Questão de Medicina — Oncologia — FGV 2024
- Código
- fg090652
- Banca
- FGV
- Órgão
- Prefeitura de Macaé - RJ
- Ano
- 2024
- Nível
- Superior
- Cargo
- Médico do Trabalho
- ATabagismo.
- BDiabetes.
- CConsumo excessivo de álcool.
- DRadiação ionizante.
- ESobrepeso.
GabaritoD — Radiação ionizante.
Gabarito: letra D. O principal fator de risco ambiental estabelecido para gliomas (e para tumores cerebrais primários em geral) é a exposição à radiação ionizante — como radioterapia prévia ou exposição ocupacional. Nenhum outro agente ambiental, como tabagismo, álcool, diabetes ou sobrepeso, tem associação causal comprovada com esses tumores. Essa é a informação central que a questão cobra, e ela está diretamente ancorada no conhecimento oncológico atual.
Os gliomas são neoplasias malignas que se originam das células da glia — os astrócitos, oligodendrócitos e ependimócitos — e representam o tipo mais comum de tumor cerebral primário em adultos. A causa da maioria desses tumores permanece desconhecida, mas a literatura médica é clara ao apontar a radiação ionizante como o único fator de risco ambiental bem estabelecido. Isso significa que, entre as opções apresentadas, apenas a radiação ionizante tem evidência robusta de associação causal com o desenvolvimento de gliomas.
É importante entender por que os outros fatores aparecem como distratores. Tabagismo, consumo excessivo de álcool e sobrepeso são fatores de risco bem conhecidos para diversos outros tipos de câncer — como pulmão, boca, esôfago, fígado, mama e cólon — mas não para tumores do sistema nervoso central. O diabetes, por sua vez, é uma condição metabólica associada a complicações vasculares e a alguns tipos de câncer, mas não há evidência consistente de que aumente o risco de gliomas. A banca explora exatamente essa confusão: o candidato que conhece fatores de risco gerais de câncer pode ser tentado a marcar uma dessas opções, mas a especificidade da pergunta exige conhecimento sobre a etiologia dos tumores cerebrais.
Na prática clínica, a identificação de exposição prévia à radiação — por exemplo, radioterapia craniana na infância para tratar leucemia ou outros tumores — é um dado relevante na avaliação de um paciente com suspeita de glioma. Além disso, síndromes hereditárias como neurofibromatose tipos 1 e 2, esclerose tuberosa, doença de von Hippel-Lindau, síndrome de Li-Fraumeni e síndrome de Turcot aumentam o risco, mas representam menos de 1% dos casos. Esses fatores genéticos, no entanto, não aparecem nas alternativas, e a questão foca no fator ambiental mais importante.
A pegadinha central desta questão é a generalização indevida: o candidato pode aplicar o conhecimento de fatores de risco oncológicos gerais (tabagismo, álcool, obesidade) a um tumor específico, sem considerar que a etiologia dos gliomas é distinta. A radiação ionizante é o único fator com comprovação científica, e é exatamente isso que a alternativa D afirma.
O tabagismo é um fator de risco estabelecido para diversos cânceres, como pulmão, bexiga e pâncreas, mas não há evidência de associação com gliomas. A banca inclui essa opção para testar se o candidato sabe diferenciar os fatores de risco específicos de cada neoplasia.
O diabetes mellitus é uma condição metabólica associada a complicações cardiovasculares, renais e a alguns tipos de câncer (pâncreas, fígado, endométrio), mas não é fator de risco para tumores cerebrais primários. Não há mecanismo fisiopatológico comprovado ligando diabetes ao desenvolvimento de gliomas.
O consumo excessivo de álcool é fator de risco para cânceres de boca, faringe, laringe, esôfago, fígado e mama, mas não para gliomas. A associação entre álcool e tumores do SNC não é sustentada pela literatura.
A radiação ionizante é o único fator de risco ambiental comprovado para gliomas e outros tumores cerebrais primários. A exposição pode ocorrer por radioterapia terapêutica prévia (especialmente na infância) ou por exposição ocupacional. Essa é a resposta correta, pois reflete o conhecimento científico atual sobre a etiologia desses tumores.
O sobrepeso/obesidade é fator de risco para vários cânceres (mama pós-menopausa, cólon, endométrio, rim), mas não há associação estabelecida com gliomas. A obesidade não é considerada um fator de risco para tumores do sistema nervoso central.
A banca oferece fatores de risco comuns para outros tipos de câncer (tabagismo, álcool, sobrepeso) e uma condição metabólica (diabetes), tentando induzir o candidato a escolher um fator genérico. O único fator de risco ambiental estabelecido para gliomas é a radiação ionizante. Lembre-se: para tumores do SNC, a etiologia é diferente da maioria dos outros cânceres.
Quando a questão perguntar sobre fator de risco de um tumor específico, desconfie de opções que são fatores de risco gerais de câncer. Para gliomas, memorize: radiação ionizante é o único fator ambiental comprovado; síndromes hereditárias são raras (<1% dos casos).
Gabarito: letra D
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