A perspectiva de vida aumentou significativamente nas últimas décadas, e, com isso, um maior número de cirurgias é realizado em pacientes idosos. Esses pacientes trazem um déficit orgânico e comorbidades que devem ser considerados na avaliação pré-operatória.Nesse sentido, o mais importante fator de risco para o desenvolvimento de delirium no pós-operatório é:
Aa presença prévia de um déficit cognitivo;
Bo comprometimento funcional;
Co tipo de cirurgia a ser realizada;
Da presença de doença grave;
Ea má nutrição.
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GabaritoA — a presença prévia de um déficit cognitivo;
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Delirium pós-operatório: o fator de risco mais importante
Gabarito: letra A. O mais importante fator de risco para o desenvolvimento de delirium no pós-operatório é a presença prévia de déficit cognitivo — trata-se de um fator de risco independente e amplamente reconhecido na literatura geriátrica e cirúrgica. O comprometimento cognitivo subjacente reduz a reserva cerebral, tornando o paciente mais vulnerável ao insulto perioperatório. As demais alternativas (comprometimento funcional, tipo de cirurgia, doença grave e má nutrição) são fatores de risco relevantes, porém não são o principal preditor isolado.
O delirium é uma síndrome neuropsiquiátrica aguda e flutuante, caracterizada por perturbação da atenção e da consciência, frequentemente desencadeada por uma condição médica aguda, cirurgia ou uso de medicamentos. No contexto perioperatório, sua incidência é alta — pode atingir 46 a 82% dos idosos em UTI — e está associada a pior prognóstico, maior tempo de internação, declínio funcional e aumento da mortalidade. A fisiopatologia é multifatorial, envolvendo desequilíbrio de neurotransmissores (especialmente deficiência de acetilcolina), resposta inflamatória sistêmica e ativação da microglia.
A avaliação pré-operatória do idoso deve, portanto, incluir triagem cognitiva com instrumentos como Mini-Cog ou Montreal Cognitive Assessment (MoCA), além de avaliação funcional (velocidade da marcha, Timed Up and Go) e revisão de medicamentos. A identificação precoce do déficit cognitivo permite planejar estratégias preventivas no pós-operatório, como reorientação frequente, minimização de medicamentos deliriogênicos e intervenções multicomponentes.
A distinção crucial é entre fatores predisponentes (características prévias do paciente, como idade avançada, demência, déficits sensoriais) e fatores precipitantes (eventos agudos, como infecção, cirurgia, privação de sono). O déficit cognitivo prévio é o principal fator predisponente — ele determina a vulnerabilidade basal do paciente. Já o tipo de cirurgia, a doença grave e a má nutrição são fatores precipitantes ou agravantes, que atuam como gatilhos em um cérebro já vulnerável.
A pegadinha desta questão está em confundir fatores precipitantes (que desencadeiam o episódio) com o fator de risco mais importante (que é o estado basal do paciente). O candidato pode ser tentado a escolher "tipo de cirurgia" ou "doença grave", por serem fatores diretamente ligados ao ato cirúrgico, mas a literatura é clara: o déficit cognitivo prévio é o preditor mais forte e independente de delirium pós-operatório.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre fatores predisponentes e fatores precipitantes. O déficit cognitivo é um fator predisponente — ele existe antes da cirurgia e aumenta a vulnerabilidade do cérebro. Já o tipo de cirurgia, a doença grave e a má nutrição são fatores precipitantes — eles atuam como gatilhos agudos. A questão pergunta pelo "mais importante fator de risco", e isso aponta para o estado basal do paciente, não para o evento agudo. Guarde: predisponente = vulnerabilidade prévia; precipitante = gatilho agudo.
Delirium pós-operatório
1Fatores predisponentes (vulnerabilidade basal)
Déficit cognitivo prévio (principal)
Idade avançada
Déficits sensoriais
2Fatores precipitantes (gatilhos agudos)
Tipo de cirurgia
Doença grave
Má nutrição
Infecção
Privação de sono
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A presença prévia de déficit cognitivo é o fator de risco mais importante e independente para delirium pós-operatório. O comprometimento cognitivo subjacente — mesmo que leve, como no comprometimento cognitivo leve (CCL) — reduz a reserva cerebral e torna o paciente mais suscetível ao insulto perioperatório. A avaliação pré-operatória deve incluir triagem cognitiva (Mini-Cog, MoCA) para identificar esses pacientes e planejar medidas preventivas.
Alternativa B — ❌ Incorreta
O comprometimento funcional (prejuízo nas atividades de vida diária) é um fator de risco relevante e está associado a maior mortalidade pós-operatória, mas não é o principal preditor de delirium. Ele reflete a fragilidade global do paciente, porém o déficit cognitivo tem associação mais forte e direta com o delirium.
Alternativa C — ❌ Incorreta
O tipo de cirurgia é um fator precipitante — cirurgias de maior porte, como cardíacas e ortopédicas, aumentam o risco — mas não é o fator de risco mais importante. O estado cognitivo prévio do paciente modula o risco independentemente do procedimento.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A presença de doença grave (como sepse, insuficiência cardíaca ou escore APACHE II elevado) é um fator precipitante importante, mas não é o principal fator de risco. A doença grave atua como gatilho em um cérebro vulnerável; sem a vulnerabilidade prévia, o risco é menor.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A má nutrição é um fator de risco modificável e contribui para a fragilidade, mas não é o mais importante preditor de delirium pós-operatório. Ela atua de forma indireta, aumentando a suscetibilidade a infecções e complicações, mas o déficit cognitivo prévio tem impacto mais direto e significativo.
Gabarito: letra A — a presença prévia de déficit cognitivo é o mais importante fator de risco para delirium pós-operatório.