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Questão de Português — Coesão e coerência — FGV 2024

PortuguêsCoesão e coerência
Código
fg092137
Banca
FGV
Órgão
Prefeitura de São José dos Campos - SP
Ano
2024
Nível
Médio
Cargo
Guarda Civil Municipal - Reabertura
Em muitas frases, a expressão “é que” só tem valor enfático, não participando da estruturação sintática da frase.Assinale a frase – retirada do romance O Cortiço - em que essa expressão não tem valor enfático, ou seja, não pode ser retirada da frase.
  1. A- Deixa estar, conversava ele na cama com a Bertoleza; deixa estar que ainda lhe hei de entrar pelos fundos da casa, se é que não lhe entre pela frente!
  2. BAli onde está aquele homem é que deviam ter feito a broca, porque a explosão punha abaixo toda esta aba que é separada por um veio.
  3. CAcompanhando a pedreira pelo lado direito e seguindo-a na volta que ela dava depois, formando um ângulo obtuso, é que se via quanto era grande.
  4. DAquele é que devia ser o patrão, diziam. É um homem sério e destemido! Com aquele ninguém brinca!
  5. EEnfim, só o que afianço é que esta não está sujeita, como a Leocádia e outras, a pontapés e cachações de um bruto de marido!
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GabaritoE — Enfim, só o que afianço é que esta não está sujeita, como a Leocádia e outras, a pontapés e cachações de um bruto de marido!

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Valor enfático do 'é que' – identificação do uso estrutural

Gabarito: letra E. Apenas na alternativa E a expressão 'é que' não tem valor enfático, ou seja, não pode ser retirada da frase sem prejuízo sintático. Nas demais, o 'é que' é expletivo (realce) e sua remoção mantém a frase gramatical.

Como identificar?

A questão cobra a diferença entre:

  • 'É que' com valor enfático (expletivo): pode ser retirado sem comprometer a estrutura, apenas perdendo a ênfase. Exemplo: "Ele é que fez" → "Ele fez".

  • 'É que' como parte da estrutura sintática: quando 'é' é verbo principal (ser) e 'que' é conjunção integrante ou parte de uma construção como 'o que... é que'. Nesse caso, a retirada quebra a frase.

Alternativa

Trecho com "é que"

Valor enfático?

Pode ser retirado sem prejuízo sintático?

Justificativa

A

"...se é que não lhe entre..."

Sim

Sim

"Se é que" é locução conjuntiva, mas a retirada do "é que" mantém a frase gramatical ("se não lhe entre..."), apenas altera o sentido de dúvida.

B

"Ali onde está aquele homem é que deviam..."

Sim

Sim

Construção clivada; remove-se "é que" e a frase permanece íntegra ("Ali onde está aquele homem deviam ter feito a broca").

C

"...é que se via quanto era grande."

Sim

Sim

Mesmo caso de clivagem; a remoção mantém a estrutura ("...se via quanto era grande").

D

"Aquele é que devia ser o patrão..."

Sim

Sim

Clivagem típica; "Aquele devia ser o patrão" é gramatical.

E

"...só o que afianço é que esta não está sujeita..."

Não

Não

"É" é verbo principal (ser) e "que" é conjunção integrante; a estrutura "o que... é que" é parte da oração principal. Retirar "é que" quebra a frase.

Análise das alternativas

Alternativa A — ❌ Incorreta

"... se é que não lhe entre pela frente!"

Aqui 'é que' integra a expressão fixa 'se é que' (que equivale a 'se porventura', 'caso'). Embora 'se é que' seja uma locução conjuntiva, a retirada do 'é que' isoladamente prejudicaria a expressão. Contudo, a banca considerou que a expressão 'se é que' funciona como um bloco, e a questão pede a que 'não pode ser retirada'. No entanto, o gabarito oficial aponta E, indicando que em A o 'é que' ainda pode ser suprimido ("se não lhe entre...") sem quebrar a sintaxe, apenas perdendo a noção de dúvida. De todo modo, a alternativa A não é a resposta.

Alternativa B — ❌ Incorreta

"Ali onde está aquele homem é que deviam ter feito a broca..."

Construção clivada: 'é que' introduz o foco. Remove-se: "Ali onde está aquele homem deviam ter feito a broca." Frase gramatical e com sentido. Logo, 'é que' é enfático e removível.

Alternativa C — ❌ Incorreta

"... é que se via quanto era grande."

Mesmo caso: 'é que' após adjunto adverbial longo. Remoção: "Acompanhando a pedreira... se via quanto era grande." Perde ênfase, mas mantém estrutura.

Alternativa D — ❌ Incorreta

"Aquele é que devia ser o patrão..."

Clivagem: "Aquele devia ser o patrão" – removível.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"Enfim, só o que afianço é que esta não está sujeita..."

A estrutura é: 'só o que afianço' (sujeito) + 'é' (verbo de ligação) + 'que' (conjunção integrante) + oração subordinada substantiva predicativa. Se retirarmos 'é que', a frase fica: "só o que afianço esta não está sujeita" – agramatical, pois o verbo 'é' é necessário para ligar o sujeito ao predicativo. Portanto, 'é que' não tem valor enfático e não pode ser removido.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre o 'é que' das clivadas (enfático, removível) e o 'é que' estrutural (verbo + conjunção). Em E, o 'é' é verbo, e o 'que' é conjunção integrante — ambos indispensáveis.

PEGA ESSA DICA!

Para testar se 'é que' é enfático, retire-o e veja se a frase continua gramatical. Se precisar de ajustes (como acrescentar verbo), então não é enfático.

Conclusão: Somente na letra E o 'é que' exerce função sintática essencial, não podendo ser suprimido. Gabarito: letra E.

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