Uma mulher de 56 anos, com antecedente de infarto do miocárdio há 3 anos, procura atendimento para perda de peso. Ao exame, foram registrados:• IMC = 38 kg/m2,• PA = 120 x 80 mmHg,• FC 82 bpm,• cintura com 102 cm.Com relação a seu tratamento para obesidade, deve-se considerar que:
Aa sibutramina é uma boa opção, pois a paciente encontra-se com PA e FC controladas;
Bo orlistate está contraindicado, pois pode aumentar o risco cardiovascular da paciente;
Ca melhor opção é iniciar liraglutida, pois, além do benefício de perda de peso, tem segurança cardiovascular;
Da fluoxetina pode ser indicada, pois resultados de perda de peso a longo prazo têm sido comprovados;
Eo tratamento medicamentoso para essa paciente não deve ser considerado em virtude da idade e da comorbidade que possui.
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GabaritoC — a melhor opção é iniciar liraglutida, pois, além do benefício de perda de peso, tem segurança cardiovascular;
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Tratamento farmacológico da obesidade em paciente com doença cardiovascular
Gabarito: letra C. Para uma paciente com obesidade grau II (IMC 38 kg/m²) e antecedente de infarto do miocárdio, a liraglutida é a melhor opção entre as alternativas, pois, além de promover perda de peso, demonstrou segurança cardiovascular em estudos clínicos — diferentemente da sibutramina, que é contraindicada nesse cenário por seu potencial de elevar a pressão arterial e a frequência cardíaca, aumentando o risco de eventos cardiovasculares.
A obesidade é uma doença crônica e multifatorial, associada a aumento de morbimortalidade cardiovascular. O tratamento farmacológico é indicado quando há falha da terapia não farmacológica (dieta e exercício) e o paciente apresenta IMC ≥ 30 kg/m², ou IMC ≥ 27 kg/m² com comorbidades relacionadas à obesidade. No caso apresentado, a paciente tem IMC de 38 kg/m² (obesidade grau II) e histórico de infarto do miocárdio, o que configura doença cardiovascular estabelecida — um fator de risco que precisa ser considerado na escolha do fármaco.
A liraglutida é um análogo do GLP-1 (peptídeo semelhante ao glucagon), aprovado para o tratamento da obesidade. Seu mecanismo de ação envolve a redução do apetite e o retardo do esvaziamento gástrico, levando à perda de peso. Além disso, estudos como o LEADER demonstraram redução de eventos cardiovasculares maiores em pacientes com diabetes tipo 2 e alto risco cardiovascular, o que a torna uma opção segura e eficaz para pacientes com doença cardiovascular estabelecida. A liraglutida também é aprovada para IMC ≥ 30 kg/m² ou ≥ 27 kg/m² com comorbidades, como é o caso da paciente.
A sibutramina, por outro lado, é um inibidor da recaptação de serotonina e noradrenalina, que atua no sistema nervoso central para reduzir o apetite. No entanto, seu uso está associado a aumento da pressão arterial e da frequência cardíaca, além de risco de eventos cardiovasculares graves, como fibrilação atrial e taquicardia. Por isso, é contraindicada em pacientes com doença cardiovascular estabelecida, como infarto do miocárdio prévio, mesmo que a PA e a FC estejam controladas no momento da avaliação. O estudo SCOUT, que avaliou a sibutramina em pacientes com alto risco cardiovascular, mostrou aumento do risco de eventos cardiovasculares maiores não fatais, o que levou à restrição de seu uso.
O orlistate é um inibidor da lipase intestinal, que reduz a absorção de gorduras da dieta. Ele não é contraindicado em pacientes com doença cardiovascular, pois não tem efeitos sistêmicos significativos sobre a PA ou a FC. No entanto, sua eficácia na perda de peso é modesta, e não há evidências de benefício cardiovascular adicional. A alternativa B afirma que o orlistate está contraindicado por aumentar o risco cardiovascular, o que é incorreto — ele não aumenta esse risco, mas também não oferece o benefício cardiovascular da liraglutida.
