.
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GabaritoD — Nitroprussiato.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Emergência hipertensiva: edema agudo de pulmão e escolha do anti-hipertensivo

Gabarito: letra D. O paciente apresenta um quadro clássico de emergência hipertensiva com edema agudo de pulmão (EAP) cardiogênico — dispneia, expectoração rósea, estertores bolhosos difusos, ritmo de galope e PA de 210x110 mmHg. Nesse cenário, a medicação de escolha para o controle da PA é o nitroprussiato de sódio, um vasodilatador venoso e arterial que reduz a pré-carga e a pós-carga, aliviando rapidamente a congestão pulmonar. As diretrizes de emergências hipertensivas indicam nitroprussiato ou nitroglicerina como drogas de primeira linha para o EAP hipertensivo.

O caso descrito é uma emergência hipertensiva (EH), definida pela elevação acentuada da pressão arterial (PAS > 180 mmHg e/ou PAD > 120 mmHg) acompanhada de lesão aguda de órgão-alvo. No paciente, a lesão é o edema agudo de pulmão, evidenciado pela dispneia, expectoração rósea, estertores bolhosos e ritmo de galope (B3). Diferentemente da urgência hipertensiva (elevação pressórica sem lesão aguda de órgão-alvo), a EH exige redução imediata da PA com drogas parenterais.

O nitroprussiato de sódio é um vasodilatador arteriovenoso de ação rápida e curta duração. Ao dilatar tanto artérias quanto veias, ele promove:

  • Redução da pós-carga (resistência vascular periférica), diminuindo o trabalho do ventrículo esquerdo e facilitando o esvaziamento ventricular;

  • Redução da pré-carga (retorno venoso), aliviando a congestão pulmonar.

Esses efeitos são exatamente o que o paciente com EAP hipertensivo precisa: a hipertensão aumenta a pós-carga, perpetuando a congestão pulmonar; quebrar esse ciclo com um vasodilatador potente é a conduta mais racional. A nitroglicerina também é uma opção válida, especialmente se houver concomitância com síndrome coronariana aguda, mas o nitroprussiato é a escolha clássica e mais amplamente indicada para o EAP hipertensivo isolado.

A meta inicial de tratamento é reduzir a PA em cerca de 25% nas primeiras horas, evitando quedas bruscas que possam comprometer a perfusão cerebral, coronariana e renal. Além do vasodilatador, o uso de diurético de alça (furosemida) é indicado para reduzir a volemia e potencializar o efeito vasodilatador.

A pegadinha desta questão está em distinguir a emergência hipertensiva (que exige droga parenteral de ação rápida) da urgência hipertensiva (que pode ser manejada com medicações orais). O paciente tem lesão aguda de órgão-alvo (EAP), portanto é uma emergência — e as opções orais (captopril, nifedipina) ou de uso mais restrito (labetalol, hidralazina) não são a primeira escolha nesse contexto específico.

Guarde a fronteira: emergência hipertensiva + EAP → nitroprussiato (ou nitroglicerina). É exatamente nesse cenário que as alternativas se dividem.

Alternativa A — ❌ Incorreta

O captopril é um inibidor da ECA (IECA) utilizado no manejo de urgências hipertensivas por via oral, com meia-vida curta. Porém, no caso de emergência hipertensiva com EAP, a via oral não é adequada para o controle imediato da PA — é necessária uma droga parenteral de ação rápida. O captopril poderia ser considerado em urgência hipertensiva sem lesão aguda de órgão-alvo, mas não é a escolha para o quadro descrito.

Alternativa B — ❌ Incorreta

O labetalol é um betabloqueador com ação alfa e beta, indicado em emergências hipertensivas como encefalopatia, dissecção de aorta e síndrome coronariana aguda. No entanto, no EAP hipertensivo, o uso de betabloqueadores é evitado, pois podem piorar a congestão pulmonar ao reduzir a contratilidade cardíaca e aumentar a resistência vascular periférica (por ação alfa não contrabalançada). O labetalol não é a droga de escolha para o EAP.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A hidralazina é um vasodilatador arterial direto, utilizado em emergências hipertensivas como eclâmpsia/pré-eclâmpsia e insuficiência renal aguda. No EAP hipertensivo, seu uso é evitado porque, ao dilatar apenas o leito arterial, pode causar taquicardia reflexa e aumento do débito cardíaco, o que é prejudicial em um coração já congesto. Além disso, não reduz a pré-carga, efeito fundamental no alívio da congestão pulmonar.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

O nitroprussiato de sódio é a medicação de escolha para o controle da PA no EAP hipertensivo. Como vasodilatador arteriovenoso, reduz tanto a pré-carga quanto a pós-carga, aliviando rapidamente a congestão pulmonar e o trabalho cardíaco. É a droga parenteral clássica indicada pelas diretrizes para essa emergência hipertensiva específica.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A nifedipina é um bloqueador de canal de cálcio di-hidropiridínico. Seu uso, especialmente por via sublingual, é contraindicado em emergências hipertensivas, pois pode causar redução rápida e imprevisível da PA, levando a hipoperfusão de órgãos-alvo (como acidente vascular encefálico) e taquicardia reflexa. Não é indicada para o controle agudo da PA no EAP.

Gabarito: letra D — Nitroprussiato.

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