A hipertensão é uma doença comum, mas, em algumas situações, pode se associar a causas secundárias.Faz-se necessário investigar uma causa endócrina de hipertensão em paciente:
Amasculino, 52 anos, negro, hipertenso há 2 anos, obeso e diabético;
Bfeminina, 55 anos, com história de hipertensão e DAC na família;
Cfeminina, 32 anos, hipertensa com queixas de cefaleia, sudorese e palpitações, associados a sensação de morte iminente;
Dmasculino, 49 anos, com descontrole da pressão apesar do uso de losartana 50mg de 12/12h associada a um diurético;
Emasculino, 68 anos, com AVE prévio e pressão de 180 x 110 mmHg em uso de diurético.
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GabaritoC — feminina, 32 anos, hipertensa com queixas de cefaleia, sudorese e palpitações, associados a sensação de morte iminente;
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Hipertensão secundária: quando investigar causa endócrina
Gabarito: letra C. A paciente apresenta a tríade clássica do feocromocitoma — cefaleia, sudorese e palpitações — associada à sensação de morte iminente, o que configura forte indício de causa endócrina de hipertensão (Diretrizes Brasileiras de Hipertensão Arterial – 2020, Quadro 15.1). As demais alternativas descrevem situações que, isoladamente, não preenchem critérios de suspeição para hipertensão secundária endócrina.
A hipertensão arterial secundária é aquela decorrente de uma causa identificável, que pode ser tratada com intervenção específica, determinando cura ou melhora do controle pressórico. Sua prevalência estimada é de 10 a 20%, e a investigação deve ser direcionada por indícios clínicos, laboratoriais ou de exame físico — não é custo-efetivo rastrear todos os hipertensos. As principais causas endócrinas incluem o aldosteronismo primário (a mais comum), o feocromocitoma, a síndrome de Cushing, o hiperparatireoidismo e o hipertireoidismo. O feocromocitoma é um tumor produtor de catecolaminas que cursa com crises paroxísticas de hipertensão acompanhadas da tríade clássica: cefaleia, sudorese e palpitações. A sensação de morte iminente (angústia intensa) é um sintoma frequentemente relatado durante as crises, reforçando a suspeita. A Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial – 2020 elenca, no Quadro 15.1, os indícios de hipertensão secundária, incluindo a tríade do feocromocitoma. A Diretriz de 2025 mantém o mesmo raciocínio, destacando que a hipertensão paroxística com a tríade composta por cefaleia, sudorese e palpitações ocorre no feocromocitoma.
Na prática, a investigação de causa endócrina deve ser considerada quando há: hipertensão resistente ou refratária, início precoce (< 30 anos) ou tardio (> 55 anos) da hipertensão, elevação súbita da PA, hipopotassemia espontânea ou induzida por diuréticos, nódulo adrenal, ou sintomas sugestivos de excesso hormonal (como a tríade do feocromocitoma). A alternativa C reúne exatamente esses elementos: paciente jovem (32 anos), com queixas paroxísticas típicas e sintomas autonômicos intensos. As demais alternativas trazem características de hipertensão essencial ou de fatores de risco cardiovascular, sem indícios específicos de causa secundária endócrina.
A pegadinha da banca está em confundir "hipertensão resistente" (que também é indicação de investigar causa secundária, mas não especificamente endócrina) com a presença de sintomas autonômicos típicos. A alternativa D menciona descontrole pressórico com uso de losartana e diurético — isso sugere hipertensão resistente, que é indicação de investigar causas secundárias em geral (incluindo as não endócrinas, como estenose de artéria renal), mas não é o cenário mais específico para causa endócrina. Já a alternativa C é inequívoca: a tríade clássica aponta diretamente para feocromocitoma.
Guarde o critério decisivo: a presença da tríade cefaleia + sudorese + palpitações em crises paroxísticas é o sinal mais forte de causa endócrina (feocromocitoma). É exatamente nesse ponto que as alternativas se dividem.
Alternativa A — ❌ Incorreta
Paciente masculino, 52 anos, negro, hipertenso há 2 anos, obeso e diabético. Esse perfil é típico de hipertensão essencial associada a síndrome metabólica. Não há indícios de causa secundária endócrina: a idade (52 anos) está fora da faixa de início precoce (< 30 anos) ou tardio (> 55 anos), e não há sintomas autonômicos, hipopotassemia ou outros sinais de alerta. Obesidade e diabetes são comorbidades comuns, mas não indicam, por si só, a necessidade de investigar causa endócrina.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Mulher de 55 anos com história familiar de hipertensão e doença arterial coronariana. História familiar positiva é um fator de risco para hipertensão essencial, não um indício de causa secundária. A idade de 55 anos está no limite superior, mas sem outros sinais (início tardio, elevação súbita, sintomas autonômicos) não justifica investigação específica de causa endócrina. A história familiar de DAC reforça o componente genético da hipertensão essencial.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Mulher de 32 anos com hipertensão e queixas de cefaleia, sudorese e palpitações associadas a sensação de morte iminente. Essa é a descrição clássica da crise de feocromocitoma: hipertensão paroxística com tríade de cefaleia, sudorese e palpitações, frequentemente acompanhada de ansiedade intensa ou sensação de morte iminente. A idade jovem (< 30 anos é um dos critérios, e 32 anos está próxima) e os sintomas autonômicos típicos tornam obrigatória a investigação de causa endócrina. A Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial – 2020, no Quadro 15.1, lista a tríade do feocromocitoma como indício de hipertensão secundária.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Homem de 49 anos com descontrole pressórico apesar de losartana 50 mg 12/12h associada a diurético. Isso caracteriza hipertensão resistente (uso de três anti-hipertensivos, incluindo um diurético, em doses adequadas, sem controle). A hipertensão resistente é indicação de investigar causas secundárias em geral, incluindo as não endócrinas (como estenose de artéria renal e aldosteronismo primário). Porém, a questão pede especificamente causa endócrina, e a alternativa não traz sintomas autonômicos ou outros indícios que apontem diretamente para uma etiologia endócrina. O aldosteronismo primário é a causa mais comum de hipertensão secundária e pode se manifestar como hipertensão resistente, mas a ausência de hipopotassemia ou de outros sinais torna a alternativa menos específica que a C.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Homem de 68 anos com AVE prévio e PA 180 x 110 mmHg em uso de diurético. A idade avançada (> 55 anos) é um critério de início tardio, mas o quadro descrito é de hipertensão grave em paciente idoso com doença cardiovascular estabelecida, sem sintomas autonômicos ou outros indícios de causa endócrina. O AVE prévio é uma complicação da hipertensão, não um sinal de causa secundária. A hipertensão grave isolada, sem outros achados, não justifica investigação específica de causa endócrina.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre "hipertensão resistente" (alternativa D) e "sintomas autonômicos típicos de feocromocitoma" (alternativa C). Muitos candidatos marcam a D por associar resistência ao tratamento com causa secundária, mas a questão pede especificamente causa endócrina — e a tríade cefaleia + sudorese + palpitações é o sinal mais forte. Fique atento: a presença de sintomas paroxísticos é o que diferencia a suspeita de feocromocitoma das demais causas.
PEGA ESSA DICA!
Memorize a tríade do feocromocitoma: cefaleia, sudorese e palpitações. Sempre que a questão trouxer esses três sintomas associados a hipertensão, a resposta será feocromocitoma. E lembre: hipertensão resistente é indicação de investigar causas secundárias, mas não é específica de causa endócrina — o aldosteronismo primário é a causa mais comum, mas a tríade clássica é do feocromocitoma.