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Questão de Medicina — Geriatria — FGV 2024

MedicinaGeriatria
Código
fg088699
Banca
FGV
Órgão
Prefeitura de Caraguatatuba - SP
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Médico Geriatra
Sobre a hipertensão arterial no idoso, avalie se as afirmativas a seguir são verdadeiras (V) ou falsas (F).( ) A meta de PAS < 120mmHg e PAD <80mmHg deve ser buscada independentemente da idade ou estado de fragilidade do idoso.( ) Os betabloqueadores estão indicados em condições específicas, como insuficiência cardíaca, pós- infarto agudo do miocárdio e angina.( ) Medicamentos como clonidina e metildopa não são recomendados para tratamento de rotina de HAS devido ao alto risco de hipotensão ortostática.As afirmativas são, respectivamente,
  1. AV – F – F.
  2. BV – F – V.
  3. CF – V – V.
  4. DF – F – V.
  5. EV – V – F.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — F – V – V.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Hipertensão arterial no idoso: metas pressóricas e escolha de anti-hipertensivos

Gabarito: letra C (F – V – V). A primeira afirmativa é falsa porque a meta de PAS < 120 mmHg não deve ser buscada independentemente da idade ou fragilidade — as diretrizes recomendam metas individualizadas, sendo < 130/80 mmHg para a maioria dos idosos e metas mais flexíveis para frágeis. A segunda é verdadeira: betabloqueadores têm indicação formal em condições específicas como insuficiência cardíaca, pós-infarto e angina. A terceira é verdadeira: clonidina e metildopa (simpatolíticos de ação central) não são recomendados como rotina devido ao risco de hipotensão ortostática e outros efeitos adversos.

A hipertensão arterial sistêmica (HAS) é extremamente prevalente no idoso, e o manejo exige individualização. A condição funcional do paciente é mais importante que a idade cronológica: idosos hígidos podem ter metas mais rígidas, enquanto idosos frágeis ou muito idosos necessitam de metas mais conservadoras para evitar hipotensão, quedas e eventos adversos. As diretrizes brasileiras de 2020 e 2025 recomendam, para a maioria dos idosos, meta de PA < 130/80 mmHg, mas para frágeis ou com expectativa de vida limitada, a PA deve ser reduzida ao valor máximo tolerado, com metas como PAS 140-149 mmHg. A meta de PAS < 120 mmHg é reservada a casos selecionados, como idosos < 80 anos, motivados e com ótima tolerabilidade — nunca como regra universal.

Na escolha do anti-hipertensivo, as classes preferenciais para idosos são diuréticos, bloqueadores de canais de cálcio (BCC), IECA e BRA, em monoterapia ou combinação. Os betabloqueadores (BB) não são primeira linha para HAS não complicada, mas têm indicação formal em condições específicas: insuficiência cardíaca, pós-infarto agudo do miocárdio e angina. Já os simpatolíticos de ação central (clonidina, metildopa) não são recomendados para tratamento de rotina devido ao alto risco de hipotensão ortostática, sedação e outros efeitos adversos, sendo reservados para situações especiais.

A banca explora a confusão entre metas rígidas universais e metas individualizadas, e entre classes de anti-hipertensivos de primeira linha versus aquelas com indicações específicas. O candidato que decora a meta < 140/90 mmHg sem considerar a individualização no idoso erra a primeira afirmativa. A distinção entre "meta universal" e "meta individualizada" é o critério decisivo.

Afirmativa

V/F

Justificativa

Meta de PAS < 120 mmHg e PAD < 80 mmHg independentemente da idade ou fragilidade

F

Metas individualizadas; < 130/80 mmHg para a maioria; mais flexíveis para frágeis

Betabloqueadores indicados em IC, pós-IAM e angina

V

Indicação formal em condições específicas

Clonidina e metildopa não recomendados para rotina

V

Alto risco de hipotensão ortostática e outros efeitos adversos

Afirmativa 1 — ❌ Falsa

A afirmativa propõe meta de PAS < 120 mmHg e PAD < 80 mmHg "independentemente da idade ou estado de fragilidade". Isso contraria as diretrizes: a meta de PAS < 120 mmHg é reservada a casos selecionados (idosos < 80 anos, motivados, com ótima tolerabilidade), e para idosos frágeis ou muito idosos recomenda-se metas mais flexíveis, como PAS 140-149 mmHg. A individualização é a regra, não a exceção.

Afirmativa 2 — ✅ Verdadeira

Os betabloqueadores estão indicados em condições específicas, como insuficiência cardíaca, pós-infarto agudo do miocárdio e angina. Embora não sejam primeira linha para HAS não complicada, têm indicação formal nessas comorbidades, conforme as diretrizes. A afirmativa está correta ao reconhecer essas indicações específicas.

Afirmativa 3 — ✅ Verdadeira

Clonidina e metildopa são simpatolíticos de ação central, que não são recomendados para tratamento de rotina da HAS devido ao alto risco de hipotensão ortostática, sedação e outros efeitos adversos. São reservados para situações especiais, como HAS refratária ou na gestação (metildopa). A afirmativa está correta.

NÃO CAIA NESSA!

A banca troca a meta universal (< 140/90 mmHg) pela meta rígida (< 120/80 mmHg) e apresenta como regra geral o que é exceção para casos selecionados. No idoso, a individualização é a regra — a meta de PAS < 120 mmHg só se aplica a idosos < 80 anos, motivados e com ótima tolerabilidade. Fique atento: a banca também pode trocar as indicações dos betabloqueadores (que são específicas, não de primeira linha) e o papel dos simpatolíticos centrais (que não são rotina).

PEGA ESSA DICA!

Para questões de HAS no idoso, lembre-se: (1) metas individualizadas conforme condição funcional; (2) classes de primeira linha: DIU, BCC, IECA/BRA; (3) BB para indicações específicas (IC, pós-IAM, angina); (4) simpatolíticos centrais (clonidina, metildopa) não são rotina. Monte uma tabela mental: | Classe | Indicação | | DIU, BCC, IECA/BRA | Primeira linha | | BB | IC, pós-IAM, angina | | Clonidina, metildopa | Não rotina |

Gabarito: letra C (F – V – V).

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