Questão de Medicina — Epidemiologia — FGV 2024
- Código
- fg088756
- Banca
- FGV
- Órgão
- Prefeitura de Caraguatatuba - SP
- Ano
- 2024
- Nível
- Superior
- Cargo
- Médico Infectologista
- AI, II e III.
- BI e II, apenas.
- CI e III, apenas.
- DII e III, apenas.
- EI, apenas.
GabaritoA — I, II e III.
Gabarito: letra A. Os três itens estão corretos: a vigilância da SRAG no Brasil, após as alterações de 2020, tem como objetivos identificar e monitorar a circulação e os padrões de ocorrência dos vírus respiratórios de importância para a saúde pública (I), monitorar a resistência dos vírus influenza e do SARS-CoV-2 aos antivirais disponíveis (II) e identificar grupos e fatores de risco para doenças causadas por esses vírus (III). Esses objetivos estão alinhados com as diretrizes do Ministério da Saúde para a vigilância sentinela de SRAG, que foi ampliada e fortalecida durante a pandemia de COVID-19.
A Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) é uma síndrome clínica que representa a forma mais grave das infecções respiratórias agudas, caracterizada por febre, tosse ou dificuldade respiratória, acompanhada de sinais de gravidade como dispneia, desconforto respiratório, saturação de O2 < 95% em ar ambiente ou cianose. A vigilância da SRAG é um componente essencial da vigilância epidemiológica de doenças respiratórias, pois permite o monitoramento contínuo da circulação de vírus respiratórios, a detecção precoce de surtos e epidemias, e a avaliação do impacto dessas infecções na população.
Antes de 2020, a vigilância da SRAG no Brasil era focada principalmente na influenza, com uma rede de unidades sentinela que coletava amostras de pacientes com síndrome gripal e SRAG para identificação viral. Com a pandemia de COVID-19, essa vigilância foi significativamente ampliada e reformulada para incluir o SARS-CoV-2, tornando-se uma ferramenta crucial para o monitoramento da pandemia. A partir de então, a vigilância passou a ter como objetivos não apenas identificar e monitorar a circulação dos vírus respiratórios, mas também monitorar a resistência aos antivirais e identificar grupos e fatores de risco, como os itens I, II e III descrevem.
O item I está correto porque a identificação e o monitoramento da circulação e dos padrões de ocorrência dos vírus respiratórios são a base da vigilância. Isso envolve a coleta de amostras clínicas de pacientes com SRAG, o teste laboratorial para identificar o agente etiológico (influenza, SARS-CoV-2, VSR, entre outros) e a análise dos dados para descrever a sazonalidade, a distribuição geográfica e as tendências temporais desses vírus. Essa informação é fundamental para orientar as medidas de prevenção e controle, como a vacinação e o uso de antivirais.
O item II também está correto. O monitoramento da resistência dos vírus influenza e do SARS-CoV-2 aos antivirais é um objetivo importante da vigilância, pois a emergência de cepas resistentes pode comprometer a eficácia do tratamento. Para a influenza, os antivirais como oseltamivir e zanamivir são monitorados quanto à resistência, e para o SARS-CoV-2, o monitoramento da resistência a antivirais como o remdesivir e o nirmatrelvir/ritonavir é uma preocupação crescente. Esse monitoramento é feito por meio de testes de suscetibilidade antiviral em amostras virais coletadas pela vigilância.
O item III está correto porque a identificação de grupos e fatores de risco para doenças causadas por vírus respiratórios é essencial para direcionar as ações de prevenção e controle. Grupos de risco incluem idosos, crianças pequenas, gestantes, imunossuprimidos e pessoas com comorbidades como doenças cardiovasculares, diabetes e obesidade. Fatores de risco podem incluir condições socioeconômicas, tabagismo, e exposição ocupacional. A vigilância da SRAG coleta dados sobre esses fatores para identificar quais grupos são mais vulneráveis e orientar políticas públicas, como a priorização da vacinação.
A banca explora a possibilidade de o candidato considerar o item II incorreto, pensando que a vigilância não monitora resistência antiviral. No entanto, esse é um objetivo explícito da vigilância de SRAG, especialmente após a pandemia, quando o monitoramento de resistência se tornou uma prioridade. A pegadinha está em subestimar a abrangência dos objetivos da vigilância, que vão além da simples identificação de casos.
Identificar e monitorar a circulação e os padrões de ocorrência dos vírus respiratórios de importância para a saúde pública é um objetivo central da vigilância da SRAG. Isso inclui a vigilância laboratorial de vírus como influenza, SARS-CoV-2, VSR, entre outros, e a análise de dados epidemiológicos para descrever a circulação viral. Esse monitoramento é fundamental para a detecção precoce de surtos e para orientar as medidas de controle.
Monitorar a resistência dos vírus influenza e do SARS-CoV-2 aos antivirais é um objetivo da vigilância, pois a resistência antiviral pode comprometer o tratamento. A vigilância realiza testes de suscetibilidade antiviral em amostras virais para detectar cepas resistentes e orientar as recomendações de tratamento. Esse monitoramento é especialmente importante para a influenza, onde a resistência ao oseltamivir já foi documentada, e para o SARS-CoV-2, com o uso crescente de antivirais.
Identificar grupos e fatores de risco para doenças causadas por vírus respiratórios é um objetivo da vigilância, pois permite direcionar as ações de prevenção e controle para as populações mais vulneráveis. A vigilância coleta dados sobre características demográficas, comorbidades e outros fatores de risco para identificar quais grupos são mais afetados e orientar políticas públicas, como a priorização da vacinação.
Conclusão: Todos os itens I, II e III estão corretos, portanto a alternativa correta é a letra A.
Gabarito: letra A
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