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Questão de Medicina — Endocrinologia — FGV 2024

MedicinaEndocrinologia
Código
fg083323
Banca
FGV
Órgão
EBSERH
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Área de Atuação - Endocrinologia Pediátrica
Uma paciente com hipotireoidismo informa que deseja gestar e está preocupada com a medicação que usa. Ela então pergunta a seu médico como deverá proceder.O médico deve informar à paciente que ela:
  1. Adeverá diminuir a dose de levotiroxina na gestação;
  2. Bpode usar o polivitamínco junto com a levotiroxina;
  3. Cpode usar a levotiroxina a qualquer hora do dia pelo fato de estar grávida;
  4. Dpode aumentar a dose de levotiroxina em 30-50% durante a gestação;
  5. Edeve suspender a medicação nos três primeiros meses e só depois retomar o seu uso.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — pode aumentar a dose de levotiroxina em 30-50% durante a gestação;

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Hipotireoidismo e gestação: manejo da levotiroxina

Gabarito: letra D. Durante a gestação, há aumento das necessidades de hormônio tireoidiano, sendo recomendado aumentar a dose de levotiroxina em 30–50% assim que a gravidez for confirmada, com monitorização frequente do TSH (conforme diretrizes da American Thyroid Association). As demais alternativas trazem condutas incorretas ou sem fundamento.

O hipotireoidismo é uma condição em que a glândula tireoide não produz hormônios tireoidianos em quantidade suficiente, sendo o tratamento padrão a reposição com levotiroxina (T4 sintético). A levotiroxina tem meia-vida de cerca de 8 dias, permitindo administração única diária. Em adultos, a dose de reposição média varia de 75 a 150 μg/dia, ou cerca de 1,6 μg/kg/dia. O monitoramento é feito pela dosagem do TSH, que deve permanecer entre 0,5 e 2 mU/L em pacientes em tratamento.

Durante a gestação, o organismo materno passa por adaptações fisiológicas que aumentam a demanda por hormônios tireoidianos: há aumento da globulina ligadora de tiroxina (TBG) por estímulo estrogênico, aumento do volume plasmático e transferência de hormônios para o feto, especialmente no primeiro trimestre, quando a tireoide fetal ainda não é funcional. Por isso, a necessidade de levotiroxina aumenta significativamente, sendo recomendado um incremento de 30–50% na dose já nas primeiras semanas de gestação, muitas vezes assim que o teste de gravidez é positivo. Esse ajuste deve ser guiado por dosagens seriadas de TSH, idealmente a cada 4–6 semanas, mantendo o TSH em faixa específica para cada trimestre (geralmente inferior a 2,5 mU/L no primeiro trimestre e inferior a 3,0 mU/L no segundo e terceiro).

A conduta correta, portanto, é aumentar a dose de levotiroxina em 30–50% durante a gestação, e não diminuir, suspender ou manter inalterada. A suspensão da medicação é perigosa, pois o hipotireoidismo materno não tratado está associado a complicações obstétricas e prejuízo no desenvolvimento neuropsicológico do feto. A levotiroxina deve ser mantida durante toda a gestação, com ajustes conforme necessário.

Outro ponto importante é a interação com outros medicamentos e suplementos. O polivitamínico, especialmente os que contêm cálcio, ferro ou magnésio, pode reduzir a absorção da levotiroxina se administrado concomitantemente. Recomenda-se um intervalo de pelo menos 4 horas entre a ingestão de levotiroxina e esses suplementos. Além disso, a levotiroxina deve ser tomada preferencialmente em jejum, 30 a 60 minutos antes do café da manhã, para garantir absorção adequada — orientação que permanece válida na gestação.

A banca explora a confusão entre a necessidade de aumento da dose (correto) e outras condutas que parecem plausíveis, mas são incorretas, como diminuir a dose ou usar o polivitamínico junto. A chave é lembrar que a gestação aumenta a demanda por hormônio tireoidiano, exigindo ajuste para cima, e que a forma de administração (jejum, sem interações) não muda com a gravidez.

  1. 1Confirmar gravidez
  2. 2Aumentar dose em 30–50%
  3. 3Monitorar TSH a cada 4–6 semanas
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Alternativa A — ❌ Incorreta

Diminuir a dose de levotiroxina na gestação é o oposto do recomendado. A gestação aumenta a necessidade de hormônio tireoidiano, portanto a dose deve ser aumentada, não diminuída. Reduzir a dose poderia levar a hipotireoidismo materno, com riscos para a mãe e o feto.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Usar o polivitamínico junto com a levotiroxina é contraindicado. Suplementos contendo cálcio, ferro ou magnésio diminuem a absorção da levotiroxina, reduzindo sua eficácia. Deve-se manter um intervalo de pelo menos 4 horas entre a levotiroxina e esses suplementos.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A levotiroxina não pode ser tomada a qualquer hora do dia na gestação. A recomendação de tomar em jejum, 30 a 60 minutos antes do café da manhã, permanece válida durante a gravidez, para garantir absorção adequada e níveis estáveis do hormônio.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Esta é a conduta correta. Durante a gestação, há aumento da necessidade de levotiroxina, sendo recomendado aumentar a dose em 30–50% assim que a gravidez for confirmada, com monitorização frequente do TSH. Esse ajuste é essencial para manter o eutireoidismo materno e evitar complicações.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Suspender a medicação nos três primeiros meses é perigoso e não tem fundamento. O hipotireoidismo materno não tratado está associado a abortamento, hipertensão gestacional, descolamento prematuro de placenta e prejuízo no desenvolvimento neuropsicológico do feto. A levotiroxina deve ser mantida durante toda a gestação, com ajuste de dose conforme necessário.

Gabarito: letra D — a conduta correta é aumentar a dose de levotiroxina em 30–50% durante a gestação.

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