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Questão de Medicina — Endocrinologia — FGV 2024

MedicinaEndocrinologia
Código
fg076102
Banca
FGV
Órgão
AL-TO
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Analista Legislativo - Medicina
A cetoacidose diabética e o estado hiperosmolar hiperglicêmico são duas complicações associadas à hiperglicemia.Em relação a essas duas situações, assinale a afirmativa correta.
  1. ACetoacidose é definida pela glicemia maior que 600mg/dL, pH menor que 7,5 e cetonemia positiva.
  2. BEstado hiperosmolar hiperglicêmico é definido pela glicemia maior que 250mg/dL, osmolaridade maior que 340mosm/kg, pH arterial maior que 7,3.
  3. CInfecção é o fator precipitante na maioria dos casos de cetoacidose diabética e de estado hiperosmolar hiperglicêmico.
  4. DNa cetoacidose diabética a deficiência de insulina é relativa e no estado hiperosmolar hiperglicêmico essa deficiência é absoluta.
  5. ENa cetoacidose diabética a instalação do quadro é insidiosa em dias a semanas e no estado hiperosmolar hiperglicêmico a instalação é abrupta em horas.
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GabaritoC — Infecção é o fator precipitante na maioria dos casos de cetoacidose diabética e de estado hiperosmolar hiperglicêmico.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Cetoacidose diabética e estado hiperosmolar hiperglicêmico: definições e fatores precipitantes

Gabarito: letra C. A infecção é o fator precipitante mais comum tanto na cetoacidose diabética (CAD) quanto no estado hiperosmolar hiperglicêmico (EHH), ocorrendo em 30-50% dos casos de CAD e 30-60% dos casos de EHH. As demais alternativas erram ao inverter os critérios diagnósticos (glicemia, pH, osmolaridade), a natureza da deficiência de insulina ou a velocidade de instalação do quadro — conceitos que a banca deliberadamente troca para confundir.

A cetoacidose diabética e o estado hiperosmolar hiperglicêmico são as duas complicações agudas mais relevantes da hiperglicemia no diabetes mellitus. A CAD é definida pela tríade clássica: glicemia > 250 mg/dL, pH arterial < 7,3 e cetonemia positiva. Já o EHH é definido por glicemia > 600 mg/dL, osmolaridade > 320 mOsm/kg e pH arterial > 7,3. A diferença fundamental está na fisiopatologia: na CAD há ausência relativa de insulina, o que permite a lipólise e a produção de corpos cetônicos, gerando acidose metabólica; no EHH, embora haja deficiência importante de insulina, a secreção residual é suficiente para suprimir a cetogênese, mas não para evitar a hiperglicemia extrema e a hiperosmolaridade.

A instalação do quadro também difere: a CAD se instala de forma abrupta, em horas (geralmente menos de 24 horas), enquanto o EHH se desenvolve de forma insidiosa, ao longo de dias a semanas. Essa diferença temporal reflete a fisiopatologia: no EHH, a hiperglicemia progressiva leva a diurese osmótica e desidratação gradual, frequentemente em idosos com mecanismo de sede prejudicado.

Quanto aos fatores precipitantes, a infecção é o gatilho mais comum em ambas as condições — 30-50% na CAD e 30-60% no EHH. Outros fatores incluem má-aderência ao tratamento (20-30% em ambos), primeira descompensação (15-20%), doenças cardiovasculares e uso de medicamentos como corticosteroides e diuréticos. A tabela abaixo resume as principais diferenças:

Critério

CAD

EHH

Glicemia

> 250 mg/dL

> 600 mg/dL

pH arterial

< 7,3

> 7,3

Osmolaridade

Variável

> 320 mOsm/kg

Cetonemia

Positiva

Rara/ausente

Deficiência de insulina

Relativa (permite cetogênese)

Importante, mas suficiente para suprimir cetogênese

Instalação

Abrupta (horas)

Insidiosa (dias a semanas)

Idade típica

20-29 anos

> 50 anos

Fator precipitante mais comum

Infecção (30-50%)

Infecção (30-60%)

A pegadinha central desta questão é a inversão sistemática dos critérios entre as duas condições. A banca troca os valores de glicemia, pH e osmolaridade, inverte a natureza da deficiência de insulina e a velocidade de instalação. O candidato que memoriza os critérios de forma isolada, sem entender a fisiopatologia, cai facilmente nessas armadilhas.

NÃO CAIA NESSA!

A banca adora inverter os critérios entre CAD e EHH. Repare: na alternativa A, a glicemia > 600 mg/dL é critério de EHH, não de CAD; na B, a osmolaridade > 340 mOsm/kg está acima do valor real (> 320); na D, a deficiência de insulina é relativa na CAD e absoluta no EHH — exatamente o contrário do que ocorre; na E, a instalação é insidiosa na CAD e abrupta no EHH — também invertido. A única que não inverte nada é a C, que trata do fator precipitante comum. Com treino, você enxerga essas trocas de longe 💪

Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que a CAD é definida por glicemia > 600 mg/dL, pH < 7,5 e cetonemia positiva. Erro duplo: a glicemia > 600 mg/dL é critério do EHH, não da CAD (que exige apenas > 250 mg/dL); e o pH < 7,5 está errado — o critério é pH < 7,3. A cetonemia positiva está correta, mas os outros dois valores tornam a alternativa falsa.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Afirma que o EHH é definido por glicemia > 250 mg/dL, osmolaridade > 340 mOsm/kg e pH > 7,3. Erro: a glicemia > 250 mg/dL é critério da CAD, não do EHH (que exige > 600 mg/dL). A osmolaridade > 340 mOsm/kg também está acima do valor correto (> 320 mOsm/kg). O pH > 7,3 está correto para o EHH, mas os demais valores invalidam a alternativa.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Afirma que a infecção é o fator precipitante na maioria dos casos de CAD e EHH. Correto: a infecção é o gatilho mais comum em ambas as condições — 30-50% dos casos de CAD e 30-60% dos casos de EHH. É o único item que não inverte nenhum conceito e reflete a realidade clínica.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Afirma que na CAD a deficiência de insulina é relativa e no EHH é absoluta. Inversão exata: na CAD há ausência relativa de insulina (o que permite a cetogênese), enquanto no EHH a deficiência é importante, mas a secreção residual é suficiente para suprimir a produção de glucagon e a cetogênese — ou seja, a deficiência é relativa também, apenas mais acentuada. A alternativa inverte os conceitos.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Afirma que na CAD a instalação é insidiosa em dias a semanas e no EHH é abrupta em horas. Inversão exata: a CAD se instala de forma abrupta, em horas (geralmente < 24 horas), enquanto o EHH se desenvolve de forma insidiosa, ao longo de dias a semanas. A alternativa inverte completamente a velocidade de instalação.

Gabarito: letra C — a infecção é o fator precipitante mais comum tanto na CAD quanto no EHH, e as demais alternativas erram ao inverter critérios diagnósticos, fisiopatológicos e temporais.

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