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Questão de Medicina — Envenenamentos e Acidentes — FGV 2024

MedicinaEnvenenamentos e Acidentes
Código
fg081734
Banca
FGV
Órgão
EBSERH
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Residência Multi e Uniprofissional - Ciências Biológicas
Devido à rica biodiversidade e ao clima tropical, o Brasil abriga uma grande variedade de animais peçonhentos, cujas picadas ou mordidas podem resultar em graves consequências para a saúde humana. Portanto, a identificação correta do animal peçonhento se faz necessária para o atendimento adequado à vítima.Liz deu entrada no hospital da região metropolitana do Mato Grosso após ter sido atacada por um animal com as seguintes características: presença de quatro pares de patas, cefalotórax, pré-abdômen e pós-abdômen.Assinale a opção que indica a droga a ser administrada.
  1. ASoro Anticrotálico.
  2. BSoro Antiepiládico.
  3. CSoro Antilonômico.
  4. DSoro Antibotrópico.
  5. ESoro Antiescorpiônico.
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GabaritoE — Soro Antiescorpiônico.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Acidentes por animais peçonhentos: identificação e soroterapia

Gabarito: letra E. O animal descrito — quatro pares de patas, cefalotórax, pré-abdômen e pós-abdômen — é um escorpião, e o tratamento específico é o Soro Antiescorpiônico. A morfologia citada é típica da ordem Scorpiones (aracnídeos), e não de serpentes, aranhas ou lagartas, o que direciona a escolha do antiveneno.

Os acidentes por animais peçonhentos são um importante problema de saúde pública no Brasil, sendo a segunda causa de envenenamento humano, atrás apenas da intoxicação por medicamentos. A identificação correta do animal é crucial, pois cada grupo possui venenos com mecanismos de ação distintos e, consequentemente, soros específicos. No caso dos escorpiões, o veneno tem ação neurotóxica, podendo causar desde dor local até manifestações sistêmicas graves, como arritmias e edema pulmonar, especialmente em crianças.

A descrição anatômica fornecida — quatro pares de patas, cefalotórax, pré-abdômen e pós-abdômen — é a chave da questão. Essas características são exclusivas dos aracnídeos, e a divisão do abdome em duas regiões (pré e pós) é típica dos escorpiões. As aranhas, embora também tenham quatro pares de patas e cefalotórax, não apresentam essa divisão abdominal. Já as serpentes não possuem patas, e as lagartas (responsáveis pelo acidente lonomico) têm corpo segmentado, mas sem essas estruturas.

A soroterapia é o tratamento específico para os acidentes por animais peçonhentos. Cada soro é produzido a partir do veneno do próprio animal, neutralizando as toxinas específicas. Por isso, a escolha do soro depende da identificação do agente causal. No caso de escorpiões, o soro indicado é o Soro Antiescorpiônico, que neutraliza as toxinas do veneno escorpiônico.

A banca explora a confusão entre os diferentes soros antivenenos, especialmente entre os ofídicos (antibotrópico, anticrotálico, antielapídico, antilaquético) e os demais (antiescorpiônico, antilonômico, antiaracnídico). A descrição morfológica é o discriminador: se o animal tem patas e abdome dividido, é escorpião; se é uma serpente, a descrição seria outra (sem patas, com escamas, etc.).

Alternativa A — ❌ Incorreta

O Soro Anticrotálico é indicado para acidentes com serpentes do gênero Crotalus (cascavel). A cascavel é uma serpente, não possui patas nem cefalotórax, e seu veneno tem ação neurotóxica e miotóxica. A descrição do enunciado não corresponde a uma serpente, portanto este soro não é o indicado.

Alternativa B — ❌ Incorreta

O Soro Antielapídico é utilizado para acidentes com serpentes do gênero Micrurus (coral-verdadeira), da família Elapidae. Assim como a cascavel, a coral é uma serpente, sem patas e sem as demais características citadas. A descrição morfológica exclui qualquer serpente.

Alternativa C — ❌ Incorreta

O Soro Antilonômico é indicado para acidentes com lagartas do gênero Lonomia (taturana). As lagartas são larvas de mariposas, com corpo segmentado e cerdas urticantes, mas não possuem quatro pares de patas articuladas nem cefalotórax. O acidente lonomico causa síndrome hemorrágica, diferente do quadro escorpiônico.

Alternativa D — ❌ Incorreta

O Soro Antibotrópico é o mais utilizado no Brasil, indicado para acidentes com serpentes do gênero Bothrops (jararaca e outras). As jararacas são serpentes, sem patas, e seu veneno tem ação proteolítica, coagulante e hemorrágica. A descrição do animal não corresponde a uma serpente.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

O Soro Antiescorpiônico é o tratamento específico para acidentes com escorpiões. A descrição — quatro pares de patas, cefalotórax, pré-abdômen e pós-abdômen — é exatamente a morfologia de um escorpião (ordem Scorpiones, classe Arachnida). O veneno escorpiônico tem ação neurotóxica, e o soro neutraliza essas toxinas, sendo a conduta correta neste caso.

NÃO CAIA NESSA!

A banca troca o animal: descreve um escorpião, mas oferece soros ofídicos (antibotrópico, anticrotálico, antielapídico) como distratores. O candidato que não associa a morfologia ao grupo animal erra. Lembre-se: escorpião tem 4 pares de patas e abdome dividido em pré e pós; serpente não tem patas; aranha tem 4 pares de patas, mas abdome único; lagarta tem corpo segmentado e cerdas.

Gabarito: letra E

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