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Questão de Medicina — Pediatria e Neonatologia — FGV 2024

MedicinaPediatria e Neonatologia
Código
fg080216
Banca
FGV
Órgão
EBSERH
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Acesso Direto
Uma primípara comparece à consulta de puericultura com seu filho de 2 meses. Durante a consulta, o pediatra percebe que ela está prestes a abandonar o aleitamento materno exclusivo e conduz a conversa de forma a mantê-lo.

Nessa conversa é importante ser empático, evitando:
  1. Afazer perguntas abertas que permitam à mãe expressar argumentos contra a manutenção da amamentação;
  2. Brecorrer à comunicação não verbal, uma vez que esta pode induzir a erros de interpretação, tornar-se inapropriada ou gerar problemas éticos;
  3. Caceitar as opiniões da mãe durante a conversa, a fim de demonstrar, de forma clara e incisiva, que a posição expressa nessas opiniões está equivocada;
  4. Dusar palavras que possam ser interpretadas como julgamento, exceto quando possam efetivamente levar ao desmame;
  5. Esubestimar os sentimentos da mãe, a fim de demonstrar, durante a conversa, que eles podem ser compreendidos e valorizados.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — subestimar os sentimentos da mãe, a fim de demonstrar, durante a conversa, que eles podem ser compreendidos e valorizados.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Aconselhamento em aleitamento materno: a arte de ouvir sem julgar

Gabarito: letra E. Na conversa para manter o aleitamento materno exclusivo, o pediatra deve evitar subestimar os sentimentos da mãe — a empatia exige exatamente o oposto: reconhecer, validar e valorizar o que ela sente. As demais alternativas descrevem condutas que, em maior ou menor grau, fazem parte de uma abordagem acolhedora e não julgadora, conforme as recomendações de aconselhamento em amamentação.

A empatia é a capacidade de se colocar no lugar do outro, compreendendo seus sentimentos e perspectivas sem julgamento. No contexto do aleitamento materno, isso significa que o pediatra deve ouvir ativamente a mãe, reconhecer suas dificuldades, medos e cansaço, e validar suas emoções como legítimas. Subestimar esses sentimentos — tratá-los como exagerados, irrelevantes ou sem importância — é o oposto da empatia e quebra a confiança necessária para que a mãe se sinta apoiada em sua decisão de continuar amamentando.

A comunicação empática envolve várias habilidades: fazer perguntas abertas para entender a perspectiva da mãe, usar a comunicação não verbal de forma consciente (pois gestos e expressões podem transmitir julgamento), aceitar as opiniões dela como ponto de partida para o diálogo (mesmo que o profissional discorde), e evitar palavras que soem como crítica. O objetivo não é "vencer" a mãe com argumentos, mas caminhar junto com ela, respeitando sua autonomia e suas decisões, como reforça o material de apoio ao citar a importância de "saber ouvir as mães, as crianças e as famílias com empatia, sem julgamentos e respeito a suas opiniões e decisões".

Na prática, imagine uma mãe que diz: "Estou exausta, acho que meu leite não está sustentando ele". Uma resposta empática seria: "Entendo que você está cansada e preocupada. Me conte mais sobre como estão as mamadas — o que te faz pensar que o leite não está sendo suficiente?". Isso valida o sentimento, abre espaço para o diálogo e permite ao pediatra oferecer orientação técnica (como avaliar ganho de peso, pega e posição) sem desqualificar a vivência da mãe. Já uma resposta que subestima seria: "Não se preocupe com isso, seu leite é ótimo, isso é só impressão sua" — essa frase desvaloriza a preocupação e pode fazer a mãe se sentir incompreendida e desistir de buscar ajuda.

A distinção crucial aqui é entre validar e concordar. Validar os sentimentos da mãe não significa concordar com suas conclusões (por exemplo, que o leite é fraco), mas sim reconhecer que aqueles sentimentos são reais e importantes para ela. É a partir desse reconhecimento que se constrói uma relação de confiança que permite ao profissional influenciar positivamente a decisão de manter a amamentação. A banca explora exatamente essa confusão: a alternativa E inverte o conceito de empatia, apresentando como recomendável aquilo que é justamente o erro a ser evitado.

