A cetoacidose diabética e o estado hiperosmolar hiperglicêmico são duas complicações associadas à hiperglicemia.Em relação a essas duas situações, assinale a afirmativa correta.
ACetoacidose é definida pela glicemia maior que 600mg/dL, pH menor que 7,5 e cetonemia positiva.
BEstado hiperosmolar hiperglicêmico é definido pela glicemia maior que 250mg/dL, osmolaridade maior que 340mosm/kg, pH arterial maior que 7,3.
CInfecção é o fator precipitante na maioria dos casos de cetoacidose diabética e de estado hiperosmolar hiperglicêmico.
DNa cetoacidose diabética a deficiência de insulina é relativa e no estado hiperosmolar hiperglicêmico essa deficiência é absoluta.
ENa cetoacidose diabética a instalação do quadro é insidiosa em dias a semanas e no estado hiperosmolar hiperglicêmico a instalação é abrupta em horas.
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GabaritoC — Infecção é o fator precipitante na maioria dos casos de cetoacidose diabética e de estado hiperosmolar hiperglicêmico.
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Cetoacidose diabética e estado hiperosmolar hiperglicêmico: definições e fatores precipitantes
Gabarito: letra C. A infecção é o fator precipitante mais comum tanto na cetoacidose diabética (CAD) quanto no estado hiperosmolar hiperglicêmico (EHH), ocorrendo em 30-50% dos casos de CAD e 30-60% dos casos de EHH. As demais alternativas erram ao inverter os critérios diagnósticos (glicemia, pH, osmolaridade), a natureza da deficiência de insulina ou a velocidade de instalação do quadro — conceitos que a banca deliberadamente troca para confundir.
A cetoacidose diabética e o estado hiperosmolar hiperglicêmico são as duas complicações agudas mais relevantes da hiperglicemia no diabetes mellitus. A CAD é definida pela tríade clássica: glicemia > 250 mg/dL, pH arterial < 7,3 e cetonemia positiva. Já o EHH é definido por glicemia > 600 mg/dL, osmolaridade > 320 mOsm/kg e pH arterial > 7,3. A diferença fundamental está na fisiopatologia: na CAD há ausência relativa de insulina, o que permite a lipólise e a produção de corpos cetônicos, gerando acidose metabólica; no EHH, embora haja deficiência importante de insulina, a secreção residual é suficiente para suprimir a cetogênese, mas não para evitar a hiperglicemia extrema e a hiperosmolaridade.
A instalação do quadro também difere: a CAD se instala de forma abrupta, em horas (geralmente menos de 24 horas), enquanto o EHH se desenvolve de forma insidiosa, ao longo de dias a semanas. Essa diferença temporal reflete a fisiopatologia: no EHH, a hiperglicemia progressiva leva a diurese osmótica e desidratação gradual, frequentemente em idosos com mecanismo de sede prejudicado.
Quanto aos fatores precipitantes, a infecção é o gatilho mais comum em ambas as condições — 30-50% na CAD e 30-60% no EHH. Outros fatores incluem má-aderência ao tratamento (20-30% em ambos), primeira descompensação (15-20%), doenças cardiovasculares e uso de medicamentos como corticosteroides e diuréticos. A tabela abaixo resume as principais diferenças:
Critério
CAD
EHH
Glicemia
> 250 mg/dL
> 600 mg/dL
pH arterial
< 7,3
> 7,3
Osmolaridade
Variável
> 320 mOsm/kg
Cetonemia
Positiva
Rara/ausente
Deficiência de insulina
Relativa (permite cetogênese)
Importante, mas suficiente para suprimir cetogênese
Instalação
Abrupta (horas)
Insidiosa (dias a semanas)
Idade típica
20-29 anos
> 50 anos
Fator precipitante mais comum
Infecção (30-50%)
Infecção (30-60%)
A pegadinha central desta questão é a inversão sistemática dos critérios entre as duas condições. A banca troca os valores de glicemia, pH e osmolaridade, inverte a natureza da deficiência de insulina e a velocidade de instalação. O candidato que memoriza os critérios de forma isolada, sem entender a fisiopatologia, cai facilmente nessas armadilhas.
NÃO CAIA NESSA!
A banca adora inverter os critérios entre CAD e EHH. Repare: na alternativa A, a glicemia > 600 mg/dL é critério de EHH, não de CAD; na B, a osmolaridade > 340 mOsm/kg está acima do valor real (> 320); na D, a deficiência de insulina é relativa na CAD e absoluta no EHH — exatamente o contrário do que ocorre; na E, a instalação é insidiosa na CAD e abrupta no EHH — também invertido. A única que não inverte nada é a C, que trata do fator precipitante comum. Com treino, você enxerga essas trocas de longe 💪
Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que a CAD é definida por glicemia > 600 mg/dL, pH < 7,5 e cetonemia positiva. Erro duplo: a glicemia > 600 mg/dL é critério do EHH, não da CAD (que exige apenas > 250 mg/dL); e o pH < 7,5 está errado — o critério é pH < 7,3. A cetonemia positiva está correta, mas os outros dois valores tornam a alternativa falsa.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Afirma que o EHH é definido por glicemia > 250 mg/dL, osmolaridade > 340 mOsm/kg e pH > 7,3. Erro: a glicemia > 250 mg/dL é critério da CAD, não do EHH (que exige > 600 mg/dL). A osmolaridade > 340 mOsm/kg também está acima do valor correto (> 320 mOsm/kg). O pH > 7,3 está correto para o EHH, mas os demais valores invalidam a alternativa.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Afirma que a infecção é o fator precipitante na maioria dos casos de CAD e EHH. Correto: a infecção é o gatilho mais comum em ambas as condições — 30-50% dos casos de CAD e 30-60% dos casos de EHH. É o único item que não inverte nenhum conceito e reflete a realidade clínica.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Afirma que na CAD a deficiência de insulina é relativa e no EHH é absoluta. Inversão exata: na CAD há ausência relativa de insulina (o que permite a cetogênese), enquanto no EHH a deficiência é importante, mas a secreção residual é suficiente para suprimir a produção de glucagon e a cetogênese — ou seja, a deficiência é relativa também, apenas mais acentuada. A alternativa inverte os conceitos.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Afirma que na CAD a instalação é insidiosa em dias a semanas e no EHH é abrupta em horas. Inversão exata: a CAD se instala de forma abrupta, em horas (geralmente < 24 horas), enquanto o EHH se desenvolve de forma insidiosa, ao longo de dias a semanas. A alternativa inverte completamente a velocidade de instalação.
Gabarito: letra C — a infecção é o fator precipitante mais comum tanto na CAD quanto no EHH, e as demais alternativas erram ao inverter critérios diagnósticos, fisiopatológicos e temporais.