Questão de Medicina — Clínica Médica Humana — FGV 2024
Medicina›Clínica Médica Humana
Código
fg090654
Banca
FGV
Órgão
Prefeitura de Macaé - RJ
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Médico do Trabalho
A espondilite anquilosante (EA) é uma doença inflamatória crônica, classificada no grupo das espondiloartrites, que acomete preferencialmente a coluna vertebral, podendo evoluir com rigidez e limitação funcional progressiva do esqueleto axial.Para o diagnóstico de doença estabelecida, são utilizados os critérios de classificação modificados de Nova Iorque: se o paciente apresentar, pelo menos, um critério clínico e um critério radiográfico, o mesmo é classificado como portador de EA.Assinale a opção que apresenta um critério para diagnóstico de EA.
ALombalgia inflamatória por 6 meses ou mais
BLimitação dos movimentos da coluna lombar nos planos sagital e frontal.
CRadiografia, com detecção de sacroileíte bilateral graus 3 e 4.
DExpansão torácica diminuída (inferior a 3cm).
ERadiografia com detecção de sacroileíte unilateral grau 4.
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GabaritoB — Limitação dos movimentos da coluna lombar nos planos sagital e frontal.
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Espondilite anquilosante: critérios modificados de Nova Iorque
Gabarito: letra B. A limitação dos movimentos da coluna lombar nos planos sagital e frontal é um dos critérios clínicos dos critérios de classificação modificados de Nova Iorque para espondilite anquilosante (EA). A questão cobra exatamente a literalidade desses critérios, que exigem, para o diagnóstico de doença estabelecida, pelo menos um critério clínico e um critério radiográfico.
A espondilite anquilosante é uma doença inflamatória crônica do grupo das espondiloartrites, que acomete preferencialmente o esqueleto axial, podendo levar à rigidez e à limitação funcional progressiva. O diagnóstico é essencialmente clínico-radiológico, e os critérios de classificação modificados de Nova Iorque são os mais utilizados para a doença estabelecida, ou seja, quando já há alterações radiográficas evidentes. Esses critérios dividem-se em dois grupos: clínicos e radiográficos.
Os critérios clínicos são três: (1) lombalgia inflamatória com duração de pelo menos 3 meses, que melhora com exercício e não melhora com repouso; (2) limitação dos movimentos da coluna lombar nos planos sagital e frontal; e (3) limitação da expansão torácica, corrigida para idade e sexo. Já os critérios radiográficos referem-se à sacroileíte, classificada em graus de 0 a 4: grau 0 (normal), grau 1 (suspeita), grau 2 (alterações mínimas), grau 3 (alterações inequívocas) e grau 4 (anquilose total). Para o critério radiográfico ser positivo, é necessária sacroileíte bilateral grau 2-4 ou unilateral grau 3-4.
A banca explora a confusão entre os critérios clínicos e radiográficos, e também entre os critérios de Nova Iorque e os critérios ASAS (Assessment of SpondyloArthritis International Society), que são usados para doença inicial. Os critérios ASAS exigem lombalgia inflamatória por mais de 3 meses e idade de início até 45 anos, além de sacroileíte em imagem ou HLA-B27 positivo com características de espondiloartrite. Já os critérios de Nova Iorque, para doença estabelecida, não incluem a duração da lombalgia como critério clínico, mas sim a limitação de mobilidade e a expansão torácica.
Na prática, a distinção crucial é: os critérios de Nova Iorque são para doença estabelecida (com dano estrutural visível na radiografia), enquanto os critérios ASAS são para doença inicial (sem dano estrutural, mas com sinais de atividade inflamatória). A questão pede especificamente um critério para o diagnóstico de EA pelos critérios modificados de Nova Iorque, e a alternativa B é a única que corresponde a um critério clínico desse sistema.
NÃO CAIA NESSA!
A banca mistura os critérios de Nova Iorque com os critérios ASAS. A lombalgia inflamatória por 6 meses (alternativa A) e a expansão torácica diminuída (alternativa D) parecem critérios clínicos, mas a primeira tem duração errada (o correto é 3 meses, e mesmo assim é critério ASAS, não de Nova Iorque) e a segunda, embora seja um critério clínico de Nova Iorque, está com o valor errado (o correto é inferior a 2,5 cm, não 3 cm). As alternativas C e E são critérios radiográficos, mas com graus incorretos: a sacroileíte bilateral deve ser grau 2-4, e a unilateral grau 3-4, não apenas graus 3 e 4 ou grau 4 isoladamente.
Critério Clínico (Nova Iorque)
Descrição Correta
Descrição Incorreta (pegadinha)
Lombalgia inflamatória
Duração ≥ 3 meses, melhora com exercício
Alternativa A: "6 meses ou mais" (erro de duração)
Limitação da coluna lombar
Movimentos nos planos sagital e frontal
— (alternativa B, correta)
Expansão torácica
Inferior a 2,5 cm (corrigida por idade/sexo)
Alternativa D: "inferior a 3 cm" (erro de valor)
Critério Radiográfico (Nova Iorque)
Descrição Correta
Descrição Incorreta (pegadinha)
:--
:--
:--
Sacroileíte bilateral
Grau 2–4
Alternativa C: "graus 3 e 4" (exclui grau 2)
Sacroileíte unilateral
Grau 3–4
Alternativa E: "grau 4" (exclui grau 3)
Alternativa A — ❌ Incorreta
A lombalgia inflamatória por 6 meses ou mais não é um critério dos critérios modificados de Nova Iorque. Nos critérios ASAS, a lombalgia inflamatória deve ter duração de pelo menos 3 meses (não 6), e mesmo assim é um critério de entrada para os critérios ASAS, não um critério clínico de Nova Iorque. Nos critérios de Nova Iorque, o critério clínico é "lombalgia inflamatória por pelo menos 3 meses", mas a alternativa erra ao dizer 6 meses.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A limitação dos movimentos da coluna lombar nos planos sagital e frontal é exatamente um dos três critérios clínicos dos critérios modificados de Nova Iorque. Este critério avalia a mobilidade da coluna lombar, que está comprometida na EA devido à inflamação e à anquilose progressiva. É um critério clínico, e a alternativa está correta.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A radiografia com detecção de sacroileíte bilateral graus 3 e 4 é um critério radiográfico, mas está incompleto. O critério radiográfico dos critérios de Nova Iorque exige sacroileíte bilateral grau 2-4 ou unilateral grau 3-4. A alternativa restringe a bilateral a graus 3 e 4, excluindo o grau 2, que também é suficiente. Portanto, está incorreta.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A expansão torácica diminuída é um critério clínico dos critérios de Nova Iorque, mas o valor está errado. O critério exige expansão torácica inferior a 2,5 cm (corrigida para idade e sexo), não inferior a 3 cm. A alternativa troca o valor, tornando-a incorreta.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A radiografia com detecção de sacroileíte unilateral grau 4 é um critério radiográfico, mas está incompleto. O critério radiográfico exige sacroileíte unilateral grau 3-4, não apenas grau 4. A alternativa exclui o grau 3, que também é suficiente. Portanto, está incorreta.