Questão de Medicina — Aspectos de Ética na Pesquisa, Ética Médica e Perícia Médica — FGV 2024
Medicina›Aspectos de Ética na Pesquisa, Ética Médica e Perícia Médica
Código
fg081740
Banca
FGV
Órgão
EBSERH
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Residência Multi e Uniprofissional - Ciências Biológicas
Durante a defesa de seu doutoramento, Marinho foi inquirido sobre as suas perspectivas futuras em relação ao seu tópico de trabalho.Após dois anos de sua defesa, o agora doutor foi surpreendido com a publicação de um artigo científico que investigava uma das ideias apresentadas em sua tese como uma perspectiva futura, por um dos membros da sua banca de doutoramento e agora colega de trabalho.É correto afirmar que, seguindo os pressupostos da ética profissional, o membro da banca deveria
Asolicitar fomento de pesquisa à Marinho.
Bconsultar Marinho para participar do trabalho.
Cincluir o nome de Marinho na sessão de agradecimentos da publicação.
Dincluir o nome de Marinho na sua publicação, mesmo não o consultando.
Einformar Marinho das suas intenções, mas não o convidar para integrar a publicação.
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GabaritoB — consultar Marinho para participar do trabalho.
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Ética na pesquisa: uso de ideias de tese por membro da banca
Gabarito: letra B. O membro da banca de doutoramento que pretende desenvolver uma ideia apresentada como perspectiva futura na tese de Marinho deve, por imperativo ético, consultar Marinho para participar do trabalho — ou seja, convidá-lo a integrar a publicação. A conduta ética na pesquisa exige reconhecimento da autoria intelectual e consentimento do autor original, princípio que decorre da honestidade e integridade científica, valores centrais da ética médica e da pesquisa (Código de Ética Médica, princípios fundamentais).
A situação narrada envolve um conflito ético clássico: o uso, por terceiro, de ideias originalmente apresentadas em uma tese, sem o devido crédito ou autorização. A tese de doutorado é uma obra intelectual protegida, e as "perspectivas futuras" nela indicadas são parte do trabalho do autor. Quando um membro da banca — que teve acesso privilegiado à tese durante a defesa — decide explorar essas ideias, ele deve, no mínimo, reconhecer a contribuição de Marinho e buscar sua participação. Isso não é mera cortesia: é uma obrigação ética que visa evitar a apropriação indevida de propriedade intelectual e garantir a justa atribuição de autoria.
A ética na pesquisa científica, no Brasil, é regulada por normas como a Resolução CNS 466/2012 (que trata de pesquisas envolvendo seres humanos) e o Código de Ética Médica, que estabelece princípios de honestidade, integridade e respeito à produção intelectual. O plágio e a apropriação indevida de ideias são considerados faltas éticas graves, podendo configurar violação de direitos autorais. No caso, a conduta correta do membro da banca é consultar Marinho e convidá-lo a participar do trabalho, reconhecendo sua contribuição intelectual. Isso pode envolver incluí-lo como coautor, se a contribuição for substancial, ou ao menos obter sua autorização e dar os devidos créditos.
A alternativa B é a única que reflete plenamente esse dever ético. As demais alternativas ou são insuficientes (como apenas informar, sem convidar), ou inadequadas (como incluir o nome sem consultar, ou apenas agradecer), ou até mesmo invertem a relação (como solicitar fomento a Marinho). A banca explora a confusão entre "informar" e "consultar", e entre "incluir o nome" e "convidar para participar". O critério decisivo é: a participação de Marinho deve ser voluntária e consentida, e sua contribuição intelectual deve ser reconhecida de forma adequada.
Uso de ideias de tese por membro da banca
1Dever ético do pesquisador
Consultar o autor original
Convidar para participar
Reconhecer autoria intelectual
2Condutas inadequadas
Apenas informar, sem convidar
Incluir nome sem consentimento
Agradecimento no lugar de coautoria
Solicitar fomento ao autor
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Alternativa A — ❌ Incorreta
Solicitar fomento de pesquisa a Marinho inverte completamente a relação: não é Marinho quem deve financiar o trabalho do membro da banca, mas sim o contrário, se houver necessidade de recursos. Além disso, não resolve o problema ético central, que é o uso não autorizado das ideias de Marinho. A alternativa não tem qualquer fundamento ético ou legal.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Consultar Marinho para participar do trabalho é a conduta eticamente correta. Isso reconhece a autoria intelectual de Marinho sobre as ideias apresentadas na tese e permite que ele decida se deseja integrar a publicação. A participação pode ser como coautor, se a contribuição for substancial, ou ao menos com autorização e crédito adequado. Essa conduta está alinhada com os princípios de honestidade, integridade e respeito à produção intelectual, fundamentais na ética da pesquisa.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Incluir o nome de Marinho na sessão de agradecimentos é insuficiente e inadequado. Agradecimentos não conferem autoria nem reconhecem contribuição intelectual substancial. A ideia de Marinho foi utilizada como base para o trabalho, o que exige, no mínimo, sua autorização e, idealmente, sua participação como coautor. A alternativa subestima a gravidade da apropriação indevida.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Incluir o nome de Marinho na publicação sem consultá-lo é eticamente problemático. Atribuir autoria a alguém sem seu consentimento pode violar o direito de Marinho de decidir sobre sua participação, além de poder implicá-lo em um trabalho com o qual ele não concorda. A autoria deve ser voluntária e baseada em contribuição real, não imposta unilateralmente.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Informar Marinho das intenções, mas não convidá-lo para integrar a publicação, é insuficiente. A mera informação não reconhece a contribuição intelectual de Marinho nem lhe dá a oportunidade de participar. A conduta ética exige consulta e convite, não apenas comunicação. Essa alternativa representa uma tentativa de cumprir formalmente um dever, mas sem a substância ética necessária.
Gabarito: letra B — o membro da banca deveria consultar Marinho para participar do trabalho, reconhecendo sua autoria intelectual e garantindo o consentimento.