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Questão de Medicina — Endocrinologia — FGV 2024

MedicinaEndocrinologia
Código
fg080564
Banca
FGV
Órgão
EBSERH
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Ano Adicional - Medicina de Família e Comunidade R3
Uma mulher de 43 anos, pesando 75 kg e com 1,58 m de altura, consulta-se com resultados de exames solicitados em outra unidade: hemograma, creatinina, colesterol total, triglicérides, HDL- colesterol, TSH e T4 livres, todos normais. Os exames foram feitos de rotina, pois ela não apresentava qualquer sintoma. Exame físico de abordagem não mostra qualquer particularidade. Ela se preocupou com um único resultado: HbA1C = 6,5%. Não havia glicemia de jejum nos resultados.Devemos, então:
  1. Ainiciar metformina 500 mg 1 vez ao dia e exames de controle em 3 meses;
  2. Biniciar glibenclamida 2,5 mg 1 vez ao dia e exames de controle em 3 meses;
  3. Ciniciar metformina 500 mg 1 vez ao dia e exames de controle em 6 meses;
  4. Dorientar uma boa gestão do estilo de vida, com redução de peso e exames de controle em 6 meses;
  5. Eorientar uma boa gestão do estilo de vida, com redução de peso e exames de controle em 3 meses.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — orientar uma boa gestão do estilo de vida, com redução de peso e exames de controle em 6 meses;

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Diabetes Mellitus: diagnóstico e conduta inicial

Gabarito: letra D. A paciente apresenta HbA1c de 6,5%, valor que, isoladamente, caracteriza diabetes mellitus, mas, por ser assintomática e sem glicemia de jejum para confirmação, a conduta inicial recomendada é a orientação de mudanças no estilo de vida, com redução de peso, e reavaliação em 6 meses — não o início imediato de farmacoterapia. Essa abordagem está alinhada às diretrizes da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD) e da American Diabetes Association (ADA), que preconizam, para adultos assintomáticos com HbA1c entre 6,0% e 6,4% (pré-diabetes) ou mesmo com diagnóstico de diabetes sem sintomas, a intervenção não farmacológica como primeiro passo, reservando a metformina para casos em que a meta não é atingida ou há maior risco.

O diagnóstico de diabetes mellitus baseia-se em quatro critérios: glicemia de jejum ≥ 126 mg/dL, glicemia 2h após sobrecarga de 75g de glicose ≥ 200 mg/dL, HbA1c ≥ 6,5% ou glicemia casual ≥ 200 mg/dL com sintomas clássicos. No caso apresentado, a HbA1c de 6,5% atende ao critério diagnóstico, mas a ausência de sintomas e a falta de confirmação por outro exame (glicemia de jejum ou TOTG) tornam prudente a repetição do exame ou a realização de um teste confirmatório antes de rotular a paciente como diabética. A diretriz da SBD recomenda que, em pacientes assintomáticos, o diagnóstico seja confirmado pela repetição do mesmo exame ou por um teste diferente, em nova ocasião.

A conduta terapêutica inicial para diabetes tipo 2, especialmente em pacientes assintomáticos e com sobrepeso (IMC = 30,1 kg/m², calculado como 75 / (1,58)²), é a modificação intensiva do estilo de vida: dieta equilibrada, atividade física regular e perda de peso de 5% a 10%. A metformina é o fármaco de primeira linha, mas sua introdução imediata não é obrigatória em todos os casos; as diretrizes atuais sugerem que, em pacientes com HbA1c pouco acima do alvo (como 6,5% a 7,0%) e sem sintomas, a terapia não farmacológica pode ser tentada por um período de 3 a 6 meses, com reavaliação. A escolha do intervalo de 6 meses (alternativa D) em vez de 3 meses (alternativa E) reflete a prática de permitir tempo suficiente para que as mudanças de estilo de vida produzam efeito mensurável, sem expor a paciente a um retorno precoce desnecessário.

A alternativa A (metformina 500 mg 1x/dia e controle em 3 meses) e a alternativa C (metformina 500 mg 1x/dia e controle em 6 meses) são incorretas porque iniciam farmacoterapia sem tentativa prévia de intervenção não farmacológica, o que contraria a recomendação de primeira linha para pacientes assintomáticos com HbA1c limítrofe. A alternativa B (glibenclamida 2,5 mg 1x/dia) é duplamente incorreta: além de iniciar medicamento sem a etapa de estilo de vida, a glibenclamida (sulfonilureia) não é a primeira escolha no diabetes tipo 2, sendo reservada para casos específicos, e seu uso em paciente assintomática com HbA1c 6,5% seria inadequado.

A pegadinha central desta questão está na interpretação do valor de HbA1c: o candidato pode ser tentado a iniciar metformina imediatamente, mas a diretriz enfatiza que, em pacientes assintomáticos, a confirmação diagnóstica e a tentativa de controle não farmacológico precedem a medicação. Além disso, a distinção entre 3 e 6 meses para o retorno é um detalhe que a banca explora: o intervalo de 6 meses é o mais aceito para reavaliação após intervenção de estilo de vida, pois permite observar o impacto da perda de peso e da atividade física.

Alternativa A — ❌ Incorreta

Inicia metformina 500 mg 1x/dia sem tentativa prévia de mudança de estilo de vida. Em paciente assintomática com HbA1c 6,5%, a conduta inicial deve ser não farmacológica, com reavaliação em 6 meses. A metformina é indicada quando a meta não é atingida após 3-6 meses de intervenção no estilo de vida ou em casos de maior risco.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Inicia glibenclamida 2,5 mg 1x/dia, o que é inadequado por dois motivos: (1) a farmacoterapia não é a primeira etapa em paciente assintomática; (2) a glibenclamida é uma sulfonilureia, que não é a primeira escolha no diabetes tipo 2 — a metformina é o fármaco inicial preferencial. Além disso, o controle em 3 meses é precoce para avaliar o efeito de mudanças de estilo de vida.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Embora o intervalo de 6 meses esteja correto, o início imediato de metformina 500 mg 1x/dia está errado. A conduta inicial deve ser orientação de estilo de vida, com reavaliação; a metformina só entra se a meta não for atingida ou se houver indicação específica.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Orienta boa gestão do estilo de vida, com redução de peso, e exames de controle em 6 meses. Essa é a conduta recomendada para paciente assintomática com HbA1c 6,5% (diabetes ou pré-diabetes), pois a intervenção não farmacológica é a primeira linha, e o intervalo de 6 meses permite avaliar o impacto das mudanças. A paciente tem IMC 30,1 kg/m² (obesidade grau I), o que reforça a indicação de perda de peso.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Orienta estilo de vida e redução de peso, mas com controle em 3 meses. O intervalo de 3 meses é curto para avaliar o efeito de mudanças de estilo de vida; o recomendado é 6 meses, permitindo tempo para a perda de peso e a adoção de hábitos saudáveis produzirem impacto na HbA1c.

Gabarito: letra D

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