Questão de História — Período Colonial: produção de riqueza e escravismo — FGV 2024
História›Período Colonial: produção de riqueza e escravismo
Código
fg089212
Banca
FGV
Órgão
Prefeitura de Caraguatatuba - SP
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
PEB II - História
Leia o trecho a seguir:Vi por mandado de Sua Alteza este livro de Gramática e Diálogos compostos pelo Padre Jose de Anchieta, que foi da Companhia de Jesus no estado do Brasil. Nenhuma coisa tem contra nossa Sagrada Religião, nem bons costumes, mas muitas que servirão para melhor instrução dos catecúmenos e aumento da nova cristandade daquelas partes e para com mais facilidade e suavidade se plantar e dilatar nelas nossa Santa Fé.Adaptado de: ANCHIETA, Jose. Arte de Gramática da Língua mais usada na costa do Brasil, Coimbra, 1595.Trata-se do pedido de licença para a impressão da gramática da Língua Tupi escrita pelo jesuíta José Anchieta dirigida ao Tribunal do Santo Ofício. Com base no trecho, é correto afirmar que o conhecimento das línguas indígenas por parte da Ordem jesuíta no Brasil colonial
AContribuiu para o desenvolvimento da retórica jesuíta de convencimento da escravização indígena como sistema de trabalho.
BReafirmou a autonomia da ordem religiosa no território brasileiro em relação às instituições peninsulares para impressão de livros sobre conhecimentos locais.
CCorrespondeu ao objetivo dos jesuítas de alcançar o processo emancipatório religioso dos indígenas através da educação gramatical.
DFigurou o conhecimento e uso de elementos locais com o objetivo de atingir a compreensão indígena dos códigos católicos.
EConcorda com o uso da violência física, como os castigos, para conseguir o objetivo de evangelização e doutrinação dos indígenas.
Revelar gabarito e comentário▾
GabaritoD — Figurou o conhecimento e uso de elementos locais com o objetivo de atingir a compreensão indígena dos códigos católicos.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Jesuítas e o conhecimento das línguas indígenas no Brasil colonial
Gabarito: letra D. O trecho da licença para impressão da gramática tupi de Anchieta deixa claro que o objetivo era "melhor instrução dos catecúmenos" e "aumento da nova cristandade". Ou seja, os jesuítas usavam o conhecimento da língua nativa como instrumento de catequese — adaptavam elementos locais para transmitir a fé católica, não para emancipar, escravizar ou impor violência.
A questão testa a interpretação da fonte histórica. O pedido de licença ao Tribunal do Santo Ofício (Inquisição) demonstra que a ordem religiosa estava subordinada às instituições portuguesas, e não era autônoma. Além disso, o texto enfatiza o proselitismo religioso, não aspectos econômicos ou punitivos.
Jesuítas e línguas indígenas: Objetivo (Catequese, "Melhor instrução dos catecúmenos", "Aumento da nova cristandade"); Método (Uso de elementos locais (língua tupi), "Facilidade e suavidade"); Controle metropolitano (Submissão ao Santo Ofício, Dependência institucional); O que NÃO era (Escravização, Autonomia, Emancipação religiosa, Violência física)
Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que o conhecimento das línguas contribuiu para "convencimento da escravização indígena". O texto não menciona escravidão; o objetivo expresso é a "instrução dos catecúmenos" e a difusão da fé. A escravização indígena foi uma prática real, mas não é o tema do trecho.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Diz que a gramática "reafirmou a autonomia da ordem religiosa... em relação às instituições peninsulares". Ocorre justamente o contrário: a obra foi submetida ao Santo Ofício para licença, mostrando dependência e controle metropolitano sobre a produção intelectual religiosa.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Sugere que o objetivo era "alcançar o processo emancipatório religioso dos indígenas através da educação gramatical". O texto fala em "aumento da nova cristandade", ou seja, conversão ao catolicismo, não emancipação religiosa (que seria a liberdade de escolha ou autonomia espiritual).
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Afirma que o conhecimento de elementos locais (a língua tupi) foi usado para "atingir a compreensão indígena dos códigos católicos". É exatamente o que o trecho descreve: a gramática serviria "para com mais facilidade e suavidade se plantar e dilatar... nossa Santa Fé".
Alternativa E — ❌ Incorreta
Alega que a ação jesuíta concorda com "uso da violência física, como os castigos". Nada no texto menciona violência; ao contrário, fala em "suavidade" e "facilidade". Embora castigos tenham ocorrido na prática colonial, o trecho não os apoia.
PEGA ESSA DICA!
Ao interpretar documentos coloniais, preste atenção ao propósito explícito do autor. No caso, a licença afirma que a gramática não contém nada contra a religião e que ajudará na conversão. Isso descarta alternativas que fogem desse eixo (escravidão, autonomia, emancipação, violência).