Questão de Medicina — Mastologia — FGV 2024
- Código
- fg079973
- Banca
- FGV
- Órgão
- DATAPREV
- Ano
- 2024
- Nível
- Superior
- Cargo
- Médico do Trabalho
- Aadenocarcinoma mamário.
- Bcisto mamário.
- Clipoma mamário.
- Dadenoma mamário.
- Enódulo mamário infectado.
GabaritoA — adenocarcinoma mamário.
Gabarito: letra A. O quadro é de adenocarcinoma mamário: paciente de 60 anos, com nódulo de 1 cm, de contornos espiculados e mal delineados na mamografia — achado clássico de malignidade. A idade avançada e o uso de reposição hormonal são fatores de risco adicionais. As demais alternativas (cisto, lipoma, adenoma e nódulo infectado) apresentam características radiológicas e clínicas distintas, tipicamente benignas ou inflamatórias.
O câncer de mama é a neoplasia maligna mais comum em mulheres, e sua incidência aumenta progressivamente com a idade, sendo muito maior após os 45 anos. A mamografia é o método propedêutico de maior valor na detecção precoce, e a identificação de um nódulo com contornos espiculados é um dos sinais mais específicos de malignidade. Os espículos representam a infiltração do tumor no parênquima mamário adjacente, formando projeções irregulares que se estendem a partir da lesão. Essa característica contrasta com as lesões benignas, que geralmente apresentam margens bem definidas e regulares.
A paciente em questão tem 60 anos, faixa etária em que a probabilidade de carcinoma é significativamente elevada. Além disso, o uso de reposição hormonal desde a menopausa (aos 50 anos) é um fator de risco conhecido para o desenvolvimento de câncer de mama, especialmente quando utilizado por período prolongado. O quadro clínico de aumento volumétrico doloroso da mama, sem sinais de infecção (como febre ou secreção purulenta), e a ausência de nódulo palpável à compressão (pois a lesão é pequena e profunda) reforçam a suspeita de malignidade.
É importante destacar que a dor mamária, embora seja uma queixa comum e geralmente associada a causas benignas, não exclui a possibilidade de câncer, especialmente em mulheres na pós-menopausa. A presença de um nódulo espiculado na mamografia, mesmo em uma paciente assintomática, é indicação formal de biópsia para confirmação diagnóstica. O diagnóstico definitivo é feito por histopatologia, e a conduta deve ser orientada por um mastologista.
A distinção entre as lesões mamárias benignas e malignas é o ponto central desta questão. Enquanto o adenocarcinoma apresenta margens espiculadas e mal definidas, os cistos são lesões anecoicas, bem delimitadas e de conteúdo líquido; os lipomas são lesões radiolucentes, encapsuladas e de consistência macia; os adenomas são lesões sólidas, bem circunscritas e de crescimento lento; e os nódulos infectados (abscessos) cursam com sinais flogísticos, como dor, calor, rubor e febre. A mamografia é o exame que permite essa diferenciação, e a descrição do nódulo espiculado é o achado que define a hipótese de malignidade.
Guarde a fronteira entre as margens espiculadas (malignidade) e as margens bem definidas (benignidade): é exatamente nela que as alternativas se dividem.
O adenocarcinoma mamário é a neoplasia maligna mais comum da mama, e sua apresentação típica na mamografia é um nódulo de contornos espiculados e mal delineados, como descrito no enunciado. A idade de 60 anos, o uso de reposição hormonal e a ausência de sinais de infecção reforçam a hipótese. A conduta é a biópsia para confirmação histopatológica.
O cisto mamário é uma lesão benigna, de conteúdo líquido, que na mamografia se apresenta como uma imagem radiolucente, de contornos bem definidos e regulares. Não apresenta espiculações, e o quadro clínico de dor e aumento volumétrico difuso não é típico. A descrição do nódulo espiculado exclui essa hipótese.
O lipoma mamário é um tumor benigno de tecido adiposo, que na mamografia se apresenta como uma lesão radiolucente, encapsulada e de contornos bem definidos. Não apresenta espiculações, e sua consistência é macia à palpação. A descrição do nódulo espiculado e mal delineado é incompatível com essa hipótese.
O adenoma mamário é uma lesão benigna, sólida, bem circunscrita e de crescimento lento. Na mamografia, apresenta contornos regulares e bem definidos, sem espiculações. A descrição do nódulo espiculado e mal delineado é característica de malignidade, não de adenoma.
O nódulo mamário infectado (abscesso) cursa com sinais flogísticos, como dor, calor, rubor e febre, além de frequentemente apresentar secreção purulenta. Na mamografia, a lesão é geralmente mal definida, mas o quadro clínico da paciente (sem febre, sem secreção, sem eritema) e a ausência de resposta ao tratamento antibiótico não são descritos. A idade de 60 anos e o nódulo espiculado apontam fortemente para malignidade, não para infecção.
A banca explora a associação entre dor mamária e causas benignas, como cistos ou mastite. No entanto, em uma mulher de 60 anos, a dor não exclui câncer, e o achado de nódulo espiculado na mamografia é o dado decisivo. Não se deixe levar pela queixa de dor: o exame de imagem é soberano na suspeita de malignidade.
Gabarito: letra A — adenocarcinoma mamário.
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