Questão de Medicina — Endocrinologia — FGV 2024
- Código
- fg080259
- Banca
- FGV
- Órgão
- EBSERH
- Ano
- 2024
- Nível
- Superior
- Cargo
- Ano Adicional - Cirurgia Plástica
- Acitrato de clomifeno;
- Bamiodarona;
- Cteofilina;
- Dteofilina; omeprazol;
- Edomperidona.
GabaritoA — citrato de clomifeno;
Gabarito: letra A. O citrato de clomifeno é um modulador seletivo do receptor de estrogênio (SERM) utilizado no tratamento da infertilidade e, por sua ação antiestrogênica, não está relacionado à gênese das ginecomastias — ao contrário, é usado em algumas abordagens terapêuticas da condição. Os demais fármacos listados (amiodarona, teofilina, omeprazol e domperidona) são reconhecidamente associados ao desenvolvimento de ginecomastia.
A ginecomastia é o aumento benigno do tecido glandular mamário no homem, resultante de um desequilíbrio entre a ação estrogênica e androgênica no tecido mamário — seja por aumento absoluto ou relativo de estrogênios, seja por diminuição da testosterona ou por resistência à sua ação. O diagnóstico diferencial é amplo e inclui condições fisiológicas (como a ginecomastia puberal e a do envelhecimento), doenças sistêmicas (cirrose hepática, insuficiência renal, hipertireoidismo, hipogonadismo) e, de forma muito relevante, o uso de medicamentos.
A investigação de um paciente adulto com ginecomastia de início recente deve incluir, obrigatoriamente, a revisão detalhada da história farmacológica, pois diversos fármacos podem desencadear ou agravar o quadro. O mecanismo varia conforme a substância: alguns têm atividade estrogênica intrínseca, outros aumentam a produção de estrogênios por aromatização periférica de andrógenos, outros ainda bloqueiam receptores androgênicos ou inibem a síntese de testosterona. A remoção do agente causal pode levar à regressão do tecido glandular, especialmente se o quadro for recente.
Entre os fármacos classicamente implicados, destacam-se: antiandrogênicos (como espironolactona, cimetidina, flutamida), estrogênios e análogos (como dietilestilbestrol, estrógenos tópicos), agentes com atividade estrogênica (digitálicos), inibidores da síntese de testosterona (cetoconazol, metronidazol), drogas de abuso (álcool, heroína, maconha, anabolizantes), e diversos outros como amiodarona, teofilina, omeprazol, domperidona, verapamil, nifedipino, inibidores da ECA, antirretrovirais, entre muitos outros.
O citrato de clomifeno, por sua vez, é um SERM que atua como antagonista do receptor de estrogênio no tecido mamário, sendo inclusive utilizado em algumas estratégias terapêuticas para ginecomastia, embora com eficácia limitada e não padronizada. Portanto, a alternativa que apresenta um fármaco não relacionado à gênese da ginecomastia é exatamente aquela que o menciona.
A banca explora o conhecimento da lista de medicamentos associados à ginecomastia, um tópico clássico em endocrinologia e farmacologia clínica. A pegadinha está em reconhecer que o clomifeno, por ser um antiestrogênico, não se enquadra no grupo de fármacos que causam a condição — pelo contrário, ele é um potencial agente terapêutico.
O citrato de clomifeno é um modulador seletivo do receptor de estrogênio (SERM) com ação antagonista no tecido mamário. Ele é utilizado principalmente para indução da ovulação em mulheres e, em homens, para o tratamento de hipogonadismo hipogonadotrófico e infertilidade. Por bloquear o receptor de estrogênio, não está relacionado à gênese das ginecomastias — na verdade, é uma das opções terapêuticas consideradas em alguns casos, embora sem indicação formal estabelecida. A questão pede o fármaco que NÃO está relacionado à gênese, e o clomifeno é exatamente esse.
A amiodarona é um antiarrítmico classe III amplamente utilizado, e está claramente associada à gênese de ginecomastia. O mecanismo envolve, entre outros, a inibição da aromatização periférica de andrógenos em estrogênios e possível efeito direto no tecido mamário. É um dos fármacos cardiovasculares mais citados como causa de ginecomastia, juntamente com espironolactona, digitálicos e verapamil.
A teofilina é uma metilxantina utilizada como broncodilatador no tratamento de asma e DPOC. Ela está associada à gênese de ginecomastia, embora o mecanismo não seja totalmente elucidado — acredita-se que possa haver aumento da prolactina ou efeito direto no tecido mamário. É um fármaco classicamente listado entre as causas medicamentosas de ginecomastia.
Esta alternativa repete a teofilina e acrescenta o omeprazol. Ambos estão associados à gênese de ginecomastia. O omeprazol, um inibidor da bomba de prótons, é citado em diversas fontes como causa de ginecomastia, embora o mecanismo não seja completamente compreendido. A alternativa, portanto, apresenta dois fármacos que estão relacionados à condição, sendo incorreta.
A domperidona é um antagonista dopaminérgico utilizado como antiemético e procinético. Ela está associada à gênese de ginecomastia por aumentar os níveis de prolactina (hiperprolactinemia), que estimula o tecido mamário. É um exemplo clássico de fármaco que causa ginecomastia por mecanismo hiperprolactinêmico, juntamente com metoclopramida e antipsicóticos.
A banca explora a confusão entre fármacos que causam ginecomastia e fármacos que tratam ou não têm relação com a condição. O clomifeno, por ser um antiestrogênico (SERM), é justamente o oposto dos demais — ele bloqueia o receptor de estrogênio, enquanto amiodarona, teofilina, omeprazol e domperidona estão todos implicados na gênese. O candidato que decora a lista de causas sem entender o mecanismo pode marcar qualquer uma das outras opções. Fique atento: a questão pede o que NÃO está relacionado, e o clomifeno é o único que se destaca por sua ação antiestrogênica.
Gabarito: letra A — citrato de clomifeno, pois é um antiestrogênico e não está relacionado à gênese das ginecomastias.
Link permanente: /questoes/fg080259