Assinale a frase abaixo em que a preposição A – sozinha ou combinada – não é uma exigência da regência de um outro termo, mostrando um valor semântico específico.
AAos sonhos não importa o preço.
BO despertar dá aos sonhos uma fama que eles não merecem.
CUma vez que somos destinados ao fracasso, tenhamos paciência.
DPrefira afrontar o mundo servindo a sua consciência a afrontar a sua consciência servindo ao mundo.
EPodemos nos defender de um ataque, mas somos indefesos a um elogio.
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GabaritoE — Podemos nos defender de um ataque, mas somos indefesos a um elogio.
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Preposição com valor semântico vs. regência
Gabarito: letra E. A questão pede a frase em que a preposição A (ou combinada) não é exigida pela regência de um verbo ou nome, mas sim possui um valor semântico próprio (como direção, referência, etc.). A única alternativa em que isso ocorre é a E, pois "indefeso" não rege preposição "a" — o "a" ali tem sentido de "perante" ou "diante de", funcionando como adjunto adverbial.
Alternativa
Frase
Preposição "A" (ou combinada)
Função da preposição
Exigida por regência?
Valor semântico próprio?
A
Aos sonhos não importa o preço.
aos
Objeto indireto
Sim (verbo "importar")
Não
B
O despertar dá aos sonhos uma fama que eles não merecem.
aos
Objeto indireto
Sim (verbo "dar")
Não
C
Uma vez que somos destinados ao fracasso, tenhamos paciência.
ao
Complemento nominal
Sim (adjetivo "destinado")
Não
D
Prefira afrontar o mundo servindo a sua consciência a afrontar a sua consciência servindo ao mundo.
a / ao
Objeto indireto / parte de estrutura comparativa
Sim (verbos "servir" e "preferir")
Não
E
Podemos nos defender de um ataque, mas somos indefesos a um elogio.
a
Adjunto adverbial
Não (adjetivo "indefeso" não rege "a")
Sim (equivale a "perante")
Análise de cada alternativa
Alternativa A — "Aos sonhos não importa o preço."
❌ Incorreta. O verbo "importar" (no sentido de ser relevante) rege preposição "a": algo importa a alguém. "Aos sonhos" é objeto indireto exigido pela regência.
Alternativa B — "O despertar dá aos sonhos uma fama que eles não merecem."
❌ Incorreta. O verbo "dar" é transitivo direto e indireto: dar algo a alguém. "aos sonhos" é objeto indireto regido por "dar".
Alternativa C — "Uma vez que somos destinados ao fracasso, tenhamos paciência."
❌ Incorreta. O adjetivo "destinado" exige complemento com preposição "a" (destinado a algo). "ao fracasso" é complemento nominal regido pela regência nominal.
Alternativa D — "Prefira afrontar o mundo servindo a sua consciência a afrontar a sua consciência servindo ao mundo."
❌ Incorreta. Aqui há duas ocorrências: "servindo a sua consciência" — o verbo "servir" (no sentido de obedecer/atender) rege preposição "a" (servir a alguém); e o segundo "a" é parte da estrutura comparativa do verbo "preferir" (preferir X a Y), também exigência de regência. Ambas são regidas.
Alternativa E — "Podemos nos defender de um ataque, mas somos indefesos a um elogio."
✅ Correta. O adjetivo "indefeso" não rege a preposição "a"; o usual seria "indefeso contra" ou "diante de". A preposição "a" em "a um elogio" tem valor semântico de direção/referência (equivale a "perante um elogio"), ou seja, é um adjunto adverbial com sentido próprio, não exigido pela regência de nenhum termo. É exatamente o que o enunciado pede.
PEGA ESSA DICA!
Desconfie de preposições que acompanham adjetivos que normalmente não pedem complemento. "Indefeso" é um adjetivo que pode ser usado de forma absoluta; quando aparece com "a", é para indicar relação (valor semântico), não regência.