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Questão de Medicina — Hematologia — FGV 2024

MedicinaHematologia
Código
fg090623
Banca
FGV
Órgão
Prefeitura de Macaé - RJ
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Médico Perito
Anemia aplástica é um grupo de distúrbios da medula óssea caracterizado por pancitopenia periférica e medula desprovida de células hematopoéticas, mas que mantém a arquitetura medular básica, com substituição das células hematopoéticas por gordura.A etiologia ocupacional tem sido descrita em trabalhadores expostos a diversos produtos tóxicos.Assinale a opção que apresenta a substância mais comumente associada à anemia aplásica de origem ocupacional.
  1. ACompostos arsenicais.
  2. BBenzeno.
  3. CChumbo.
  4. DOrganoclorados.
  5. EÓxido de etileno.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — Benzeno.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Anemia aplástica ocupacional: o papel do benzeno

Gabarito: letra B. O benzeno é a substância mais comumente associada à anemia aplástica de origem ocupacional, sendo um mielotóxico clássico que lesa diretamente as células-tronco hematopoéticas. Essa relação é amplamente reconhecida na literatura médica e em normas de saúde do trabalhador, como a NR-15 (Anexo 13-A), que lista o benzeno como agente cancerígeno e mielotóxico.

A anemia aplástica é uma síndrome de insuficiência medular caracterizada por pancitopenia periférica e medula óssea hipocelular, com substituição das células hematopoéticas por tecido adiposo. A etiologia pode ser congênita (anemia de Fanconi, disqueratose congênita, síndrome de Shwachman-Diamond) ou adquirida, sendo esta última frequentemente imunomediada, mas também associada a exposições tóxicas, infecções e fármacos. Entre os agentes ocupacionais, o benzeno se destaca como o principal mielotóxico, capaz de induzir não apenas anemia aplástica, mas também síndromes mielodisplásicas e leucemias, especialmente a leucemia mieloide aguda.

O mecanismo pelo qual o benzeno causa dano medular envolve seus metabólitos tóxicos (como o hidroquinona e o benzeno-óxido), que geram estresse oxidativo e dano ao DNA das células-tronco hematopoéticas, levando à apoptose e à depleção do pool de progenitores. Essa toxicidade é dose-dependente e pode ocorrer tanto em exposições agudas intensas quanto em exposições crônicas de baixa dose, como as observadas em trabalhadores da indústria química, petroquímica, de borracha, de tintas e de solventes.

É importante distinguir o benzeno de outras substâncias que também podem causar anemia aplástica, mas com menor frequência ou por mecanismos diferentes. Por exemplo, os compostos arsenicais (alternativa A) são mais conhecidos por causarem anemia hemolítica e neuropatia, embora também possam, em altas doses, deprimir a medula óssea. O chumbo (alternativa C) interfere na síntese do heme, causando anemia sideroblástica e microcítica, mas não é uma causa clássica de anemia aplástica. Os organoclorados (alternativa D) são neurotóxicos e hepatotóxicos, mas não são reconhecidos como mielotóxicos significativos. O óxido de etileno (alternativa E) é um agente alquilante usado na esterilização, que pode causar mielossupressão, mas é menos comum que o benzeno na prática ocupacional.

A banca explora a associação clássica entre exposição ocupacional e anemia aplástica, e o candidato deve reconhecer o benzeno como o agente mais emblemático. Essa questão é típica de provas de residência e concursos, onde se cobra o conhecimento das principais causas de doenças hematológicas relacionadas ao trabalho.

Anemia aplástica ocupacional
  • 1Benzeno (gabarito)
    • Mielotóxico clássico
    • NR-15 (Anexo 13-A)
    • Metabólitos tóxicos → dano ao DNA
    • Pode causar leucemia mieloide aguda
  • 2Outros agentes
    • Compostos arsenicais
      • Anemia hemolítica
      • Neuropatia
    • Chumbo
      • Anemia sideroblástica
      • Interfere na síntese do heme
    • Organoclorados
      • Neurotóxicos
      • Hepatotóxicos
    • Óxido de etileno
      • Mielossupressão
      • Menos comum
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Alternativa A — ❌ Incorreta

Os compostos arsenicais (arsênio e seus derivados) são mais frequentemente associados a anemia hemolítica, neuropatia periférica e lesões cutâneas, e não à anemia aplástica. Embora possam causar mielossupressão em altas doses, não são a causa ocupacional mais comum.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

O benzeno é a substância mais comumente associada à anemia aplástica de origem ocupacional. É um solvente aromático amplamente utilizado na indústria, e sua exposição crônica é um fator de risco bem estabelecido para aplasia de medula óssea, além de leucemias. A literatura médica e as normas regulamentadoras (NR-15, Anexo 13-A) reconhecem o benzeno como agente mielotóxico e cancerígeno.

Alternativa C — ❌ Incorreta

O chumbo é um metal pesado que interfere na síntese do heme, causando anemia sideroblástica e microcítica, com pontilhado basófilo nos eritrócitos. Não é uma causa clássica de anemia aplástica, pois não leva à aplasia medular.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Os organoclorados (como DDT, PCBs) são neurotóxicos e hepatotóxicos, mas não são reconhecidos como mielotóxicos significativos. Não há associação consistente com anemia aplástica ocupacional.

Alternativa E — ❌ Incorreta

O óxido de etileno é um gás usado na esterilização de materiais hospitalares. Pode causar mielossupressão, mas é menos comum que o benzeno como causa de anemia aplástica ocupacional. Além disso, sua principal toxicidade é neurológica e respiratória.

Gabarito: letra B

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