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Questão de Enfermagem — Doenças Crônicas Não Transmissíveis — FGV 2024

EnfermagemDoenças Crônicas Não Transmissíveis
Código
fg081852
Banca
FGV
Órgão
EBSERH
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Residência Multi e Uniprofissional - Enfermagem
Gestante, 29 anos, portadora de hipotireoidismo, diabetes mellitus tipo 2, diagnosticada há 5 anos, em uso irregular de metformina e levotiroxina. Histórico familiar significativo de diabetes e obesidade.A gravidez foi acompanhada regularmente no pré-natal pela enfermeira da UBS. Durante o segundo trimestre, foi observado um aumento desproporcional na circunferência abdominal.Exceto para o tamanho determinado geneticamente, assinale a opção que apresenta a principal causa de recém-nascido grande para a idade gestacional.
  1. AHipertensão arterial.
  2. BHipotireoidismo materno.
  3. CDiabetes mellitus materno.
  4. DSíndrome coronariana aguda.
  5. EHiperparatireoidismo materno.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — Diabetes mellitus materno.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Recém-nascido grande para a idade gestacional (GIG)

Gabarito: letra C. A principal causa de recém-nascido grande para a idade gestacional (GIG), excetuando-se o tamanho determinado geneticamente, é o diabetes mellitus materno — a hiperglicemia materna atravessa a placenta, estimula o pâncreas fetal a produzir insulina em excesso e essa insulina atua como fator de crescimento, gerando macrossomia fetal. Essa relação fisiopatológica é o núcleo da questão, e o enunciado já entrega a pista: a gestante é diabética tipo 2, em uso irregular de metformina, com histórico familiar de diabetes e obesidade.

O recém-nascido GIG é aquele cujo peso ao nascer está acima do percentil 90 para a idade gestacional, ou acima de 4.000 g (macrossomia). O crescimento fetal é determinado por fatores genéticos (o potencial de crescimento herdado) e por fatores ambientais intrauterinos. Quando o enunciado exclui o tamanho geneticamente determinado, ele está pedindo exatamente o fator ambiental modificável mais importante: o ambiente metabólico materno. No diabetes materno, o mecanismo é bem estabelecido: a glicose materna elevada cruza livremente a placenta (por difusão facilitada), mas a insulina materna não atravessa. O feto, então, responde à hiperglicemia produzindo insulina própria em excesso (hiperinsulinemia fetal). A insulina é um hormônio anabólico e de crescimento — ela estimula o acúmulo de gordura e o crescimento de órgãos, resultando em um feto grande, com distribuição característica de gordura (face cheia, ombros largos, abdome proeminente).

Esse é o motivo pelo qual o controle glicêmico rigoroso durante o pré-natal é tão importante: quanto melhor o controle, menor o risco de macrossomia. No caso da gestante do enunciado, o uso irregular de metformina agrava o risco, pois o controle glicêmico fica comprometido. O aumento desproporcional da circunferência abdominal observado no segundo trimestre é um sinal clínico clássico de crescimento fetal acelerado, que pode ser confirmado por ultrassonografia obstétrica.

As demais alternativas são distratores que não têm relação causal direta com o crescimento fetal excessivo. A hipertensão arterial, por exemplo, tende a causar o efeito oposto — restrição de crescimento fetal (RCF) — porque compromete a perfusão placentária. O hipotireoidismo materno não tratado pode afetar o neurodesenvolvimento fetal, mas não é causa de macrossomia. A síndrome coronariana aguda é um evento agudo materno, não um fator de crescimento fetal. E o hiperparatireoidismo materno, embora possa alterar o metabolismo do cálcio fetal, não é causa reconhecida de GIG.

Guarde a fronteira que decide esta questão: diabetes materno = hiperglicemia fetal = hiperinsulinemia = crescimento excessivo; enquanto hipertensão = hipoperfusão placentária = restrição de crescimento. É exatamente nessa oposição que as alternativas se dividem.

Alternativa A — ❌ Incorreta

A hipertensão arterial materna, especialmente a pré-eclâmpsia, compromete o fluxo sanguíneo útero-placentário e está associada à restrição de crescimento fetal (RCF), não ao crescimento excessivo. O recém-nascido de mãe hipertensa tende a ser pequeno para a idade gestacional (PIG), não GIG. A banca coloca essa alternativa para testar se o candidato sabe que hipertensão e diabetes têm efeitos opostos sobre o crescimento fetal.

Alternativa B — ❌ Incorreta

O hipotireoidismo materno não tratado pode prejudicar o desenvolvimento neurológico fetal, mas não é causa de macrossomia ou de recém-nascido GIG. O hormônio tireoidiano materno tem papel importante no neurodesenvolvimento, mas não atua como fator de crescimento somático fetal na mesma magnitude que a insulina. A gestante do enunciado tem hipotireoidismo, mas isso é um dado de contexto, não a causa do crescimento excessivo.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

O diabetes mellitus materno é a principal causa patológica de recém-nascido GIG. O mecanismo é a hiperglicemia materna → hiperglicemia fetal → hiperinsulinemia fetal → ação anabólica da insulina → crescimento fetal excessivo. A gestante do enunciado é diabética tipo 2 em uso irregular de metformina, o que reforça o risco de descontrole glicêmico e, consequentemente, de macrossomia. O aumento desproporcional da circunferência abdominal no segundo trimestre é o sinal clínico desse crescimento acelerado.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A síndrome coronariana aguda (SCA) é um evento cardiovascular agudo materno, que pode comprometer a perfusão placentária e causar sofrimento fetal, mas não é causa de crescimento fetal excessivo. Não há mecanismo fisiopatológico que relacione SCA materna com macrossomia fetal. É um distrator que explora o histórico de doenças crônicas, mas sem relação causal com o desfecho pedido.

Alternativa E — ❌ Incorreta

O hiperparatireoidismo materno pode causar hipocalcemia neonatal (pela supressão do paratormônio fetal), mas não é causa de recém-nascido GIG. O metabolismo do cálcio não está envolvido no crescimento somático fetal excessivo da mesma forma que a insulina. É um distrator endocrinológico, mas sem fundamento fisiopatológico para o desfecho.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre os efeitos opostos das doenças maternas sobre o crescimento fetal. O candidato pode achar que qualquer doença crônica materna "engorda" o bebê, mas a hipertensão causa restrição de crescimento (PIG), enquanto o diabetes causa crescimento excessivo (GIG). A chave é lembrar que a insulina fetal é o hormônio de crescimento mais importante no terceiro trimestre — e ela só aumenta se a glicose materna estiver alta.

PEGA ESSA DICA!

Para questões de GIG/PIG, monte o raciocínio em duas colunas: doenças que aumentam o aporte de nutrientes ao feto (diabetes, obesidade materna, ganho de peso excessivo) → GIG; doenças que diminuem o aporte (hipertensão, pré-eclâmpsia, insuficiência placentária, tabagismo) → PIG. Essa oposição resolve a maioria das questões do tema.

Gabarito: letra C — diabetes mellitus materno é a principal causa de recém-nascido grande para a idade gestacional, excetuando-se o fator genético.

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