Pular para o conteúdo principal

Questão de Patologia — Bases Etiológicas de condição clínica — FGV 2024

PatologiaBases Etiológicas de condição clínica
Código
fg081664
Banca
FGV
Órgão
EBSERH
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Residência Multi e Uniprofissional - Biomedicina
Devido à doença de Pompe, o acúmulo anormal de glicogênio nos lisossomos celulares interfere com a função celular normal, especialmente nos músculos esqueléticos e cardíacos, resultando em sintomas graves como fraqueza muscular e disfunção cardíaca. O entendimento da estrutura e do metabolismo dos carboidratos é fundamental para compreender os mecanismos subjacentes à patologia da doença de Pompe.O glicogênio é uma molécula
  1. Aaltamente ramificada, formada por unidades glicídicas de sacarose.
  2. Bcujas ligações glicosídicas formam grupos cetais entre os resíduos.
  3. Ccujas ligações glicosídicas formam grupos hemicetais entre os resíduos.
  4. Diniciada a partir de uma proteína, a qual permanece ligada ao polímero.
  5. Eproduzida exclusivamente no músculo, devido ao uso energético.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — iniciada a partir de uma proteína, a qual permanece ligada ao polímero.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Glicogênio: estrutura e metabolismo na doença de Pompe

Gabarito: letra D. O glicogênio é um polímero de glicose que tem sua síntese iniciada a partir de uma proteína — a glicogenina — que permanece covalentemente ligada à extremidade redutora do polímero. Essa característica estrutural é essencial para entender a doença de Pompe, uma glicogenose lisossômica causada pela deficiência da enzima α-glicosidase ácida (maltase ácida), que degrada o glicogênio dentro dos lisossomos. As demais alternativas erram ao atribuir ao glicogênio unidades de sacarose, ligações cetais ou hemicetais entre resíduos, ou produção exclusivamente muscular.

O glicogênio é o principal polissacarídeo de reserva energética animal, análogo ao amido nos vegetais. Sua estrutura é altamente ramificada: cadeias lineares de resíduos de glicose unidos por ligações glicosídicas α-1,4, com ramificações a cada 8 a 12 resíduos, formadas por ligações α-1,6. Essa arquitetura ramificada aumenta a solubilidade e cria múltiplas extremidades não redutoras, que são os sítios de ação das enzimas de síntese e degradação — a glicogênio fosforilase e a glicogênio sintase. A ramificação é, portanto, uma adaptação funcional que permite mobilização rápida de glicose, especialmente no músculo esquelético durante o exercício e no fígado para manutenção da glicemia.

A síntese do glicogênio começa com a ação da glicogenina, uma proteína que atua como primer ou iniciador. A glicogenina se autoglicosila, adicionando os primeiros resíduos de glicose a um resíduo de tirosina específico, e depois a glicogênio sintase estende as cadeias. A glicogenina permanece ligada ao polímero, formando uma ligação covalente do tipo O-glicosídica entre a glicose e o grupo hidroxila da tirosina. Essa proteína é, portanto, parte integrante da molécula de glicogênio, e não apenas um catalisador transitório. Essa característica distingue o glicogênio de outros polissacarídeos e é o ponto central da alternativa correta.

Na doença de Pompe, a deficiência da α-glicosidase ácida lisossômica impede a degradação do glicogênio dentro dos lisossomos, levando ao acúmulo progressivo do polímero, especialmente em músculos esqueléticos e cardíacos. O acúmulo lisossômico interfere com a função celular, causando fraqueza muscular, cardiomiopatia e, nas formas infantis, óbito precoce. O entendimento da estrutura do glicogênio — incluindo a presença da glicogenina — é fundamental para compreender como o acúmulo ocorre e por que afeta preferencialmente tecidos com alta demanda energética.

