Questão de Medicina — Clínica Médica Humana — FGV 2024
Medicina›Clínica Médica Humana
Código
fg090650
Banca
FGV
Órgão
Prefeitura de Macaé - RJ
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Médico do Trabalho
Paciente de 30 anos, masculino, tabagista e usuário de maconha, deu entrada no Posto de Saúde com quadro de dor torácica de início súbito (sem história de trauma recente), dispneia, taquipneia, PA 100x70 mmHg, FC 110 bpm com ritmo sinusal.Realizada radiografia de tórax, representada na imagem abaixo.Assinale a opção que apresenta a principal hipótese diagnóstica para o caso.
AEmbolia pulmonar.
BPneumotórax.
CPneumonia fúngica.
DDerrame pleural.
EHemotórax.
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GabaritoB — Pneumotórax.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Pneumotórax espontâneo: diagnóstico pela radiografia de tórax
Gabarito: letra B. O quadro clínico — dor torácica de início súbito, dispneia, taquipneia, taquicardia e hipotensão leve — associado à radiografia de tórax que mostra a linha pleural visceral deslocada e a ausência de trama vascular periférica, configura pneumotórax espontâneo. O paciente jovem, tabagista e usuário de maconha tem fatores de risco clássicos para essa condição, e o exame de imagem é o padrão-ouro para o diagnóstico.
O pneumotórax é o acúmulo de ar no espaço pleural, que separa o pulmão da parede torácica. Quando esse ar se acumula, o pulmão colapsa parcial ou totalmente, comprometendo a ventilação e a troca gasosa. No caso de pneumotórax espontâneo, não há trauma prévio — o ar entra no espaço pleural por ruptura de uma bolha subpleural (bleb), comum em pacientes jovens, altos e magros, tabagistas ou usuários de maconha (que podem desenvolver bolhas por barotrauma ou por lesão pulmonar relacionada ao uso). A dor torácica é tipicamente súbita, unilateral, em pontada, e piora com a respiração; a dispneia e a taquipneia são proporcionais ao tamanho do colapso. Ao exame físico, espera-se diminuição ou abolição do murmúrio vesicular e hiper-ressonância à percussão no lado afetado — achados que, somados à radiografia, fecham o diagnóstico.
A radiografia de tórax em incidência posteroanterior (PA) em expiração é o exame inicial de escolha. No pneumotórax, ela revela a linha pleural visceral (fina linha branca que representa a pleura visceral descolada) e a ausência de trama vascular entre essa linha e a parede torácica. Em pneumotórax de pequeno volume, a radiografia em expiração pode facilitar a visualização, pois o pulmão colapsado fica mais denso e o ar pleural mais evidente. A tomografia computadorizada é mais sensível, mas raramente necessária para o diagnóstico inicial.
O diagnóstico diferencial da dor torácica súbita com dispneia inclui embolia pulmonar, infarto agudo do miocárdio, dissecção de aorta, pericardite e derrame pleural. A radiografia é o divisor de águas: na embolia pulmonar, costuma ser normal ou mostrar sinais inespecíficos (como atelectasia ou derrame pequeno); no pneumotórax, o achado é característico. A ausência de febre, tosse produtiva e consolidação afasta pneumonia; a ausência de trauma e o aspecto radiográfico (ar, não líquido) afastam hemotórax e derrame pleural.
A conduta depende do tamanho do pneumotórax e da estabilidade clínica. Pneumotórax pequeno (< 15-20% do hemitórax) em paciente estável pode ser tratado com observação e oxigenioterapia; pneumotórax maior ou sintomático requer drenagem torácica com dreno de tórax. O pneumotórax hipertensivo — emergência médica — cursa com desvio de traqueia, enfisema subcutâneo, hipotensão e choque, e exige descompressão imediata com agulha no segundo espaço intercostal na linha hemiclavicular.
Guarde o par radiografia + exame físico como o critério decisivo: a linha pleural visceral e a ausência de trama vascular são patognomônicos de pneumotórax, e a hipersonoridade com murmúrio vesicular abolido unilateralmente confirma a suspeita clínica. É exatamente nesse par que as alternativas se dividem.
Alternativa A — ❌ Incorreta
A embolia pulmonar (EP) também causa dor torácica súbita, dispneia e taquipneia, mas a radiografia de tórax costuma ser normal ou mostrar sinais inespecíficos (atelectasia, derrame pequeno, sinal de Westermark — oligoemia focal). O achado radiográfico de linha pleural visceral com ausência de trama vascular não é compatível com EP. Além disso, o paciente não apresenta fatores de risco clássicos para tromboembolismo (imobilização, cirurgia recente, neoplasia, trombofilia), e o uso de maconha e tabagismo apontam mais para doença bolhosa pulmonar.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
O pneumotórax espontâneo é a hipótese mais provável: dor torácica súbita unilateral, dispneia, taquipneia, taquicardia e hipotensão leve em paciente jovem tabagista e usuário de maconha. A radiografia de tórax mostra a linha pleural visceral deslocada e a ausência de trama vascular periférica — achado patognomônico. O exame físico confirmaria com hipersonoridade à percussão e diminuição do murmúrio vesicular no lado afetado.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Pneumonia fúngica é uma infecção pulmonar que cursa com febre, tosse produtiva, dor pleurítica e consolidação na radiografia. O paciente não tem febre nem tosse, e o quadro é de início súbito, não arrastado. A radiografia mostraria opacidade/consolidação, não linha pleural visceral com ar livre. O uso de maconha não é fator de risco específico para pneumonia fúngica em imunocompetente.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Derrame pleural é acúmulo de líquido no espaço pleural, causado por infecção, neoplasia, insuficiência cardíaca, embolia pulmonar, entre outros. Na radiografia, o derrame aparece como opacidade homogênea em declive (menisco costofrênico), não como linha pleural visceral com ar. O quadro clínico de dor súbita sem febre e sem fatores de risco para derrame (ICC, neoplasia, pneumonia) torna essa hipótese menos provável.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Hemotórax é acúmulo de sangue no espaço pleural, quase sempre pós-traumático (trauma contuso ou penetrante). O enunciado exclui explicitamente história de trauma recente. Na radiografia, o hemotórax aparece como opacidade (líquido), não como ar livre. Além disso, o paciente não apresenta sinais de hipovolemia significativa (a PA de 100x70 mmHg é limítrofe, mas a FC de 110 bpm pode ser explicada pela dor e pelo desconforto respiratório).
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre pneumotórax e embolia pulmonar, ambos com dor torácica súbita e dispneia. A chave é a radiografia: no pneumotórax, a linha pleural visceral e a ausência de trama vascular são patognomônicas; na EP, a radiografia costuma ser normal ou inespecífica. Além disso, o tabagismo e o uso de maconha são fatores de risco clássicos para doença bolhosa e pneumotórax espontâneo, não para EP.
PEGA ESSA DICA!
Na prova, ao ver dor torácica súbita + dispneia + radiografia com linha pleural visceral, o diagnóstico é pneumotórax. Memorize a tríade radiográfica: linha pleural visceral, ausência de trama vascular periférica e hipertransparência. E lembre: hemotórax e derrame pleural são líquido (opacidade), pneumotórax é ar (hipertransparência).