Guarde este critério: empatia = validar sentimentos, nunca subestimá-los. É essa fronteira que separa a alternativa correta das demais.

Aconselhamento em aleitamento
  • 1Empatia
    • Validar sentimentos
    • Ouvir sem julgar
    • Subestimar sentimentos
  • 2Técnicas recomendadas
    • Perguntas abertas
    • Comunicação não verbal consciente
    • Aceitar opiniões como ponto de partida
    • Evitar palavras de julgamento
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Alternativa A — ✅ Correta

Fazer perguntas abertas é uma técnica recomendada no aconselhamento. Perguntas como "Como você está se sentindo em relação à amamentação?" ou "O que tem sido mais difícil para você?" permitem que a mãe expresse suas preocupações, dúvidas e até argumentos contra a manutenção do aleitamento. Isso não é algo a ser evitado — pelo contrário, é essencial para entender a situação e oferecer apoio adequado. O erro seria fazer perguntas fechadas ou julgar as respostas.

Alternativa B — ✅ Correta

A comunicação não verbal (expressões faciais, tom de voz, postura, contato visual) é parte fundamental da comunicação empática. O enunciado da alternativa está correto ao afirmar que ela "pode induzir a erros de interpretação, tornar-se inapropriada ou gerar problemas éticos" — por isso o profissional deve estar atento a ela. Um olhar de reprovação ou um tom de voz impaciente podem transmitir julgamento, mesmo que as palavras sejam acolhedoras. A alternativa descreve uma preocupação legítima, não algo a ser evitado na conversa.

Alternativa C — ✅ Correta

Aceitar as opiniões da mãe durante a conversa é uma estratégia válida, desde que o objetivo não seja "demonstrar, de forma clara e incisiva, que a posição expressa nessas opiniões está equivocada". A leitura correta é: aceitar as opiniões como ponto de partida para o diálogo, sem julgamento, e então, com base na escuta, oferecer informações e orientações que ajudem a mãe a tomar sua própria decisão. O erro estaria em aceitar apenas para depois "atacar" a opinião dela. A alternativa, como redigida, descreve uma postura de respeito inicial, o que é recomendado.

Alternativa D — ✅ Correta

Evitar palavras que possam ser interpretadas como julgamento é uma recomendação central do aconselhamento empático. A alternativa traz uma ressalva: "exceto quando possam efetivamente levar ao desmame". Essa exceção é problemática do ponto de vista ético — nunca se deve usar palavras julgadoras, mesmo que o objetivo seja evitar o desmame. No entanto, a leitura que a banca faz é que a alternativa, no geral, descreve uma conduta correta (evitar julgamento), e a exceção é apenas um detalhe que não invalida a ideia principal. A alternativa E é claramente mais incorreta, pois inverte completamente o conceito de empatia.

Alternativa E — ❌ Incorreta ⟵ GABARITO

Esta é a alternativa que a banca pede: a conduta a ser evitada. Subestimar os sentimentos da mãe é exatamente o oposto da empatia. A empatia exige reconhecer, validar e valorizar os sentimentos da mãe — nunca minimizá-los ou tratá-los como irrelevantes. A alternativa tenta disfarçar o erro com a justificativa de que isso "demonstraria que eles podem ser compreendidos e valorizados", mas essa lógica é absurda: subestimar um sentimento não demonstra compreensão nem valorização, mas sim desqualificação. A conduta correta seria: "valorizar os sentimentos da mãe, a fim de demonstrar, durante a conversa, que eles podem ser compreendidos e valorizados".

NÃO CAIA NESSA!

A banca inverte o conceito de empatia na alternativa E. O candidato desatento pode ler "subestimar" e não perceber a inversão, ou pode se confundir com a justificativa apresentada. A pegadinha está em apresentar uma conduta claramente anti-empática (subestimar sentimentos) como se fosse uma forma de demonstrar compreensão. Lembre-se: empatia é validar, nunca subestimar. Com treino, você identifica essas inversões de longe 💪

Gabarito: letra E — a conduta a ser evitada é subestimar os sentimentos da mãe.

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