A banca explora aqui a confusão entre os tipos de ligação glicosídica e a natureza do iniciador da síntese. As alternativas B e C tentam confundir com a química dos carboidratos redutores: a glicose em solução forma estruturas cíclicas hemiacetálicas, e a ligação entre dois monossacarídeos forma um acetal (ou cetal, quando envolve uma cetose). No glicogênio, as ligações entre os resíduos de glicose são do tipo acetal, não cetal nem hemicetal — o hemiacetal é a forma cíclica do monossacarídeo livre, não a ligação entre eles. A alternativa A erra ao dizer que as unidades são de sacarose, que é um dissacarídeo formado por glicose e frutose, e não o monômero do glicogênio. A alternativa E erra ao restringir a produção ao músculo, pois o glicogênio é sintetizado principalmente no fígado e no músculo, mas também em outros tecidos, como o cérebro e o coração.

Guarde a distinção entre o monômero (glicose), o tipo de ligação (α-1,4 e α-1,6, que são acetais) e o iniciador proteico (glicogenina): é exatamente nesses três pontos que as alternativas se dividem.

1Monômero
Glicose (homopolissacarídeo)
2Ligações
α-1,4 (cadeias lineares)
α-1,6 (ramificações)
Tipo acetal
3Síntese
Glicogenina (primer proteico)
Permanece ligada ao polímero
Glicogênio sintase (estende cadeias)
4Locais de produção
Fígado
Músculo
Outros tecidos
Glicogênio
LEVELsoulevel.com.br
Glicogênio: Monômero (Glicose (homopolissacarídeo)); Ligações (α-1,4 (cadeias lineares), α-1,6 (ramificações), Tipo acetal); Síntese (Glicogenina (primer proteico), Permanece ligada ao polímero, Glicogênio sintase (estende cadeias)); Locais de produção (Fígado, Músculo, Outros tecidos)

Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que o glicogênio é formado por unidades de sacarose. A sacarose é um dissacarídeo composto por glicose e frutose, e não é o monômero do glicogênio. O glicogênio é um homopolissacarídeo formado exclusivamente por unidades de glicose. A alternativa confunde o dissacarídeo com o monossacarídeo constituinte do polímero.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Afirma que as ligações glicosídicas formam grupos cetais entre os resíduos. As ligações entre os resíduos de glicose no glicogênio são do tipo acetal, formadas entre o carbono anomérico de uma glicose e um grupo hidroxila da glicose adjacente. Grupos cetais são formados quando uma cetose (como a frutose) participa da ligação, o que não ocorre no glicogênio. A alternativa confunde o tipo de ligação glicosídica.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Afirma que as ligações glicosídicas formam grupos hemicetais entre os resíduos. O hemiacetal (ou hemicetal) é a forma cíclica do monossacarídeo livre, não a ligação entre dois resíduos. Quando dois monossacarídeos se ligam, forma-se um acetal (ou cetal), não um hemiacetal. A alternativa confunde a estrutura cíclica do monômero com a ligação glicosídica.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

O glicogênio é iniciado a partir da proteína glicogenina, que permanece covalentemente ligada ao polímero. A glicogenina atua como primer, adicionando os primeiros resíduos de glicose a um resíduo de tirosina, e a glicogênio sintase estende a cadeia. Essa proteína é parte integrante da molécula de glicogênio, característica que a alternativa corretamente descreve.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Afirma que o glicogênio é produzido exclusivamente no músculo. O glicogênio é sintetizado principalmente no fígado e no músculo esquelético, mas também em outros tecidos, como coração, cérebro e tecido adiposo. A alternativa restringe indevidamente a produção ao músculo, ignorando o papel hepático na manutenção da glicemia.

A regra de ouro para questões sobre glicogênio: monômero é glicose, ligações são α-1,4 e α-1,6 (acetais), e a síntese é iniciada pela glicogenina, que permanece ligada ao polímero. Com esses três pontos fixados, você elimina as alternativas com segurança.

Gabarito: letra D

Link permanente: /questoes/fg081664