Questão de Medicina — Clínica Médica Humana — FGV 2024
- Código
- fg090656
- Banca
- FGV
- Órgão
- Prefeitura de Macaé - RJ
- Ano
- 2024
- Nível
- Superior
- Cargo
- Médico do Trabalho
- AQuetiapina.
- BHaloperidol.
- CClorpromazina.
- DClopazina.
- EOlanzapina.
GabaritoC — Clorpromazina.
Gabarito: letra C. A clorpromazina é contraindicada em pacientes em uso de levodopa, pois ambas as drogas atuam de forma antagônica no sistema dopaminérgico: a levodopa é precursora da dopamina (usada na doença de Parkinson) e a clorpromazina é um antipsicótico típico que bloqueia receptores dopaminérgicos, anulando o efeito terapêutico da levodopa e podendo piorar os sintomas parkinsonianos. Essa contraindicação está expressa no Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas do Ministério da Saúde para o transtorno esquizoafetivo, que lista, entre as contraindicações da clorpromazina, o "uso concomitante de levodopa".
O transtorno esquizoafetivo é uma condição psiquiátrica que combina sintomas de esquizofrenia (psicose) com sintomas de transtorno de humor (depressão ou bipolaridade). O tratamento farmacológico baseia-se em antipsicóticos, que podem ser típicos (como haloperidol e clorpromazina) ou atípicos (como quetiapina, olanzapina e clozapina). A escolha do antipsicótico deve considerar as comorbidades e as interações medicamentosas do paciente.
A levodopa é o principal medicamento para o tratamento da doença de Parkinson, atuando como precursora da dopamina no cérebro. Os antipsicóticos, por sua vez, bloqueiam os receptores de dopamina (D2), o que explica tanto sua eficácia antipsicótica quanto seus efeitos adversos extrapiramidais. Quando um paciente em uso de levodopa recebe um antipsicótico que bloqueia os receptores dopaminérgicos, o efeito da levodopa é reduzido, levando à piora dos sintomas parkinsonianos. Por isso, a contraindicação é específica para a clorpromazina, que tem um perfil de bloqueio dopaminérgico mais acentuado e é explicitamente listada no protocolo como contraindicada nessa situação.
As demais alternativas (quetiapina, haloperidol, clozapina e olanzapina) não apresentam essa contraindicação explícita no protocolo, embora todas possam ter efeitos extrapiramidais. A questão explora o conhecimento da interação medicamentosa específica entre a clorpromazina e a levodopa, que é uma contraindicação formal documentada.
A banca explora a confusão entre os antipsicóticos típicos e atípicos. O candidato pode pensar que todos os antipsicóticos são contraindicados com levodopa, mas a contraindicação formal é específica da clorpromazina. O haloperidol, embora também seja típico, não tem essa contraindicação explícita no protocolo — a clorpromazina é a única listada com essa restrição.
A quetiapina é um antipsicótico atípico, com menor afinidade pelos receptores D2 e menor risco de efeitos extrapiramidais. Não há contraindicação formal com levodopa no protocolo. O erro da alternativa é sugerir que ela seria contraindicada, quando na verdade é uma opção segura nesse contexto.
O haloperidol é um antipsicótico típico, com alto potencial de efeitos extrapiramidais, mas não é listado como contraindicado com levodopa no protocolo. A contraindicação específica é da clorpromazina. O erro é generalizar a contraindicação para todos os típicos, quando a restrição é pontual.
A clorpromazina é contraindicada em pacientes em uso de levodopa, conforme o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas do Ministério da Saúde para o transtorno esquizoafetivo. O quadro 2 do protocolo lista, entre as contraindicações da clorpromazina, o "uso concomitante de levodopa". Isso ocorre porque a clorpromazina bloqueia os receptores dopaminérgicos, anulando o efeito da levodopa e piorando os sintomas parkinsonianos.
A clozapina é um antipsicótico atípico, com baixa afinidade pelos receptores D2 e menor risco de efeitos extrapiramidais. Não há contraindicação formal com levodopa no protocolo. O erro é incluir a clozapina como contraindicada, quando ela é uma opção viável nesse contexto.
A olanzapina é um antipsicótico atípico, com perfil de efeitos adversos mais metabólicos do que extrapiramidais. Não há contraindicação formal com levodopa no protocolo. O erro é sugerir que ela seria contraindicada, quando na verdade é uma alternativa segura.
Gabarito: letra C — a clorpromazina é a única entre as opções com contraindicação explícita para uso concomitante com levodopa, conforme o protocolo do Ministério da Saúde.
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