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Questão de Direito Civil — Contratos em Espécie — FGV 2024

Direito CivilContratos em Espécie
Código
fg076405
Banca
FGV
Órgão
AL-TO
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Procurador Jurídico
Ana decidiu comprar o imóvel oferecido por Matheus, seu colega de trabalho. Contudo, afirma que não tem o dinheiro para o pagamento à vista, oferecendo o pagamento de um valor de entrada correspondente a 60% do preço, com o restante dividido em 24 (vinte e quatro) prestações mensais, sem interveniência de terceiro agente financiador.Matheus aceita a contraproposta de Ana, mas decide que, enquanto o preço não estiver integralmente pago, a propriedade deve permanecer consigo, ainda que a posse do imóvel seja transferida à Ana desde o início, exigindo-se novo acordo de vontades após a quitação, para a transferência definitiva do bem. Por outro lado, Ana pretende firmar um acordo que garanta, após a quitação do preço, o direito de obter a propriedade de forma compulsória, isto é, ainda que encontre resistência da parte vendedora, desejando, também, obter direito real de aquisição, pelo registro do contrato. Ambas as partes pretendem que o negócio seja irretratável.Diante desse caso, assinale a opção que indica o contrato que as partes devem firmar para atender ao concreto regulamento de interesses.
  1. AContrato de compra e venda com reserva de domínio.
  2. BPromessa de compra e venda.
  3. CContrato de arrendamento com opção de compra.
  4. DAlienação fiduciária em garantia.
  5. ECompromisso de compra e venda com cláusula de hipoteca.
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GabaritoB — Promessa de compra e venda.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Promessa de compra e venda (compromisso de compra e venda)

Gabarito: letra B. A situação narrada preenche exatamente os requisitos da promessa de compra e venda (ou compromisso de compra e venda): contrato preliminar pelo qual o promitente vendedor (Matheus) mantém a propriedade até o pagamento integral, transfere a posse ao promitente comprador (Ana) e, após a quitação, esta pode exigir a outorga da escritura definitiva de forma compulsória, inclusive com direito real de aquisição se houver registro (art. 1.417 do CC). O contrato é irretratável se não houver cláusula de arrependimento (art. 463 do CC).

A banca testa a distinção entre os institutos de compra e venda com cláusulas especiais e a promessa de compra e venda, explorando as características de cada um.

Alternativa A — ❌ Incorreta

A compra e venda com reserva de domínio (arts. 521 a 532 do CC) é cláusula especial restrita a bens móveis. Não se aplica a imóveis. Além disso, na reserva de domínio a propriedade fica com o vendedor até o pagamento, mas a transferência é automática após a quitação, sem necessidade de novo acordo – o que difere do caso (exige-se novo acordo de vontades). Portanto, não atende.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A promessa de compra e venda (também chamada de compromisso de compra e venda) é contrato preliminar que obriga as partes a celebrar o contrato definitivo. Caracteriza-se por:

  • Transferência da posse ao promitente comprador (Ana) desde o início;

  • Propriedade permanece com o promitente vendedor (Matheus) até o pagamento integral;

  • Após a quitação, o promitente comprador pode exigir a outorga da escritura definitiva, inclusive por via judicial (adjudicação compulsória – art. 1.418 CC);

  • Se registrado no cartório de imóveis, confere direito real de aquisição (art. 1.417 CC), oponível a terceiros;

  • É irretratável se não houver cláusula de arrependimento (art. 463 CC). Todos os requisitos do enunciado são atendidos.

Alternativa C — ❌ Incorreta

O contrato de arrendamento com opção de compra é uma locação com cláusula de preferência para aquisição ao final. Nele:

  • A posse é de locatário, não de futuro proprietário;

  • A opção de compra é unilateral do arrendatário, mas o arrendador não é obrigado a vender se não houver exercício da opção (não há obrigatoriedade de transferência);

  • Não gera direito real de aquisição automaticamente, mesmo com registro (a opção não é um direito real típico). Falta a irretratabilidade desejada por ambas as partes.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Na alienação fiduciária em garantia (Lei 9.514/97), o devedor (Ana) transfere a propriedade fiduciária ao credor (Matheus) como garantia do pagamento. A posse direta é do devedor, mas a propriedade é do credor. Aqui ocorre o inverso: Matheus quer manter a propriedade (como vendedor, não como credor). Além disso, é contrato de garantia, não de compra e venda. Não se amolda ao caso.

Alternativa E — ❌ Incorreta

O compromisso de compra e venda com cláusula de hipoteca seria uma promessa acrescida de garantia real (hipoteca). Embora o compromisso de compra e venda simples já atenda, a hipoteca é uma garantia acessória que não foi solicitada pelas partes (Matheus não exige garantia real, apenas a retenção da propriedade). Além disso, a hipoteca onera o imóvel, o que não está no regulamento de interesses. A alternativa é inadequada.

Gabarito: letra B.

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