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Questão de Medicina — Neurologia — FGV 2024

MedicinaNeurologia
Código
fg080243
Banca
FGV
Órgão
EBSERH
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Acesso Direto
Um jovem de 20 anos foi admitido com um quadro de hepatite, esplenomegalia com hiperesplenismo, anemia hemolítica com Coombs negativo, hipertensão portal e confusão mental. O exame neurológico mostrou síndrome rígida-acinética semelhante ao parkinsonismo, tremores e ataxia. Foram também observadas disartria, disfagia e incoordenação motora. Tais achados neurológicos se associam a disfunção dos gânglios da base. O tratamento instituído foi D-penicilamina oral (0,75 - 2 g/dia em doses divididas, tomadas 1 hora antes ou 2 horas após a refeição) associada a piridoxina oral, 50 mg por semana. Foi também prescrito zinco elementar na dose de 50 mg três vezes ao dia. Houve melhora clínica e indicação para que o tratamento fosse continuado indefinidamente, além de uma dieta específica.A doença em questão é:
  1. Ahemocromatose;
  2. Bhepatite autoimune;
  3. Ccolangite esclerosante primária;
  4. Ddoença de Wilson;
  5. Esíndrome de Budd-Chiari.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — doença de Wilson;

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Doença de Wilson: o diagnóstico pela tríade hepática, neurológica e oftalmológica

Gabarito: letra D. O quadro descrito — hepatite, esplenomegalia com hiperesplenismo, anemia hemolítica Coombs negativo, hipertensão portal, confusão mental e síndrome rígido-acinética com tremores e ataxia — é a apresentação clássica da doença de Wilson, distúrbio autossômico recessivo do metabolismo do cobre. O tratamento com D-penicilamina (quelante de cobre) associada à piridoxina e ao zinco elementar confirma o diagnóstico, pois é a terapia específica dessa condição.

A doença de Wilson é causada por mutações no gene ATP7B, que codifica uma ATPase responsável pela excreção biliar do cobre e sua incorporação à ceruloplasmina. O defeito leva ao acúmulo progressivo de cobre livre no fígado, no cérebro (especialmente nos gânglios da base), na córnea e em outros tecidos. A apresentação clínica é extremamente variada, mas a combinação de doença hepática com sintomas neurológicos e psiquiátricos em um paciente jovem é altamente sugestiva.

As manifestações hepáticas são as mais comuns na infância e adolescência, variando de hepatomegalia assintomática e transaminases elevadas até hepatite aguda, cirrose e insuficiência hepática fulminante. A anemia hemolítica Coombs negativo ocorre pela toxicidade direta do cobre sobre as hemácias, e o hiperesplenismo é consequência da hipertensão portal. Já os sintomas neurológicos, que predominam em adultos jovens, resultam do depósito de cobre nos gânglios da base e incluem distúrbios do movimento como tremor, parkinsonismo, distonia e ataxia, além de disartria, disfagia e alterações psiquiátricas.

O diagnóstico é confirmado pela combinação de achados clínicos, laboratoriais e de imagem. A ceruloplasmina sérica baixa, a excreção urinária de cobre em 24 horas aumentada e a presença dos anéis de Kayser-Fleischer (depósito de cobre na membrana de Descemet da córnea) são os pilares. A ressonância magnética do encéfalo pode mostrar hipersinal em T2 nos gânglios da base, e o sinal da "face do panda gigante" é um achado característico, embora menos frequente.

O tratamento visa reduzir os níveis de cobre e prevenir a progressão da doença. A D-penicilamina é o quelante de primeira linha, promovendo a excreção urinária do metal. A piridoxina é administrada como suplementação, pois a D-penicilamina aumenta sua excreção. O zinco, por sua vez, atua bloqueando a absorção intestinal de cobre, sendo usado como terapia de manutenção ou em pacientes assintomáticos. A dieta pobre em cobre (evitando fígado, frutos do mar, chocolate e nozes) complementa o tratamento, que deve ser mantido por toda a vida.

A pegadinha desta questão está em reconhecer que a associação de doença hepática com sintomas neurológicos extrapiramidais em um jovem é praticamente patognomônica de doença de Wilson. As demais alternativas apresentam doenças hepáticas ou metabólicas que não cursam com esse padrão combinado de manifestações. Guarde a tríade: doença hepática + sintomas neurológicos (gânglios da base) + anéis de Kayser-Fleischer = doença de Wilson.

Alternativa A — ❌ Incorreta

A hemocromatose é uma doença de sobrecarga de ferro, que se manifesta tipicamente com cirrose, diabetes mellitus, cardiomiopatia e hiperpigmentação da pele. Embora possa causar hepatopatia, não cursa com anemia hemolítica, sintomas neurológicos extrapiramidais ou anéis de Kayser-Fleischer. O tratamento é a flebotomia, não a D-penicilamina.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A hepatite autoimune é uma doença inflamatória crônica do fígado, associada a autoanticorpos e hipergamaglobulinemia. Pode causar hepatite e cirrose, mas não apresenta manifestações neurológicas como parkinsonismo, tremor ou ataxia, nem anemia hemolítica Coombs negativo. O tratamento é imunossupressor (corticosteroides e azatioprina), não quelante de cobre.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A colangite esclerosante primária é uma doença colestática crônica, associada frequentemente à retocolite ulcerativa. Manifesta-se com colestase, prurido e icterícia, podendo evoluir para cirrose. Não causa sintomas neurológicos extrapiramidais nem anemia hemolítica. O tratamento é ácido ursodesoxicólico e, em casos avançados, transplante hepático.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A doença de Wilson é a única alternativa que explica todos os achados do paciente: hepatite, esplenomegalia com hiperesplenismo, anemia hemolítica Coombs negativo, hipertensão portal, confusão mental e síndrome rígido-acinética com tremores e ataxia. O tratamento com D-penicilamina, piridoxina e zinco é específico para essa condição, confirmando o diagnóstico.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A síndrome de Budd-Chiari é a obstrução do fluxo venoso hepático, causando hepatomegalia dolorosa, ascite e hipertensão portal. Embora possa levar a insuficiência hepática, não causa sintomas neurológicos extrapiramidais nem anemia hemolítica. O tratamento é anticoagulação, trombólise ou procedimentos de desobstrução, não quelantes de cobre.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a associação de doença hepática com sintomas neurológicos. O candidato pode confundir com hemocromatose (sobrecarga de ferro) ou hepatite autoimune, mas nenhuma delas cursa com parkinsonismo, tremor e ataxia. A presença de anemia hemolítica Coombs negativo e a resposta à D-penicilamina são as chaves para o diagnóstico de doença de Wilson.

PEGA ESSA DICA!

Na prova, ao ver um paciente jovem com doença hepática + sintomas neurológicos (distúrbios do movimento, disartria, ataxia) + anemia hemolítica, pense imediatamente em doença de Wilson. Lembre-se da tríade: fígado + cérebro + olhos (anéis de Kayser-Fleischer).

Gabarito: letra D

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