Questão de Medicina — Farmacologia e Anestesiologia — FGV 2024
Medicina›Farmacologia e Anestesiologia
Código
fg081672
Banca
FGV
Órgão
EBSERH
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Residência Multi e Uniprofissional - Biomedicina
F.S.C., 42 anos, hipertensa, diabética e obesa, dá entrada na emergência com quadro de dor torácica típica, de início há 30 minutos.O ECG mostra supradesnivelamento de ST em parede anterior com presença de extrassístoles ventriculares frequentes. Sinais vitais: PA: 170 x 95mmHg; FC: 100bpm; frequência respiratória: 16irpm; saturação de O2: 97%.Ainda no setor de emergência, foram administrados 200mg de AAS, 300mg de Clopidogrel, Metoprolol e iniciada infusão de Nitroglicerina EV, embora não haja serviço de hemodinâmica no hospital. A paciente evolui com melhora dos sintomas. O ECG se mostra sem alterações, com desaparecimento das extrassístoles ventriculares.Sobre o caso apresentado, assinale a afirmativa correta.
AOs betabloqueadores reduzem a ativação do nó sinoatrial e a condução do nó AV, agindo como antiarrítmicos.
BOs nitratos têm como principais efeitos adversos hipertensão, bradicardia e tonteiras.
COs betabloqueadores são importantes fármacos na angina por atuarem em receptores Beta 2 no coração.
DOs nitratos levam ao aumento da pré-carga e da pós-carga, reduzindo a demanda de oxigênio pelo coração.
EOs nitratos determinam vasodilatação das coronárias, dificultando a perfusão miocárdica.
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GabaritoA — Os betabloqueadores reduzem a ativação do nó sinoatrial e a condução do nó AV, agindo como antiarrítmicos.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Farmacologia cardiovascular: betabloqueadores e nitratos na síndrome coronariana aguda
Gabarito: letra A. Os betabloqueadores, como o metoprolol, exercem efeito antiarrítmico ao reduzir a atividade do nó sinoatrial (marca-passo fisiológico) e a velocidade de condução pelo nó atrioventricular (AV), o que explica o desaparecimento das extrassístoles ventriculares no caso. Essa é a base farmacológica da afirmativa correta, que contrasta com os erros conceituais das demais alternativas sobre os efeitos dos nitratos e a seletividade dos betabloqueadores.
O caso descreve uma síndrome coronariana aguda com supradesnivelamento de ST (IAMCST) em paciente com múltiplos fatores de risco, tratada com dupla antiagregação, betabloqueador e nitrato endovenoso. A melhora clínica e eletrocardiográfica, com desaparecimento das extrassístoles, ilustra o efeito antiarrítmico dos betabloqueadores. Para entender a questão, é preciso dominar a farmacologia dessas duas classes de fármacos.
Os betabloqueadores atuam como antagonistas competitivos dos receptores beta-adrenérgicos. No coração, predominam os receptores beta-1, cuja estimulação pelas catecolaminas (adrenalina e noradrenalina) aumenta a frequência cardíaca (cronotropismo positivo), a velocidade de condução (dromotropismo positivo), a contratilidade (inotropismo positivo) e a excitabilidade (batropsismo positivo). Ao bloquear esses receptores, os betabloqueadores reduzem a atividade do nó sinoatrial (diminuindo a frequência cardíaca), retardam a condução pelo nó AV e reduzem a contratilidade. Esses efeitos diminuem o consumo de oxigênio pelo miocárdio — mecanismo central no tratamento da angina — e conferem ação antiarrítmica, especialmente útil em arritmias ventriculares e supraventriculares, como as extrassístoles ventriculares frequentes do caso. O metoprolol é um betabloqueador beta-1 seletivo, o que reduz o risco de broncoespasmo em pacientes com doença pulmonar obstrutiva crônica, mas em doses elevadas perde essa seletividade.
Os nitratos, por sua vez, são vasodilatadores que atuam liberando óxido nítrico (NO) na musculatura lisa vascular, ativando a guanilato ciclase e aumentando o GMPc, o que leva ao relaxamento vascular. Seus principais efeitos são:
Vasodilatação venosa: aumenta a capacitância venosa, reduz o retorno venoso ao coração e, consequentemente, a pré-carga.
Vasodilatação arterial (em doses maiores): reduz a resistência vascular periférica e a pós-carga.
Vasodilatação coronariana: aumenta o fluxo sanguíneo para o miocárdio, melhorando a perfusão, especialmente em áreas isquêmicas.