A fluoxetina é um antidepressivo inibidor seletivo da recaptação de serotonina (ISRS), que pode causar perda de peso a curto prazo, mas não é aprovada para o tratamento da obesidade e não tem eficácia comprovada a longo prazo. A alternativa D sugere que a fluoxetina pode ser indicada, o que é incorreto, pois não é uma opção farmacológica padrão para obesidade.
A alternativa E afirma que o tratamento medicamentoso não deve ser considerado devido à idade e comorbidade, o que é incorreto. A paciente tem indicação de tratamento farmacológico, pois apresenta obesidade grau II e comorbidade cardiovascular, e a liraglutida é uma opção segura e eficaz nesse contexto.
A escolha do fármaco para obesidade deve ser individualizada, considerando comorbidades, contraindicações e efeitos colaterais. No caso de doença cardiovascular estabelecida, a liraglutida é a opção preferencial, pois demonstrou segurança cardiovascular e benefício na perda de peso. A sibutramina é contraindicada, e o orlistate, embora não seja contraindicado, tem eficácia limitada. A fluoxetina não é aprovada para obesidade, e a idade não é contraindicação para o tratamento farmacológico.
Obesidade + doença cardiovascular: Liraglutida (análogo GLP-1) (Perda de peso, Segurança cardiovascular (LEADER)); Sibutramina (Contraindicada (risco CV), Eleva PA e FC); Orlistate (Não contraindicado, Eficácia modesta); Fluoxetina (Não aprovada p/ obesidade, Sem eficácia a longo prazo)
Alternativa A — ❌ Incorreta
A sibutramina é contraindicada em pacientes com doença cardiovascular estabelecida, como infarto do miocárdio prévio, independentemente de a PA e a FC estarem controladas. O uso de sibutramina pode elevar a pressão arterial e a frequência cardíaca, aumentando o risco de eventos cardiovasculares graves, como fibrilação atrial e taquicardia. O estudo SCOUT demonstrou aumento do risco de eventos cardiovasculares maiores não fatais com o uso de sibutramina em pacientes de alto risco. Portanto, a alternativa está incorreta ao considerar a sibutramina uma boa opção para essa paciente.
Alternativa B — ❌ Incorreta
O orlistate não está contraindicado em pacientes com doença cardiovascular, pois atua localmente no trato gastrointestinal, inibindo a absorção de gorduras, sem efeitos sistêmicos significativos sobre a PA ou a FC. Ele não aumenta o risco cardiovascular. No entanto, sua eficácia na perda de peso é modesta, e não há evidências de benefício cardiovascular adicional. A alternativa está incorreta ao afirmar que o orlistate é contraindicado por aumentar o risco cardiovascular.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A liraglutida é a melhor opção para essa paciente, pois é um análogo do GLP-1 aprovado para o tratamento da obesidade (IMC ≥ 30 kg/m² ou ≥ 27 kg/m² com comorbidades), e demonstrou segurança cardiovascular em estudos clínicos, como o LEADER, que mostrou redução de eventos cardiovasculares maiores em pacientes com diabetes tipo 2 e alto risco cardiovascular. Além de promover perda de peso, a liraglutida tem benefício cardiovascular, tornando-a a escolha mais adequada para uma paciente com antecedente de infarto do miocárdio.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A fluoxetina é um antidepressivo ISRS que pode causar perda de peso a curto prazo, mas não é aprovada para o tratamento da obesidade e não tem eficácia comprovada a longo prazo. Não há evidências robustas de que a fluoxetina seja eficaz para perda de peso sustentada, e seu uso não é recomendado como tratamento farmacológico para obesidade. A alternativa está incorreta ao sugerir que a fluoxetina pode ser indicada com base em resultados de perda de peso a longo prazo comprovados.
Alternativa E — ❌ Incorreta
O tratamento medicamentoso deve ser considerado para essa paciente, pois ela apresenta obesidade grau II (IMC 38 kg/m²) e comorbidade cardiovascular (infarto do miocárdio prévio), o que configura indicação de terapia farmacológica. A idade (56 anos) não é contraindicação para o tratamento, e a comorbidade cardiovascular, na verdade, reforça a necessidade de escolher um fármaco com segurança cardiovascular, como a liraglutida. A alternativa está incorreta ao afirmar que o tratamento medicamentoso não deve ser considerado.