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Questão de Medicina — Neurologia — FGV 2024

MedicinaNeurologia
Código
fg080596
Banca
FGV
Órgão
EBSERH
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Ano Adicional - Neurologia
Senhor com 62 anos e sem comorbidades vem à consulta acompanhado por sua esposa, que refere notar, há mais de seis meses, que ele está mais parado, andando com dificuldade. Diz que pela manhã ela precisa ajudá-lo a se levantar da cama. Há 3 meses surgiu discreto tremor na mão direita, que ela observa mais quando estão sentados vendo a novela. O neurologista examina o paciente e observa rigidez maior à direita, tremor de repouso intermitente na mão direita e bradicinesia. Prescreve então uma medicação de uso contínuo. O paciente retorna à consulta após 4 meses relatando melhora da mobilidade. Quando questionado sobre atividades que realiza no cotidiano, relata estar apresentando compulsão por jogos, o que não apresentava anteriormente.A medicação relacionada a esse quadro é:
  1. Alevodopa;
  2. Bpramipexol;
  3. Cmantidam;
  4. Drasagilina;
  5. Ebiperideno.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — pramipexol;

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Doença de Parkinson: tratamento e efeitos colaterais dos agonistas dopaminérgicos

Gabarito: letra B. O quadro clínico é de doença de Parkinson (bradicinesia, rigidez, tremor de repouso unilateral) e a compulsão por jogos é um efeito colateral clássico dos agonistas dopaminérgicos, como o pramipexol. A levodopa (letra A) é o tratamento mais eficaz, mas a compulsão por jogos é muito mais característica dos agonistas dopaminérgicos, que são a segunda linha de tratamento e têm esse efeito colateral bem documentado.

A doença de Parkinson é uma doença neurodegenerativa progressiva que afeta principalmente os neurônios dopaminérgicos da substância negra, levando à diminuição da dopamina no estriado. Isso resulta nos sintomas motores clássicos: bradicinesia (lentidão dos movimentos), rigidez muscular (resistência passiva ao movimento, muitas vezes em "roda denteada"), tremor de repouso (geralmente unilateral, distal, de 3 a 6 Hz) e instabilidade postural (em fases mais avançadas). O diagnóstico é clínico, baseado na presença desses sintomas, e a boa resposta à levodopa é um dos critérios de suporte.

O tratamento visa repor a dopamina ou estimular seus receptores. A levodopa é o precursor da dopamina e o medicamento mais eficaz, mas seu uso prolongado está associado a complicações motoras (discinesias e flutuações). Os agonistas dopaminérgicos (pramipexol, ropinirol) estimulam diretamente os receptores de dopamina e são usados como monoterapia inicial em pacientes jovens ou como adjuvantes à levodopa. Eles têm menor eficácia motora que a levodopa, mas estão associados a um risco maior de efeitos colaterais comportamentais, como transtornos do controle dos impulsos (compulsão por jogos, compras, alimentação e hipersexualidade). Esses efeitos são mais comuns com agonistas do que com levodopa, e a compulsão por jogos é um exemplo típico.

A rasagilina (letra D) é um inibidor da MAO-B, que bloqueia a degradação da dopamina, e tem efeito sintomático leve. O biperideno (letra E) é um anticolinérgico, usado principalmente para o tremor em pacientes jovens, mas tem eficácia limitada e muitos efeitos colaterais. A amantadina (letra C, escrita como "mantidam" na questão) é um antiviral com efeito antiparkinsoniano, usado principalmente para discinesias induzidas por levodopa. Nenhum desses tem a compulsão por jogos como efeito colateral tão característico quanto os agonistas dopaminérgicos.

A pegadinha da questão está em associar a melhora da mobilidade com a levodopa, que é o tratamento mais conhecido, mas o efeito colateral descrito (compulsão por jogos) é a chave para identificar o agonista dopaminérgico. A banca explora o conhecimento de que a levodopa é o tratamento padrão, mas o efeito colateral comportamental é muito mais específico dos agonistas.

Tratamento da doença de Parkinson
  • 1Levodopa
    • Mais eficaz
    • Complicações motoras (discinesias)
  • 2Agonistas dopaminérgicos (pramipexol, ropinirol)
    • 2ª linha / adjuvante
    • Transtornos do controle dos impulsos
      • compulsão por jogos
  • 3Inibidores da MAO-B (rasagilina)
    • Efeito sintomático leve
  • 4Anticolinérgicos (biperideno)
    • Tremor em jovens
  • 5Amantadina
    • Discinesias por levodopa
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Alternativa A — ❌ Incorreta

A levodopa é o tratamento mais eficaz para a doença de Parkinson e melhora a mobilidade, mas a compulsão por jogos é um efeito colateral muito mais característico dos agonistas dopaminérgicos. Embora a levodopa possa causar transtornos do controle dos impulsos em alguns pacientes, a associação é muito mais forte e clássica com o pramipexol e outros agonistas. A questão descreve um efeito colateral típico de agonistas, não de levodopa.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

O pramipexol é um agonista dopaminérgico, usado no tratamento da doença de Parkinson. Ele melhora os sintomas motores (como a mobilidade), mas tem como efeito colateral bem documentado os transtornos do controle dos impulsos, incluindo a compulsão por jogos. O quadro clínico do paciente (melhora da mobilidade + compulsão por jogos) é exatamente o esperado com o uso de pramipexol.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A amantadina (escrita como "mantidam" na questão) é um antiviral com efeito antiparkinsoniano, usado principalmente para o tratamento de discinesias induzidas por levodopa. Não é um tratamento de primeira linha para os sintomas motores e não tem a compulsão por jogos como efeito colateral característico.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A rasagilina é um inibidor da MAO-B, que aumenta a disponibilidade de dopamina no cérebro. Tem efeito sintomático leve e é usada como monoterapia inicial ou adjuvante. Não está associada à compulsão por jogos de forma característica.

Alternativa E — ❌ Incorreta

O biperideno é um anticolinérgico, usado principalmente para o tremor em pacientes jovens com doença de Parkinson. Tem eficácia limitada e muitos efeitos colaterais (boca seca, constipação, confusão), mas não causa compulsão por jogos.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a associação automática entre doença de Parkinson e levodopa, que é o tratamento mais conhecido. Mas o efeito colateral descrito (compulsão por jogos) é a pista para o agonista dopaminérgico. Lembre-se: transtornos do controle dos impulsos são muito mais característicos de pramipexol e ropinirol do que de levodopa.

PEGA ESSA DICA!

Na prova, quando a questão descreve um efeito colateral comportamental (compulsão, hipersexualidade, compras compulsivas) em paciente com Parkinson, pense imediatamente em agonistas dopaminérgicos. Essa é uma associação clássica e muito cobrada.

Gabarito: letra B

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