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Questão de Medicina — Geriatria — FGV 2024

MedicinaGeriatria
Código
fg083347
Banca
FGV
Órgão
EBSERH
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Área de Atuação - Endoscopia Digestiva
A perspectiva de vida aumentou significativamente nas últimas décadas, e, com isso, um maior número de cirurgias é realizado em pacientes idosos. Esses pacientes trazem um déficit orgânico e comorbidades que devem ser considerados na avaliação pré-operatória.Nesse sentido, o mais importante fator de risco para o desenvolvimento de delirium no pós-operatório é:
  1. Aa presença prévia de um déficit cognitivo;
  2. Bo comprometimento funcional;
  3. Co tipo de cirurgia a ser realizada;
  4. Da presença de doença grave;
  5. Ea má nutrição.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — a presença prévia de um déficit cognitivo;

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Delirium pós-operatório: o fator de risco mais importante

Gabarito: letra A. O mais importante fator de risco para o desenvolvimento de delirium no pós-operatório é a presença prévia de déficit cognitivo — trata-se de um fator de risco independente e amplamente reconhecido na literatura geriátrica e cirúrgica. O comprometimento cognitivo subjacente reduz a reserva cerebral, tornando o paciente mais vulnerável ao insulto perioperatório. As demais alternativas (comprometimento funcional, tipo de cirurgia, doença grave e má nutrição) são fatores de risco relevantes, porém não são o principal preditor isolado.

O delirium é uma síndrome neuropsiquiátrica aguda e flutuante, caracterizada por perturbação da atenção e da consciência, frequentemente desencadeada por uma condição médica aguda, cirurgia ou uso de medicamentos. No contexto perioperatório, sua incidência é alta — pode atingir 46 a 82% dos idosos em UTI — e está associada a pior prognóstico, maior tempo de internação, declínio funcional e aumento da mortalidade. A fisiopatologia é multifatorial, envolvendo desequilíbrio de neurotransmissores (especialmente deficiência de acetilcolina), resposta inflamatória sistêmica e ativação da microglia.

A avaliação pré-operatória do idoso deve, portanto, incluir triagem cognitiva com instrumentos como Mini-Cog ou Montreal Cognitive Assessment (MoCA), além de avaliação funcional (velocidade da marcha, Timed Up and Go) e revisão de medicamentos. A identificação precoce do déficit cognitivo permite planejar estratégias preventivas no pós-operatório, como reorientação frequente, minimização de medicamentos deliriogênicos e intervenções multicomponentes.

A distinção crucial é entre fatores predisponentes (características prévias do paciente, como idade avançada, demência, déficits sensoriais) e fatores precipitantes (eventos agudos, como infecção, cirurgia, privação de sono). O déficit cognitivo prévio é o principal fator predisponente — ele determina a vulnerabilidade basal do paciente. Já o tipo de cirurgia, a doença grave e a má nutrição são fatores precipitantes ou agravantes, que atuam como gatilhos em um cérebro já vulnerável.

A pegadinha desta questão está em confundir fatores precipitantes (que desencadeiam o episódio) com o fator de risco mais importante (que é o estado basal do paciente). O candidato pode ser tentado a escolher "tipo de cirurgia" ou "doença grave", por serem fatores diretamente ligados ao ato cirúrgico, mas a literatura é clara: o déficit cognitivo prévio é o preditor mais forte e independente de delirium pós-operatório.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre fatores predisponentes e fatores precipitantes. O déficit cognitivo é um fator predisponente — ele existe antes da cirurgia e aumenta a vulnerabilidade do cérebro. Já o tipo de cirurgia, a doença grave e a má nutrição são fatores precipitantes — eles atuam como gatilhos agudos. A questão pergunta pelo "mais importante fator de risco", e isso aponta para o estado basal do paciente, não para o evento agudo. Guarde: predisponente = vulnerabilidade prévia; precipitante = gatilho agudo.

Delirium pós-operatório
  • 1Fatores predisponentes (vulnerabilidade basal)
    • Déficit cognitivo prévio (principal)
    • Idade avançada
    • Déficits sensoriais
  • 2Fatores precipitantes (gatilhos agudos)
    • Tipo de cirurgia
    • Doença grave
    • Má nutrição
    • Infecção
    • Privação de sono
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A presença prévia de déficit cognitivo é o fator de risco mais importante e independente para delirium pós-operatório. O comprometimento cognitivo subjacente — mesmo que leve, como no comprometimento cognitivo leve (CCL) — reduz a reserva cerebral e torna o paciente mais suscetível ao insulto perioperatório. A avaliação pré-operatória deve incluir triagem cognitiva (Mini-Cog, MoCA) para identificar esses pacientes e planejar medidas preventivas.

Alternativa B — ❌ Incorreta

O comprometimento funcional (prejuízo nas atividades de vida diária) é um fator de risco relevante e está associado a maior mortalidade pós-operatória, mas não é o principal preditor de delirium. Ele reflete a fragilidade global do paciente, porém o déficit cognitivo tem associação mais forte e direta com o delirium.

Alternativa C — ❌ Incorreta

O tipo de cirurgia é um fator precipitante — cirurgias de maior porte, como cardíacas e ortopédicas, aumentam o risco — mas não é o fator de risco mais importante. O estado cognitivo prévio do paciente modula o risco independentemente do procedimento.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A presença de doença grave (como sepse, insuficiência cardíaca ou escore APACHE II elevado) é um fator precipitante importante, mas não é o principal fator de risco. A doença grave atua como gatilho em um cérebro vulnerável; sem a vulnerabilidade prévia, o risco é menor.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A má nutrição é um fator de risco modificável e contribui para a fragilidade, mas não é o mais importante preditor de delirium pós-operatório. Ela atua de forma indireta, aumentando a suscetibilidade a infecções e complicações, mas o déficit cognitivo prévio tem impacto mais direto e significativo.

Gabarito: letra A — a presença prévia de déficit cognitivo é o mais importante fator de risco para delirium pós-operatório.

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