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Questão de Medicina — Endocrinologia — FGV 2024

MedicinaEndocrinologia
Código
fg083713
Banca
FGV
Órgão
EBSERH
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Área de Atuação - Medicina Paliativa
Um paciente masculino, de 57 anos, portador de tireoidite de Hashimoto e um nódulo em lobo esquerdo Bethesda VI em citologia medindo, em seu maior diâmetro, 4,2 cm, sem linfonodomegalias suspeitas, foi encaminhado para tireoidectomia total. Ao final da lobectomia esquerda, foi estimulado o nervo laríngeo recorrente e foi identificada uma diminuição de 70% da amplitude e aumento de 50% da latência em comparação com os valores iniciais da cirurgia. Foi descartado qualquer mal funcionamento ou interferência no monitor de nervo.A melhor conduta intraoperatória para esse paciente é:
  1. Afazer a lobectomia contralateral, pois sem isso o prognóstico do paciente será pior e o risco é baixo;
  2. Bencerrar a cirurgia, pois a lobectomia já é suficiente para o seu tratamento;
  3. Cfazer a lobectomia contralateral, caso o cirurgião seja de alto volume, uma vez que o risco de complicação é baixo;
  4. Dfazer uma dose de Iodo 131 de 250mCi para destruir o remanescente da glândula e eventuais metástases;
  5. Eencerrar a cirurgia, realizar videolaringoscopia pós-operatória, esperar recuperação da função da prega vocal e totalizar a tireoidectomia.
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GabaritoE — encerrar a cirurgia, realizar videolaringoscopia pós-operatória, esperar recuperação da função da prega vocal e totalizar a tireoidectomia.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Monitorização intraoperatória do nervo laríngeo recorrente em tireoidectomia

Gabarito: letra E. A diminuição de 70% da amplitude e o aumento de 50% da latência do sinal do nervo laríngeo recorrente durante a lobectomia esquerda indicam lesão neurológica iminente ou já instalada. A conduta correta é encerrar a cirurgia, realizar videolaringoscopia pós-operatória para avaliar a função da prega vocal e, após recuperação, totalizar a tireoidectomia em um segundo tempo. Essa abordagem visa evitar a paralisia bilateral das pregas vocais, complicação grave que pode levar a insuficiência respiratória e necessidade de traqueostomia.

A monitorização intraoperatória do nervo laríngeo recorrente (NLR) é uma ferramenta essencial na cirurgia de tireoide, pois permite a identificação e a avaliação funcional do nervo durante a dissecção. O nervo laríngeo recorrente é responsável pela inervação motora de todos os músculos intrínsecos da laringe, exceto o cricotireoideo, e sua lesão unilateral causa paralisia da prega vocal ipsilateral, resultando em disfonia, disfagia e risco de aspiração. A lesão bilateral, por sua vez, é uma emergência, pois ambas as pregas vocais param em posição paramediana, obstruindo a via aérea.

Os critérios eletromiográficos para alerta de lesão do NLR durante a cirurgia são baseados em alterações do sinal captado pelo monitor. Uma diminuição da amplitude do potencial de ação muscular composto (PAMC) em mais de 50% em relação ao valor basal, ou um aumento da latência em mais de 10%, são considerados sinais de lesão neurológica. No caso apresentado, a redução de 70% da amplitude e o aumento de 50% da latência são alterações significativas, indicando que o nervo sofreu um insulto durante a dissecção. A conduta recomendada nessa situação é interromper a cirurgia no lado afetado, evitando a manipulação adicional do nervo e prevenindo a progressão da lesão.

A decisão de encerrar a cirurgia e adiar a lobectomia contralateral é baseada no princípio de segurança do paciente. Se a cirurgia continuasse e o nervo contralateral também fosse lesado, o paciente desenvolveria paralisia bilateral das pregas vocais, com obstrução aguda da via aérea, necessitando de intubação ou traqueostomia de urgência. Ao interromper a cirurgia, permite-se que o nervo lesado se recupere, o que geralmente ocorre em semanas a meses, e a função da prega vocal seja reavaliada por videolaringoscopia. Somente após a confirmação da recuperação funcional, a tireoidectomia total pode ser completada em um segundo procedimento.