Ao reduzir a pré-carga e a pós-carga, os nitratos diminuem a tensão parietal do ventrículo esquerdo e, portanto, a demanda miocárdica de oxigênio. Seus principais efeitos adversos decorrem da vasodilatação excessiva: hipotensão, cefaleia (por vasodilatação meníngea), taquicardia reflexa (por ativação simpática), rubor facial e tonteiras. A bradicardia não é um efeito típico; ao contrário, a taquicardia reflexa é mais comum.
A distinção central entre as duas classes é: os betabloqueadores reduzem a demanda de oxigênio (diminuindo FC, contratilidade e PA) e têm ação antiarrítmica; os nitratos reduzem a demanda (diminuindo pré e pós-carga) e aumentam a oferta (vasodilatação coronariana). A alternativa correta explora exatamente o efeito antiarrítmico dos betabloqueadores, enquanto as incorretas invertem ou distorcem esses mecanismos.
Guarde a fronteira entre os efeitos farmacológicos de cada classe: é nela que as alternativas se dividem. A banca explora a confusão entre os efeitos dos nitratos (hipotensão, não hipertensão) e a seletividade dos betabloqueadores (beta-1, não beta-2).
Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A afirmativa descreve com precisão o mecanismo de ação dos betabloqueadores: eles reduzem a ativação do nó sinoatrial (diminuindo a frequência cardíaca) e a condução do nó AV (retardando a passagem do impulso elétrico dos átrios para os ventrículos). Esses efeitos conferem ação antiarrítmica, explicando o desaparecimento das extrassístoles ventriculares no caso. O metoprolol, betabloqueador beta-1 seletivo, é amplamente utilizado na síndrome coronariana aguda justamente por esses efeitos, que reduzem o consumo miocárdico de oxigênio e controlam arritmias.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A afirmativa inverte os efeitos adversos dos nitratos. Os nitratos são vasodilatadores e, portanto, causam hipotensão, não hipertensão. A bradicardia também não é um efeito típico; o mais comum é a taquicardia reflexa (aumento da FC) em resposta à queda da pressão arterial. As tonteiras podem ocorrer, mas por hipotensão ortostática, não como efeito isolado. Os efeitos adversos clássicos dos nitratos são: cefaleia, hipotensão, taquicardia reflexa, rubor facial e tonteiras.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A afirmativa erra ao afirmar que os betabloqueadores atuam em receptores beta-2 no coração. No coração, os receptores predominantes são os beta-1, responsáveis pelos efeitos cronotrópicos, dromotrópicos e inotrópicos positivos. Os receptores beta-2 estão localizados principalmente na musculatura lisa brônquica e vascular, onde sua estimulação causa broncodilatação e vasodilatação. O bloqueio beta-2 está associado a efeitos adversos como broncoespasmo, o que justifica a preferência por betabloqueadores beta-1 seletivos (metoprolol, atenolol, bisoprolol) em pacientes com doença pulmonar obstrutiva crônica.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A afirmativa inverte o efeito dos nitratos sobre a pré-carga e a pós-carga. Os nitratos reduzem a pré-carga (por vasodilatação venosa, diminuindo o retorno venoso) e reduzem a pós-carga (por vasodilatação arterial, diminuindo a resistência vascular periférica). Essa redução diminui a tensão parietal do ventrículo esquerdo e, consequentemente, a demanda miocárdica de oxigênio. A afirmativa diz que os nitratos aumentam a pré-carga e a pós-carga, o que é exatamente o oposto do mecanismo real.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A afirmativa erra ao afirmar que os nitratos dificultam a perfusão miocárdica. Os nitratos causam vasodilatação coronariana, o que aumenta o fluxo sanguíneo para o miocárdio, melhorando a perfusão, especialmente em áreas isquêmicas. Esse efeito, combinado com a redução da demanda de oxigênio, é um dos pilares do tratamento da angina. A afirmativa inverte completamente o efeito benéfico dos nitratos sobre a circulação coronariana.
NÃO CAIA NESSA!
A banca adora inverter os efeitos farmacológicos para confundir. Aqui, ela troca a hipotensão dos nitratos por hipertensão (alternativa B), inverte o efeito sobre pré-carga e pós-carga (alternativa D) e afirma que a vasodilatação coronariana dificulta a perfusão (alternativa E). Além disso, troca o receptor beta-1 (cardíaco) pelo beta-2 (brônquico) na alternativa C. Com treino, você enxerga essas inversões de longe 💪
PEGA ESSA DICA!
Para questões de farmacologia cardiovascular, monte uma tabela mental comparando os efeitos de cada classe: