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Questão de Medicina — Endocrinologia — FGV 2024

MedicinaEndocrinologia
Código
fg083112
Banca
FGV
Órgão
EBSERH
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Área de Atuação - Citopatologia
A ginecomastia costumar estar associada a:
  1. Amasculinização;
  2. Bhipotireoidismo;
  3. Chipoprolactinemia;
  4. Dsíndrome de Klinefelter;
  5. Edimunição de atividade de aromatase.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — síndrome de Klinefelter;

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Ginecomastia: causas e associações

Gabarito: letra D. A ginecomastia — aumento benigno da mama masculina por proliferação do componente glandular — está classicamente associada à síndrome de Klinefelter (cariótipo 47,XXY), condição de hipogonadismo primário em que o desequilíbrio entre estrogênios e androgênios favorece o desenvolvimento mamário. As demais alternativas trazem situações que não cursam com ginecomastia ou até a excluem, como veremos.

A ginecomastia resulta do desequilíbrio entre as ações estrogênicas e androgênicas no tecido mamário: os estrogênios estimulam e os androgênios inibem o desenvolvimento glandular. Esse desequilíbrio pode ocorrer por aumento absoluto dos estrogênios livres, diminuição dos androgênios livres, insensibilidade tecidual aos androgênios ou aumento da sensibilidade do tecido mamário aos estrogênios. Na prática clínica, as causas mais comuns são fisiológicas (neonatal, puberal e involutiva/senil), mas causas patológicas incluem hipogonadismo (primário ou secundário), hipertireoidismo, hiperprolactinemia, doença hepática, tumores produtores de hCG e uso de fármacos como espironolactona, cimetidina e antiandrogênios.

A síndrome de Klinefelter é a causa congênita mais comum de insuficiência testicular primária, acometendo cerca de 1 em cada 600 nascidos vivos do sexo masculino, por não disjunção cromossômica materna, resultando em genótipo 47,XXY. Na puberdade, os achados clínicos incluem grau variável de hipogonadismo, ginecomastia, testículos pequenos e firmes, azoospermia, proporções eunucoides e elevação de FSH e LH. A ginecomastia nesses pacientes decorre do desequilíbrio hormonal: há deficiência de testosterona (androgênio) e níveis relativamente elevados de estradiol (estrogênio), favorecendo a proliferação glandular mamária.

É importante distinguir a ginecomastia da lipomastia (falsa ginecomastia), que é o acúmulo de tecido adiposo subareolar, comum em obesos. Na ginecomastia verdadeira, há tecido glandular firme, palpável, concêntrico ao mamilo; na lipomastia, a palpação não identifica nódulo glandular. Essa distinção é essencial na avaliação clínica, pois a conduta e a investigação diferem.

A banca explora a confusão entre as causas de ginecomastia e as condições que não estão associadas a ela. Por exemplo, a masculinização (alternativa A) é o oposto: a ginecomastia é um sinal de feminização. O hipotireoidismo (alternativa B) não é causa clássica; o hipertireoidismo, sim. A hipoprolactinemia (alternativa C) é o contrário da hiperprolactinemia, que pode causar ginecomastia por hipogonadismo hipogonadotrófico. A diminuição da atividade da aromatase (alternativa E) reduziria a conversão de androgênios em estrogênios, diminuindo o estímulo estrogênico — o oposto do que causa ginecomastia.

Guarde a fronteira entre as causas que aumentam a ação estrogênica (ou diminuem a androgênica) e as que fazem o contrário: é exatamente nela que as alternativas se dividem.

Condição

Associação com ginecomastia

Mecanismo

Síndrome de Klinefelter (47,XXY)

✅ Sim (causa clássica)

Hipogonadismo primário: testosterona baixa, estrogênio relativamente elevado → predomínio estrogênico

Masculinização

❌ Não (é o oposto)

Feminização, não masculinização

Hipotireoidismo

❌ Não (hipertireoidismo, sim)

Hipertireoidismo aumenta conversão periférica de androgênios em estrogênios

Hipoprolactinemia

❌ Não (hiperprolactinemia, sim)

Hiperprolactinemia → hipogonadismo hipogonadotrófico → ↓ androgênios

Diminuição da atividade da aromatase

❌ Não (aumento, sim)

↓ conversão de androgênios em estrogênios → ↓ estímulo estrogênico

Ginecomastia (predomínio estrogênico)
  • 1Causas associadas
    • Síndrome de Klinefelter
    • Hipertireoidismo
    • Hiperprolactinemia
    • Aumento da aromatase
  • 2Não associadas
    • Masculinização
    • Hipotireoidismo
    • Hipoprolactinemia
    • Diminuição da aromatase
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Alternativa A — ❌ Incorreta

A masculinização é o efeito oposto ao da ginecomastia. A ginecomastia é um sinal de feminização, caracterizado pelo desenvolvimento de tecido mamário glandular no homem. A masculinização envolve aumento de pelos, massa muscular, voz grave, entre outros — não há relação com proliferação mamária. A banca troca o conceito de feminização por masculinização, induzindo o candidato a associar erroneamente.

Alternativa B — ❌ Incorreta

O hipotireoidismo não é causa clássica de ginecomastia. Na verdade, o hipertireoidismo está associado à ginecomastia, pois o excesso de hormônio tireoidiano aumenta a conversão periférica de androgênios em estrogênios (via aromatase) e eleva a globulina ligadora de hormônios sexuais (SHBG), reduzindo a testosterona livre. O hipotireoidismo, por sua vez, cursa com diminuição do metabolismo, mas não há mecanismo direto que favoreça o desequilíbrio estrogênio-androgênio no tecido mamário.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A hipoprolactinemia (níveis baixos de prolactina) não causa ginecomastia. O que se associa é a hiperprolactinemia (níveis elevados), que pode levar a hipogonadismo hipogonadotrópico: a prolactina elevada inibe a liberação de GnRH, reduz a ação do LH nas células de Leydig e inibe ações da testosterona, resultando em diminuição de androgênios e, consequentemente, ginecomastia. A alternativa inverte o sentido: em vez de excesso, coloca deficiência.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A síndrome de Klinefelter (47,XXY) é a causa congênita mais comum de insuficiência testicular primária e está classicamente associada à ginecomastia. O hipogonadismo hipergonadotrófico (FSH e LH elevados, testosterona baixa) gera desequilíbrio entre estrogênios e androgênios, com predomínio relativo de estrogênios, estimulando o desenvolvimento glandular mamário. É um dos principais diagnósticos a considerar em homens com ginecomastia, especialmente se houver testículos pequenos e firmes, azoospermia e proporções eunucoides.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A diminuição da atividade da aromatase reduziria a conversão de androgênios (como testosterona) em estrogênios (como estradiol). Como a ginecomastia é causada por excesso de estrogênios ou deficiência de androgênios, a redução da aromatase diminuiria o estímulo estrogênico, protegendo contra a ginecomastia — o oposto do que a alternativa sugere. O aumento da atividade da aromatase, sim, está associado à ginecomastia, como na síndrome do excesso de aromatase.

NÃO CAIA NESSA!

A banca adora inverter o mecanismo: troca hiperpor hipo (prolactinemia), aumento por diminuição (aromatase) e feminização por masculinização. Fique atento: ginecomastia = predomínio estrogênico. Se a alternativa falar em reduzir estrogênio ou aumentar androgênio, está errada.

PEGA ESSA DICA!

Para memorizar as causas de ginecomastia, lembre-se do mnemônico "HIPER": Hipertireoidismo, Insuficiência gonadal (Klinefelter), Prolactinemia (hiper), Estrogênios (excesso), Receptores (insensibilidade androgênica). E o oposto: hipotireoidismo, hipoprolactinemia e diminuição de aromatase não causam.

Gabarito: letra D — síndrome de Klinefelter.

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