A alternativa E é a única que contempla essa sequência lógica e segura: encerrar a cirurgia, realizar videolaringoscopia pós-operatória, aguardar a recuperação da função da prega vocal e, então, totalizar a tireoidectomia. As demais alternativas propõem condutas inadequadas, como prosseguir com a lobectomia contralateral (A e C), encerrar a cirurgia sem planejamento de reabordagem (B) ou administrar iodo radioativo em dose elevada (D), que não é a conduta imediata para essa situação intraoperatória.

A pegadinha desta questão está em considerar que a lobectomia já é suficiente para o tratamento do carcinoma (Bethesda VI) ou que a cirurgia pode ser continuada com segurança. No entanto, a presença de um nódulo maligno de 4,2 cm indica a necessidade de tireoidectomia total para o tratamento adequado, mas a segurança do paciente deve ser priorizada. A conduta correta é adiar a totalização até a recuperação do nervo, evitando o risco de paralisia bilateral.

Alternativa A — ❌ Incorreta

A alternativa propõe fazer a lobectomia contralateral, pois sem isso o prognóstico seria pior e o risco seria baixo. No entanto, a alteração significativa do sinal do NLR (70% de redução da amplitude e 50% de aumento da latência) indica lesão neurológica iminente. Continuar a cirurgia no lado contralateral expõe o paciente ao risco de lesão bilateral do NLR, que pode causar obstrução aguda das vias aéreas. O risco não é baixo, e a conduta correta é interromper a cirurgia para preservar a função do nervo.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A alternativa sugere encerrar a cirurgia, pois a lobectomia já seria suficiente para o tratamento. No entanto, o paciente tem um carcinoma de tireoide (Bethesda VI) com nódulo de 4,2 cm, e a tireoidectomia total é o tratamento recomendado para reduzir o risco de recorrência e metástases. A lobectomia isolada não é suficiente para o controle oncológico adequado. Além disso, a alternativa não menciona a necessidade de reavaliação e planejamento de uma segunda cirurgia, o que é essencial.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A alternativa propõe fazer a lobectomia contralateral caso o cirurgião seja de alto volume, pois o risco de complicação seria baixo. No entanto, mesmo em mãos experientes, a lesão do NLR é uma complicação possível, e a alteração do sinal indica que o nervo já sofreu um insulto. Continuar a cirurgia aumenta o risco de lesão bilateral, independentemente da experiência do cirurgião. A conduta correta é interromper a cirurgia e aguardar a recuperação do nervo.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A alternativa sugere administrar uma dose de iodo 131 de 250 mCi para destruir o remanescente glandular e eventuais metástases. No entanto, essa conduta não é apropriada no intraoperatório. O iodo radioativo é utilizado no pós-operatório para ablação de remanescentes tireoidianos ou tratamento de metástases, mas não é uma medida imediata para lidar com a lesão do NLR. Além disso, a dose de 250 mCi é alta e não é a primeira escolha para ablação de remanescente em carcinoma de tireoide, que geralmente utiliza doses menores (30-150 mCi). A conduta correta é encerrar a cirurgia e planejar a reabordagem.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa E descreve a conduta correta: encerrar a cirurgia, realizar videolaringoscopia pós-operatória para avaliar a função da prega vocal, aguardar a recuperação da função e, então, totalizar a tireoidectomia. Essa abordagem é segura e evita o risco de paralisia bilateral das pregas vocais. A videolaringoscopia é essencial para documentar a paralisia e acompanhar a recuperação. Após a recuperação, a tireoidectomia total pode ser realizada com segurança, garantindo o tratamento oncológico adequado.

Gabarito: letra E

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