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Questão de Medicina — Neurologia — FGV 2024

MedicinaNeurologia
Código
fg080605
Banca
FGV
Órgão
EBSERH
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Ano Adicional - Neurologia
Mulher de 40 anos é internada com cefaleia intensa e rigidez de nuca. A pressão do liquor é de 240 cm de água e o exame do LCR identifica 180 células/mm³ (90% de linfócitos e 10% de monócitos) e 80 mg/dl de proteínas com glicorraquia normal. A família informa que a paciente tem ótima saúde, porém nos últimos 10 anos esta é a quarta internação com sintomas semelhantes. Somente agora o vírus relacionado a essa síndrome meníngea recorrente foi identificado no LCR por PCR, firmando o diagnóstico final de meningite:
  1. Ana doença de Behçet;
  2. Bde tipo Mollaret, por reativação do herpes vírus tipo 2;
  3. Caguda linfocítica na síndrome de Vogt-Koyanagi-Harada;
  4. Dno lúpus eritematoso sistêmico;
  5. Ena neoplasia.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — de tipo Mollaret, por reativação do herpes vírus tipo 2;

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Meningite de Mollaret: diagnóstico e etiologia

Gabarito: letra B. O quadro descrito — meningite linfocítica recorrente (quarta internação em 10 anos), com glicorraquia normal e identificação do vírus por PCR no LCR — é a clássica meningite de Mollaret, causada pela reativação do herpes vírus tipo 2 (HSV-2). A recorrência é a chave diagnóstica: nenhuma das outras alternativas (Behçet, Vogt-Koyanagi-Harada, lúpus ou neoplasia) explica a combinação de pleocitose linfocítica com glicose normal e PCR viral positivo.

A meningite de Mollaret é uma forma de meningite asséptica recorrente, caracterizada por episódios agudos de cefaleia, febre e rigidez de nuca que se repetem ao longo de anos. O agente etiológico mais frequentemente implicado é o HSV-2, que permanece latente nos gânglios sensitivos e se reativa periodicamente, causando inflamação meníngea. O diagnóstico é confirmado pela PCR para HSV no líquido cefalorraquidiano, que detecta o DNA viral durante os episódios agudos.

O padrão liquórico é típico: pleocitose linfocítica (predomínio de linfócitos), proteínas discretamente elevadas e glicose normal — exatamente o que a paciente apresenta (180 células/mm³ com 90% de linfócitos, 80 mg/dl de proteínas e glicorraquia normal). Esse perfil contrasta com a meningite bacteriana, que cursa com neutrofilia, hipoglicorraquia e proteínas muito elevadas, e com a meningite tuberculosa, que também apresenta hipoglicorraquia.

A pressão de abertura de 240 cm de água está discretamente elevada (normal: 10–20 cmH₂O), o que é compatível com o processo inflamatório meníngeo. A recorrência dos episódios é o dado que mais direciona o diagnóstico: enquanto meningites bacterianas ou virais comuns são eventos únicos, a meningite de Mollaret é definida justamente pela recorrência associada à reativação viral.

A distinção crucial para a prova é: meningite linfocítica recorrente + glicose normal + PCR para HSV-2 positivo = meningite de Mollaret. As demais alternativas apresentam causas de meningite asséptica que podem ser linfocíticas, mas não se encaixam no quadro recorrente com PCR viral positivo. A banca explora exatamente essa associação — o aluno que não conhece a síndrome de Mollaret tende a escolher uma das causas inflamatórias ou neoplásicas, que não explicam a recorrência com identificação viral.

NÃO CAIA NESSA!

A banca oferece causas de meningite asséptica (Behçet, Vogt-Koyanagi-Harada, lúpus, neoplasia) que também podem cursar com pleocitose linfocítica, mas nenhuma delas apresenta PCR viral positivo no LCR. O candidato que se fixa apenas no padrão linfocítico e esquece a recorrência e o PCR acaba escolhendo uma alternativa errada. A palavra-chave é "vírus identificado por PCR" — isso só é compatível com etiologia viral, e a recorrência aponta para o HSV-2.

1Etiologia
Reativação do HSV-2
Latência em gânglios sensitivos
2Quadro clínico
Episódios recorrentes
Cefaleia, febre, rigidez de nuca
3Líquor
Pleocitose linfocítica
Proteínas elevadas
Glicose normal
4Diagnóstico
PCR para HSV no LCR
Meningite de Mollaret
LEVELsoulevel.com.br
Meningite de Mollaret: Etiologia (Reativação do HSV-2, Latência em gânglios sensitivos); Quadro clínico (Episódios recorrentes, Cefaleia, febre, rigidez de nuca); Líquor (Pleocitose linfocítica, Proteínas elevadas, Glicose normal); Diagnóstico (PCR para HSV no LCR)

Alternativa A — ❌ Incorreta

A doença de Behçet pode causar meningite asséptica, mas é uma vasculite sistêmica que cursa com úlceras orais e genitais recorrentes, uveíte e lesões cutâneas — nenhum desses achados está presente no caso. Além disso, o PCR para vírus seria negativo, pois a etiologia não é infecciosa. A recorrência da meningite na Behçet não é explicada por reativação viral, e o diagnóstico seria feito por critérios clínicos, não por PCR.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A meningite de Mollaret é a forma recorrente de meningite asséptica mais associada ao HSV-2. O quadro clássico inclui episódios repetidos de cefaleia, febre e rigidez de nuca, com LCR mostrando pleocitose linfocítica, proteínas elevadas e glicose normal. A identificação do vírus por PCR no LCR confirma o diagnóstico. A recorrência em 10 anos (quarta internação) é o dado que fecha o caso.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A síndrome de Vogt-Koyanagi-Harada (VKH) é uma doença autoimune que afeta olhos, pele e sistema nervoso, cursando com uveíte, alopecia, vitiligo e meningite linfocítica. Porém, é uma condição crônica e não recorrente no padrão descrito, e o PCR viral seria negativo. O quadro ocular e cutâneo característico não está presente no caso.

Alternativa D — ❌ Incorreta

O lúpus eritematoso sistêmico (LES) pode causar meningite asséptica ou vasculite do SNC, mas o padrão é de doença autoimune sistêmica, com outros critérios diagnósticos (artrite, rash, nefrite, anticorpos). A recorrência de meningite isolada por 10 anos sem outras manifestações lúpicas é improvável, e o PCR viral seria negativo. A glicorraquia normal e a identificação viral por PCR afastam o LES.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A meningite neoplásica (carcinomatose meníngea) cursa com pleocitose, mas geralmente com hipoglicorraquia e proteínas muito elevadas, além de sintomas neurológicos focais e história de neoplasia primária. A recorrência por 10 anos sem progressão tumoral e com PCR viral positivo não é compatível. O diagnóstico seria feito por citologia oncótica do LCR, não por PCR viral.

Gabarito: letra B — meningite de Mollaret por reativação do HSV-2, confirmada pelo padrão liquórico linfocítico com glicose normal e PCR viral positivo.

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