Menino de 5 anos, previamente saudável, é trazido de madrugada à emergência pelos pais. Há 24 horas iniciou quadro de inapetência, cefaleia, vômitos e febre. O quadro foi considerado pelo pediatra como virose. No entanto, o paciente apresentou crise convulsiva generalizada há 1 hora e desde então está sonolento, levantando a suspeita de meningite.Para confirmação desse diagnóstico, as manobras semiológicas a serem realizadas são:
Amanobras de Gowers e Brudizinski;
Bmanobras de Lasègue e Mingazzinni;
Cmanobras de Barré e Kernig;
Dmovimentação ativa da nuca e manobra de Lasègue;
Emovimentação passiva da nuca e manobra de Kernig.
Revelar gabarito e comentário▾
GabaritoE — movimentação passiva da nuca e manobra de Kernig.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Meningite: manobras semiológicas para confirmação diagnóstica
Gabarito: letra E. Na suspeita de meningite, as manobras semiológicas clássicas para avaliar a irritação meníngea são a movimentação passiva da nuca (rigidez de nuca) e a manobra de Kernig — ambas testam a resistência à flexão do pescoço e à extensão da perna, respectivamente, devido ao estiramento das meninges inflamadas. As demais alternativas misturam manobras de outros contextos (Gowers, Lasègue, Mingazzinni, Barré) ou descrevem a movimentação ativa, que não é a técnica semiológica empregada.
A meningite é uma inflamação das leptomeninges, geralmente de origem infecciosa (bacteriana, viral, fúngica ou tuberculosa). O quadro clínico clássico inclui febre, cefaleia, vômitos, rigidez de nuca e alteração do nível de consciência — a tríade febre, rigidez de nuca e alteração do estado mental ocorre em apenas 41% dos casos, mas a rigidez de nuca está presente em até 88% dos pacientes. A síndrome de irritação meníngea é justamente o conjunto de sinais e sintomas que refletem o estiramento das meninges inflamadas, e é avaliada por manobras específicas.
As manobras semiológicas mais tradicionais para detectar a irritação meníngea são:
Rigidez de nuca: avaliada pela movimentação passiva da cabeça do paciente, tentando fletir o pescoço em direção ao tórax. Na presença de meningite, há resistência à flexão passiva, pois o estiramento das meninges inflamadas causa dor e espasmo muscular. É o sinal mais frequente e sensível entre as manobras.
Sinal de Kernig: com o paciente em decúbito dorsal, o examinador flete a coxa sobre a pelve (quadril) e estende passivamente a perna sobre a coxa (joelho). Na meningite, a extensão da perna é dolorosa e encontra resistência, devido ao estiramento das raízes nervosas e das meninges.
Sinal de Brudzinski: com o paciente em decúbito dorsal, o examinador flete passivamente o pescoço do paciente. Na presença de irritação meníngea, ocorre flexão involuntária dos membros inferiores (quadris e joelhos).
É importante destacar que, embora Kernig e Brudzinski sejam manobras clássicas, sua sensibilidade é baixa (podendo ser tão baixa quanto 5%), enquanto a especificidade é alta (até 95%). Portanto, a ausência desses sinais não exclui o diagnóstico de meningite, e a confirmação definitiva é feita pela análise do líquido cefalorraquidiano (LCR) obtido por punção lombar.
A banca explora a confusão entre as manobras de diferentes síndromes neurológicas. Por exemplo, a manobra de Lasègue é clássica para irritação radicular lombar (como na hérnia de disco ou na ciática), não para meningite. A manobra de Gowers é utilizada na avaliação de fraqueza muscular proximal (como na distrofia muscular). A manobra de Mingazzinni é uma variação da manobra de Lasègue. A manobra de Barré avalia fraqueza de membros inferiores (como na síndrome piramidal). A movimentação ativa da nuca não é uma manobra semiológica — o examinador realiza a movimentação passiva para testar a rigidez.
Guarde a distinção central: na suspeita de meningite, as manobras de irritação meníngea são a rigidez de nuca (movimentação passiva) e os sinais de Kernig e Brudzinski. É exatamente essa combinação que a alternativa correta apresenta.
Manobras de irritação meníngea: Rigidez de nuca (Movimentação passiva); Sinal de Kernig (Flexão do quadril + extensão do joelho); Sinal de Brudzinski (Flexão passiva do pescoço → flexão dos MMII); Outras manobras (não meníngeas) (Lasègue / Mingazzinni → raízes lombares, Gowers → fraqueza proximal, Barré → síndrome piramidal)
Alternativa A — ❌ Incorreta
A manobra de Gowers não é uma manobra de irritação meníngea — é utilizada para avaliar fraqueza muscular proximal dos membros inferiores (como na distrofia muscular de Duchenne). A manobra de Brudzinski é correta para meningite, mas a combinação com Gowers torna a alternativa incorreta.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A manobra de Lasègue é clássica para irritação radicular lombar (como na hérnia de disco ou na ciática), não para meningite. A manobra de Mingazzinni é uma variação da manobra de Lasègue, também para avaliação de raízes lombares. Nenhuma das duas é utilizada para avaliar irritação meníngea.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A manobra de Kernig é correta para meningite, mas a manobra de Barré é utilizada para avaliar fraqueza de membros inferiores (como na síndrome piramidal), não para irritação meníngea. A combinação com Barré torna a alternativa incorreta.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A movimentação ativa da nuca não é uma manobra semiológica — o examinador realiza a movimentação passiva para testar a rigidez de nuca. A manobra de Lasègue, como visto, é para irritação radicular lombar, não para meningite.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A movimentação passiva da nuca é a técnica correta para avaliar a rigidez de nuca, um dos sinais mais frequentes de irritação meníngea. A manobra de Kernig é outra manobra clássica de irritação meníngea, testando a extensão passiva da perna sobre a coxa com o quadril fletido. A combinação dessas duas manobras é a mais adequada para a suspeita de meningite.
NÃO CAIA NESSA!
A banca troca as manobras de irritação meníngea (rigidez de nuca, Kernig, Brudzinski) por manobras de outros contextos neurológicos. A manobra de Lasègue é para irritação radicular lombar, a de Gowers para fraqueza muscular proximal, a de Barré para síndrome piramidal. Além disso, a movimentação da nuca deve ser passiva, não ativa — o examinador flete o pescoço do paciente, não pede que ele o faça.
PEGA ESSA DICA!
Para memorizar as manobras de irritação meníngea, lembre-se do mnemônico "K-B-R": Kernig, Brudzinski e Rigidez de nuca. As demais manobras (Lasègue, Gowers, Barré, Mingazzinni) pertencem a outros contextos semiológicos — Lasègue e Mingazzinni para raízes lombares, Gowers para fraqueza proximal, Barré para síndrome piramidal.