Questão de Medicina — Gastroenterologia — FGV 2024
- Código
- fg083078
- Banca
- FGV
- Órgão
- EBSERH
- Ano
- 2024
- Nível
- Superior
- Cargo
- Área de Atuação - Cirurgia do Trauma
- ACullen;
- BGrey-Turner;
- CRovsing;
- DLenander;
- EJobert.
GabaritoA — Cullen;
Gabarito: letra A. A equimose na região periumbilical em um paciente com pancreatite aguda grave é o sinal de Cullen, enquanto a equimose nos flancos caracteriza o sinal de Grey-Turner — ambos são manifestações cutâneas raras da pancreatite necro-hemorrágica, causadas pelo extravasamento de exsudatos necróticos que seguem planos fasciais até a parede abdominal.
A pancreatite aguda é um processo inflamatório do pâncreas que, nas formas graves, libera enzimas e substâncias tóxicas que extravasam ao longo dos planos fasciais no espaço retroperitoneal, na bolsa omental e na cavidade peritoneal. Esse material causa irritação química e pode alcançar a parede abdominal, produzindo equimoses características. O sinal de Cullen é a equimose periumbilical, que ocorre porque os exsudatos necróticos seguem o ligamento falciforme até a região umbilical. Já o sinal de Grey-Turner é a equimose nos flancos, decorrente da presença desses exsudatos no retroperitônio.
Esses sinais são clássicos, porém raramente observados na prática clínica, e indicam pancreatite necro-hemorrágica grave. É importante diferenciá-los de outros sinais semiológicos abdominais que aparecem nas alternativas: o sinal de Rovsing está associado à apendicite (dor no quadrante inferior direito à palpação do quadrante inferior esquerdo), o sinal de Lenander está relacionado à apendicite (diferença de temperatura entre axila e reto), e o sinal de Jobert está associado à perfuração de víscera oca (timpanismo à percussão hepática).
A banca explora a confusão entre os dois sinais clássicos da pancreatite: Cullen (periumbilical) e Grey-Turner (flancos). Para não errar, lembre-se: Cullen começa com "C" e está próximo do Centro (umbigo); Grey-Turner está nos flancos, como se fosse uma faixa lateral. Essa distinção é o critério decisivo que separa as alternativas A e B.
O sinal de Cullen é exatamente a equimose periumbilical, descrita no enunciado. O texto de apoio confirma: "O sinal de Cullen (i. e., equimose na região periumbilical)". É um sinal clássico de pancreatite aguda grave, embora raro, e ocorre pela migração de exsudatos necróticos pelo ligamento falciforme até o umbigo.
O sinal de Grey-Turner é a equimose nos flancos, não na região periumbilical. O texto de apoio diferencia: "O sinal de Grey Turner (i. e., equimose no flanco) ou o sinal de Cullen (i. e., equimose na região periumbilical)". A banca troca a localização: periumbilical (Cullen) por flancos (Grey-Turner).
O sinal de Rovsing é um sinal de apendicite: dor no quadrante inferior direito à palpação do quadrante inferior esquerdo (palpação rebote). Não tem relação com equimose periumbilical nem com pancreatite. É um sinal de irritação peritoneal localizada na fossa ilíaca direita.
O sinal de Lenander também está associado à apendicite: é a diferença de temperatura entre a axila e o reto (temperatura retal maior que a axilar em mais de 1°C). Não se manifesta como equimose periumbilical.
O sinal de Jobert está associado à perfuração de víscera oca: é o timpanismo à percussão na região hepática (substituição da macicez hepática por timpanismo), devido à presença de ar livre na cavidade peritoneal. Não é uma equimose e não se relaciona à pancreatite.
Gabarito: letra A
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