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Questão de História — História do Brasil — FGV 2024

HistóriaHistória do Brasil
Código
fg090961
Banca
FGV
Órgão
Prefeitura de Macaé - RJ
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Professor C - História
Leia os fragmentos de texto a seguir.I. É ingênuo acreditar que numa fazenda de mil escravos predominava a doçura e a regalia. Não se pode correr o risco de promover uma redenção da escravidão sob as mãos cristãs, nem se pode ignorar a tipicidade da escravidão jesuítica. Segundo relatos e pesquisas, os escravos dos jesuítas ficavam, em determinadas situações, sob o regime mais abrandado. Porém, os mesmos argumentos de ilegitimidade da escravidão que moviam o combate à escravidão indígena não serviam ao escravo africano e não moveram as forças dos missionários.ROCHA, Ilana. Escravos da Nação: O público e privado na escravidão brasileira, 1760-186, Tese de doutorado, Universidade de São Paulo, 2012, p. 30. (Adaptado)II. É proverbial a benignidade, doçura e largueza, com que os jesuítas tratavam geralmente os seus escravos. Não se esqueciam de que eram homens. Toleravam-lhes faltas e concediam-lhes regalias, que mais ninguém lhes dava. Não os tendo como meio ganancioso de enriquecimento individual, senão por necessidade de assegurar a vida dos Colégios e da catequese, sucedia às vezes que, com os gastos desses trabalhadores, era mais a perda que o proveito.LEITE, Serafim. História da Companhia de Jesus no Brasil. Lisboa, Rio de Janeiro: Portugália, Civilização Brasileira, 1938, Tomo II, p. 352. (Adaptado)A respeito da escravidão africana praticada pelos jesuítas no período colonial do Brasil, assinale a afirmativa que interpreta corretamente os trechos acima.
  1. AO fragmento I afirma a especificidade da situação dos escravizados sob o domínio dos jesuítas, enquanto o fragmento II acredita que essa especificidade resultava em melhor tratamento, se comparados aos escravizados sob domínio senhorial.
  2. BO fragmento I entende que a utilização de mão de obra escravizada africana pelos jesuítas era uma prática justificável na época e, portanto, não contraditória, enquanto o II interpreta como uma contradição entre a posse e os princípios católicos.
  3. CO fragmento I percebe a condição de escravizado de uma perspectiva unidimensional, enquanto o fragmento II acredita que, devido ao caráter impessoal da propriedade jesuítica, o tratamento dado aos escravizados redimia o pecado entre os católicos.
  4. DOs fragmentos I e II entendem que, embora a propriedade escravizada dos jesuítas fosse diferente do domínio senhorial, o tratamento conferido aos escravos era equivalente, devido à sua condição jurídica.
  5. EOs fragmento I e II interpretam a escravidão praticada pelos jesuítas de maneira romântica, retratando-a como uma forma de tutela e meio para a salvação cristã dos escravizados africanos.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — O fragmento I afirma a especificidade da situação dos escravizados sob o domínio dos jesuítas, enquanto o fragmento II acredita que essa especificidade resultava em melhor tratamento, se comparados aos escravizados sob domínio senhorial.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Escravidão africana praticada pelos jesuítas no período colonial

Gabarito: letra A. O fragmento I (Ilana Rocha) destaca a especificidade da escravidão jesuítica ("tipicidade") e menciona que, em certas situações, o regime era "mais abrandado", mas critica a contradição de combater a escravidão indígena e tolerar a africana. O fragmento II (Serafim Leite) enfatiza a "benignidade, doçura e largueza" com que os jesuítas tratavam seus escravos, resultando em melhor tratamento comparado aos senhores comuns. Assim, a alternativa A capta corretamente a ideia de especificidade (I) e de melhor tratamento (II).

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

O fragmento I afirma que a escravidão jesuítica era "típica" e que, em determinadas situações, os escravos ficavam sob "regime mais abrandado", ou seja, uma especificidade. O fragmento II reforça essa especificidade ao relatar tratamento benigno e regalias, concluindo que os jesuítas tratavam seus escravos melhor que outros senhores. Portanto, a alternativa está correta.

Alternativa B — ❌ Incorreta

O fragmento I não afirma que a escravidão africana era "justificável" – ao contrário, aponta contradição entre combater a escravidão indígena e tolerar a africana. O fragmento II não interpreta a posse de escravos como contraditória com os princípios católicos; ele a justifica como necessária para a missão. Logo, B erra ao atribuir essas posições.

Alternativa C — ❌ Incorreta

O fragmento I não é "unidimensional": ele reconhece a especificidade do tratamento e critica a seletividade dos jesuítas. O fragmento II não fala em "caráter impessoal da propriedade" nem em "redimir o pecado". C distorce o conteúdo dos textos.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Ambos os fragmentos indicam que o tratamento era diferenciado (e não equivalente). O fragmento I fala em "regime mais abrandado" e o II em "regalias" e "perda em vez de proveito", evidenciando um tratamento melhor, não equivalente ao domínio senhorial.

Alternativa E — ❌ Incorreta

O fragmento I é crítico e não romantiza a escravidão jesuítica; o fragmento II, embora positivo, não a apresenta como "tutela" ou "meio de salvação cristã" – o foco é no tratamento material, não na salvação. E generaliza inadequadamente.

Conclusão: A alternativa A é a única que sintetiza corretamente a interpretação dos dois fragmentos: especificidade no trato (I) e melhor tratamento (II).

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