Questão de Português — Noções Gerais de Compreensão e Interpretação de Texto — FGV 2024
Português›Noções Gerais de Compreensão e Interpretação de Texto
Código
fg091580
Banca
FGV
Órgão
Prefeitura de São José dos Campos - SP
Ano
2024
Nível
Fundamental
Cargo
Agente de Serviços Gerais
Texto:
Crescimento Zero
Alex Grijelmo
Parece difícil que nos resignemos a não crescer.
O crescimento de qualquer de nossas posses forma parte das
ideias positivas. Hão de crescer as crianças, os músculos, os seios,
nossos negócios e, obviamente, também a economia. Este caso é,
porém, o mais transcendental, porque mesmo quando a
economia não cresce, dizemos que cresceu: porque “cresceu
zero”.
O eufemismo que está presente em “crescimento zero”
consegue unir um conceito positivo (crescimento) com outro
negativo (o não-crescimento), para neutralizar o efeito deste (e,
além disso, se apela a um número que não é exatamente
negativo: o zero).
Os economistas e os políticos empregam muito bem esses
vocábulos para contentar-nos, mesmo quando a economia
decresce, porque então falam de “crescimento negativo”.
Vejamos o lado bom da coisa, porque devemos agradecer o
fato de que as pessoas das ciências tenham sabido escolher
muito bem as palavras, ainda que seja para esconder os números.
O último parágrafo do texto mostra uma ironia contra
Aos pessimistas, que só enxergam o lado negativo.
Bos homens de ciência, que não prezam a linguagem.
Cos jornalistas que falseiam a verdade.
Dos que só veem o lado material das coisas.
Eos cientistas que se distanciam da realidade.
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GabaritoB — os homens de ciência, que não prezam a linguagem.
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Ironia contra os homens de ciência no último parágrafo
Gabarito: letra B. O último parágrafo do texto "Crescimento Zero" dirige uma ironia contra os homens de ciência, que não prezam a linguagem — alternativa B. A ironia está no elogio aparente: "devemos agradecer o fato de que as pessoas das ciências tenham sabido escolher muito bem as palavras, ainda que seja para esconder os números". O tom é crítico disfarçado: ao dizer que eles "sabem escolher bem as palavras", o autor revela que o fazem com o intuito de esconder a realidade, ou seja, não prezam a linguagem como instrumento de verdade, mas como ferramenta de manipulação. A alternativa B capta exatamente esse alvo e essa crítica.
Alternativa A — ❌ Incorreta
O texto não menciona pessimistas em nenhum momento. A ironia não tem qualquer relação com pessoas que "só enxergam o lado negativo". Trata-se de extrapolação: o candidato pode associar a crítica ao uso de eufemismos a uma postura pessimista, mas isso não está no texto.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Como demonstrado acima, o último parágrafo ironiza "as pessoas das ciências" (homens de ciência) pelo uso deliberado da linguagem para encobrir números desfavoráveis. A expressão "não prezam a linguagem" significa que a utilizam de forma enganosa, sem respeito à clareza e à verdade — exatamente o que o texto critica. Portanto, a alternativa está perfeitamente ancorada no trecho citado.
Alternativa C — ❌ Incorreta
O texto não faz qualquer referência a jornalistas. A crítica é dirigida a economistas e políticos ("pessoas das ciências"), não a profissionais da comunicação. Fora do escopo do texto.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Não há no texto menção a pessoas que "só veem o lado material das coisas". A discussão é sobre eufemismos econômicos, não sobre materialismo. Extrapolação sem base textual.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Embora o texto afirme que os cientistas usam palavras "para esconder os números", o que sugere um distanciamento da realidade, a ironia central está no mau uso da linguagem, não no distanciamento em si. A alternativa E troca o foco: o alvo da ironia é a falta de apreço pela linguagem honesta, e não o distanciamento da realidade (que é uma consequência, não o objeto da crítica). Trata-se de troca de conceito: a banca oferece uma ideia que parece correta, mas não corresponde ao núcleo da ironia.
NÃO CAIA NESSA!
A alternativa E confunde o leitor ao apresentar uma consequência lógica (distanciar-se da realidade) como se fosse o alvo da ironia, quando o texto critica diretamente a escolha das palavras com intuito de ocultar. A banca explora essa troca sutil.
Conclusão: A única alternativa que identifica corretamente o alvo da ironia e a crítica implícita é a letra B.