Questão de Administração Pública — As políticas públicas no Estado brasileiro contemporâneo — FGV 2024
Administração Pública›As políticas públicas no Estado brasileiro contemporâneo
Código
fg079191
Banca
FGV
Órgão
Câmara dos Deputados
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Analista Legislativo/Consultoria - Consultor Legislativo - Área XIX (Reaplicação)
No âmbito do Ministério X foi instituído grupo de trabalho formado por Ana, Maria e Joana com o objetivo de elaborar os aspectos gerais de uma política pública, de caráter afirmativo, destinada a determinado grupo social historicamente discriminado no âmbito da sociedade brasileira. De acordo com Ana, a funcionalidade de uma política dessa natureza é a irrestrita adoção da igualdade formal em prol da construção da igualdade material. Maria, em sua intervenção, afirmou que políticas dessa natureza são contextualizadas em uma perspectiva temporal, não podendo assumir contornos estáticos. Por fim, Joana defendeu que a necessidade de equalização, em caráter nacional, do tratamento que deve ser dispensado ao grupo a ser protegido, é indicativo de que somente a União pode legislar sobre políticas afirmativas.Considerando as afirmações de Ana, Maria e Joana, é correto afirmar, em uma perspectiva constitucional, que
Atodas estão certas.
Bapenas Ana está certa.
Capenas Maria está certa.
Dapenas Ana e Joana estão certas.
Eapenas Maria e Joana estão certas.
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GabaritoC — apenas Maria está certa.
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Políticas Afirmativas na Perspectiva Constitucional
Gabarito: letra C. Apenas Maria está correta. A afirmação de Ana é incorreta porque confunde os conceitos de igualdade formal e material, a de Maria acerta ao destacar a temporalidade das políticas afirmativas, e a de Joana erra ao afirmar que a União detém competência legislativa exclusiva sobre o tema, pois a competência é concorrente, permitindo que estados e municípios também legislem.
A questão examina o conhecimento sobre os fundamentos constitucionais das políticas afirmativas (ações afirmativas), especialmente no que tange ao princípio da igualdade, à duração dessas políticas e à repartição constitucional de competências legislativas.
Análise das afirmações
Afirmação de Ana — ❌ Incorreta
Ana afirma que a funcionalidade de uma política afirmativa é a "irrestrita adoção da igualdade formal em prol da construção da igualdade material". Há uma inversão conceitual: as ações afirmativas buscam justamente superar a igualdade formal (tratar todos igualmente perante a lei) para promover a igualdade material (tratar desigualmente os desiguais na medida de suas desigualdades). A igualdade formal, por si só, não é capaz de corrigir discriminações históricas; por isso, as políticas afirmativas adotam medidas específicas que diferenciam grupos para alcançar a equidade. Assim, a premissa de Ana está equivocada.
Afirmação de Maria — ✅ Correta
Maria afirma que políticas afirmativas são "contextualizadas em uma perspectiva temporal, não podendo assumir contornos estáticos". Isso está correto: as ações afirmativas são, por natureza, temporárias e transitórias, destinadas a acelerar o processo de igualdade até que as condições de discriminação sejam superadas. Elas não devem perdurar indefinidamente, pois seu objetivo é corrigir desigualdades e, uma vez alcançado o equilíbrio, a política deve ser revista ou extinta. Esse caráter temporal é reconhecido pela doutrina e pela jurisprudência (ex.: STF no julgamento das cotas raciais – ADPF 186).
Afirmação de Joana — ❌ Incorreta
Joana defende que "somente a União pode legislar sobre políticas afirmativas" devido à necessidade de equalização nacional. Isso é incorreto à luz da Constituição Federal. A competência para legislar sobre direitos fundamentais e políticas de promoção da igualdade é concorrente entre União, Estados e Distrito Federal (art. 24, XV, CF – proteção e integração social das pessoas portadoras de deficiência; e art. 24, XIV, CF – proteção e integração social das minorias). Além disso, os Municípios podem legislar sobre assuntos de interesse local e suplementar a legislação federal e estadual no que couber (art. 30, I e II, CF). Portanto, a União não detém exclusividade; estados e municípios também podem instituir políticas afirmativas, desde que respeitadas as normas gerais federais.
Conclusão
Apenas a afirmação de Maria está correta, o que corresponde à alternativa C do gabarito.
Servidor
Afirmação
Análise
Conclusão
Ana
A funcionalidade é a irrestrita adoção da igualdade formal em prol da igualdade material.
Inverte os conceitos: as ações afirmativas buscam superar a igualdade formal para alcançar a igualdade material.
❌ Incorreta
Maria
Políticas afirmativas são temporais e não estáticas.
Correto: são medidas transitórias, destinadas a corrigir desigualdades até que o equilíbrio seja alcançado.
✅ Correta
Joana
Somente a União pode legislar sobre políticas afirmativas.
Errado: a competência legislativa é concorrente (União, Estados e DF), e não exclusiva da União.
❌ Incorreta
Políticas afirmativas: Ana (❌) (Igualdade formal irrestrita, Para construir igualdade material); Maria (✅) (Perspectiva temporal, Não estáticas); Joana (❌) (Competência exclusiva da União)
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre igualdade formal e material (Ana) e a ideia equivocada de que apenas a União pode legislar sobre ações afirmativas (Joana). Lembre-se: ações afirmativas são instrumentos de igualdade material, temporários, e a competência legislativa é concorrente, não exclusiva da União.