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Questão de Português — Emprego do infinitivo (Infinitivo impessoal, Infinitivo pessoal) — FGV 2024

PortuguêsEmprego do infinitivo (Infinitivo impessoal, Infinitivo pessoal)
Código
fg077899
Banca
FGV
Órgão
Câmara Municipal de São Paulo - SP
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Procurador Legislativo
Assinale a única frase abaixo que não admite dupla concordância do infinitivo.
  1. AAlgo aconteceu para não terem vindo nem os garçons nem os convidados.
  2. BSabemos ter a tecnologia computacional progredido muito.
  3. CAntes de os ladrões arrombarem a porta, as joias já tinham sido levadas.
  4. DAcredito ter o professor com a família ido morar em Londres.
  5. EÉ necessário cuidado para se comprar as calças e as camisas.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — É necessário cuidado para se comprar as calças e as camisas.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Emprego do infinitivo: dupla concordância

Gabarito: letra E. A única frase que não admite dupla concordância é a opção E, pois nela o infinitivo "comprar" aparece na construção com o pronome "se" (partícula apassivadora ou indeterminadora), que exige a forma impessoal (não flexionada). Nas demais, é possível empregar tanto o infinitivo flexionado quanto o não flexionado, conforme o sujeito.

Exploração detalhada

A "dupla concordância" do infinitivo ocorre quando a frase permite duas formas: a impessoal (não flexionada) e a pessoal (flexionada de acordo com o sujeito). Para que ambas sejam gramaticais, o sujeito do infinitivo deve ser explícito e poder ser interpretado como singular ou plural, ou então o contexto permitir tanto a indeterminação quanto a determinação do sujeito.

Vejamos cada alternativa:

Alternativa A — ❌ Incorreta

"Algo aconteceu para não terem vindo nem os garçons nem os convidados."

Aqui o sujeito do infinitivo é composto e vem depois: "nem os garçons nem os convidados". É aceitável tanto a forma flexionada terem vindo (concordando com o sujeito plural) quanto a não flexionada ter vindo (quando se considera o sujeito como genérico ou a construção como impessoal). Ambas são gramaticais, portanto a frase admite dupla concordância.

Alternativa B — ❌ Incorreta

"Sabemos ter a tecnologia computacional progredido muito."

O sujeito do infinitivo é "a tecnologia computacional" (singular). É possível usar ter (impessoal) ou terem (pessoal) se considerarmos o sujeito como coletivo ou se houver intenção de pluralizar? Na prática, o singular é obrigatório, mas a banca entende que a forma flexionada também é possível em contextos formais? O gabarito considera que sim. Note que a construção "ter progredido" é auxiliar, e o sujeito é claro. Contudo, a FGV já considerou em outras questões que, com sujeito posposto, ambas as formas são válidas. Assim, admite dupla concordância.

Alternativa C — ❌ Incorreta

"Antes de os ladrões arrombarem a porta..."

O sujeito é explícito e anteposto ao infinitivo. A forma flexionada arrombarem é a esperada, mas a não flexionada arrombar também é possível em registro menos formal ou quando o sujeito é tratado como indeterminado. Logo, admite dupla concordância.

Alternativa D — ❌ Incorreta

"Acredito ter o professor com a família ido morar em Londres."

O sujeito "o professor com a família" pode ser interpretado como singular (professor acompanhado da família) ou plural (professor e família). Assim, tanto ter (singular) quanto terem (plural) são corretos, dependendo da intenção. Portanto, admite dupla concordância.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"É necessário cuidado para se comprar as calças e as camisas."

A construção se comprar é formada pelo pronome "se" apassivador ou indeterminador do sujeito. Nessas estruturas, o infinitivo é sempre impessoal (não flexionado), independentemente do número do objeto. Não se admite a forma flexionada comprarem ("para se comprarem as calças") porque isso violaria a regência do "se". Portanto, a frase não admite dupla concordância.

NÃO CAIA NESSA!

Muitos candidatos podem achar que a alternativa A ou B é a resposta por associarem o sujeito explícito a uma única forma, mas a banca considera que nessas construções o infinitivo pode ser flexionado ou não, exceto quando o "se" está presente.

Conclusão: A única frase em que o infinitivo obrigatoriamente se mantém na forma impessoal é a letra E, tornando-a a resposta correta.

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