Questão de Português — Problemas da língua culta — FGV 2024
Português›Problemas da língua culta
Código
fg086941
Banca
FGV
Órgão
MinC
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Atividades Técnicas de Suporte
Na frase: “existem momentos na vida onde a questão de saber se se pode pensar diferentemente do que se pensa, e perceber diferentemente do que se vê, é indispensável para continuar a olhar ou a refletir”, assinale a alternativa que indica um problema de adequação à norma padrão da língua portuguesa.
AA repetição do termo “se” indica pobreza vocabular e ausência de recursos.
BO uso de vírgula antes do conectivo “e” aponta um problema de pontuação, uma vez que a conjunção já indica acréscimo de ideias.
CO excesso de verbos no infinitivo representa uma falha da não demarcação temporal na frase.
DO uso do pronome relativo “onde” sem indicação de lugar inscreve um equívoco no uso do elemento coesivo.
EA ausência de paralelismo sintático demarca um desequilíbrio entre as posições sintáticas dos períodos compostos.
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GabaritoD — O uso do pronome relativo “onde” sem indicação de lugar inscreve um equívoco no uso do elemento coesivo.
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Análise do Problema de Norma Padrão
Gabarito: letra D. O único problema real de adequação à norma padrão na frase é o uso do pronome relativo "onde" sem referência a lugar físico. Na oração "existem momentos na vida onde a questão...", "onde" retoma "momentos na vida" (ideia abstrata/temporal), o que fere a regra culta: "onde" só deve indicar lugar espacial. O correto seria "em que" ou "nos quais".
“...existem momentos na vida onde a questão...” → uso inadequado, pois "momentos" não é lugar.
Alternativa
Problema Apontado
Análise Normativa
Correto?
A
Repetição do termo “se” indica pobreza vocabular
Gramaticalmente normal (partícula apassivadora + pronome reflexivo/índice de indeterminação); recurso coesivo válido
❌
B
Vírgula antes do “e” é problema de pontuação
Facultativa e recomendada para clareza em orações coordenadas com sujeitos diferentes
❌
C
Excesso de verbos no infinitivo representa falha temporal
Infinitivo é forma nominal adequada para ações genéricas/abstratas; não há erro
❌
D
Uso do pronome relativo “onde” sem indicação de lugar
“Onde” exige antecedente de lugar físico; “momentos na vida” é abstrato/temporal; o correto seria “em que” ou “nos quais”
✅
E
Ausência de paralelismo sintático
Há paralelismo: “pensar diferentemente... e perceber diferentemente...” (estruturas simétricas)
❌
Alternativa A — ❌ Incorreta
A repetição do pronome "se" ("se se pode pensar") é gramaticalmente normal em língua portuguesa (partícula apassivadora + pronome reflexivo ou índice de indeterminação). Não há pobreza vocabular nem erro; é recurso coesivo válido. A alternativa extrapola ao julgar negativo o que é aceito pela norma.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A vírgula antes do "e" é facultativa e até recomendada para separar orações coordenadas com sujeitos diferentes ou para dar clareza. Na frase, há duas orações subordinadas substantivas justapostas ("pensar diferentemente..." e "perceber diferentemente..."), e a vírgula não constitui erro. A alternativa contradiz a prática normativa.
Alternativa C — ❌ Incorreta
O uso de infinitivos (“pensar”, “perceber”, “olhar”, “refletir”) é perfeitamente adequado para expressar ações genéricas ou impessoais. Não há falha temporal; o infinitivo é uma forma nominal que não marca tempo, mas isso é esperado em contextos abstratos. A alternativa extrapola ao considerar inadequado o que é normal.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Conforme demonstrado, "onde" remete a lugar, mas o antecedente é "momentos na vida" (tempo/abstração). A norma culta exige o uso de "em que" ou "nos quais". Trata-se de troca de conceito entre pronome relativo de lugar e de tempo.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Há paralelismo sintático na frase: "...saber se se pode pensar diferentemente do que se pensa, e perceber diferentemente do que se vê". As estruturas são simétricas (verbo no infinitivo + complemento). A alternativa contradiz o texto, pois não há desequilíbrio.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora o uso coloquial de "onde" para tempo/abstração, que muitos aceitam na fala, mas é condenado na norma padrão. É uma troca de termo.