Questão de Português — Problemas da língua culta — FGV 2024
Português›Problemas da língua culta
Código
fg092141
Banca
FGV
Órgão
Prefeitura de São José dos Campos - SP
Ano
2024
Nível
Médio
Cargo
Guarda Civil Municipal - Reabertura
Assinale a frase em que a repetição das palavras sublinhadas é condenável.
ANas crises políticas, para o homem honrado, o mais difícil não é o homem honrado cumprir o seu dever e sim saber qual é esse dever.
BPolítica é a arte de fazer hoje os erros do amanhã, sem esquecer dos erros de ontem.
CSabes vencer, Aníbal; o que não sabes é aproveitar a vitória.
DA boa notícia é que a guerra do Vietnã acabou. A má notícia é que perdemos. – Repetição com determinantes diferentes
EO começo de deter uma revolução é no começo, não no fim.
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GabaritoA — Nas crises políticas, para o homem honrado, o mais difícil não é o homem honrado cumprir o seu dever e sim saber qual é esse dever.
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Repetição condenável – pleonasmo vicioso vs. figuras de linguagem
Gabarito: letra A. A única frase em que a repetição das palavras sublinhadas é condenável (pleonasmo vicioso) é a alternativa A, pois repete-se desnecessariamente o termo "homem honrado" sem qualquer valor estilístico. Nas demais alternativas, a repetição possui função expressiva (anáfora, paralelismo, contraste) e, portanto, é aceitável como figura de linguagem.
PEGA ESSA DICA!
Antes de julgar, identifique se a repetição tem função retórica: ênfase, paralelismo, antítese. Se puder ser substituída por pronome sem perda de sentido, é provável que seja redundância condenável.
Análise das alternativas
Alternativa A — ✅ Correta (condenável) ⟵ GABARITO
"Nas crises políticas, para o homem honrado, o mais difícil não é o homem honrado cumprir o seu dever e sim saber qual é esse dever."
A repetição exata de "homem honrado" é desnecessária: o termo já foi introduzido na locução "para o homem honrado" e poderia ser substituído por um pronome ("ele") sem prejuízo de sentido. Não há intenção retórica clara (ênfase, paralelismo ou contraste), configurando pleonasmo vicioso — vício de linguagem caracterizado pela repetição desnecessária de uma ideia (conforme o material de apoio).
NÃO CAIA NESSA!
O candidato pode achar que qualquer repetição é erro, mas aqui a repetição é realmente condenável. É a única opção em que não há figura de linguagem.
Alternativa B — ❌ Incorreta (não condenável)
"Política é a arte de fazer hoje os erros do amanhã, sem esquecer dos erros de ontem."
A repetição de "erros" ocorre em paralelismo sintático, com complementos diferentes ("do amanhã" / "de ontem"). Isso confere equilíbrio e ênfase, caracterizando anáfora (figura de construção). Não é redundância, e sim recurso estilístico.
Alternativa C — ❌ Incorreta (não condenável)
"Sabes vencer, Aníbal; o que não sabes é aproveitar a vitória."
A repetição do verbo "sabes" em orações contrastantes (afirmativa × negativa) realça a oposição entre as habilidades do personagem. Trata-se de antítese combinada com anáfora, recurso expressivo legítimo.
Alternativa D — ❌ Incorreta (não condenável)
"A boa notícia é que a guerra do Vietnã acabou. A má notícia é que perdemos."
A repetição de "notícia" com determinantes diferentes (boa / má) é intencional para criar contraste irônico. É uma anáfora com valor expressivo, não havendo redundância.
Alternativa E — ❌ Incorreta (não condenável)
"O começo de deter uma revolução é no começo, não no fim."
A repetição de "começo" reforça a ideia de que a ação deve ser tomada logo no início. Embora possa parecer redundante à primeira vista, tem função enfática e é aceita como figura (diacope ou anáfora). Não é considerada condenável na língua culta.
Conclusão: Apenas a alternativa A apresenta repetição desnecessária, sem valor estilístico, configurando pleonasmo vicioso. Portanto, gabarito: letra A.