Um dos problemas mais frequentes na produção de um texto é a possível ambiguidade de algum termo; assinale a frase abaixo em que há ambiguidade provocada pela má colocação de um dos seus termos.
AO senador falou com o repórter na porta de seu gabinete.
BO deputado e a deputada casaram-se no mês passado.
CO que agora é provado foi uma vez apenas imaginado.
DO porteiro falou com o deputado que mora perto daqui.
EA demissão do presidente foi muito comentada.
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GabaritoC — O que agora é provado foi uma vez apenas imaginado.
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Ambiguidade por má colocação de termo
Gabarito: letra C. A ambiguidade na frase C decorre da posição do advérbio "apenas" depois de "uma vez", o que permite duas interpretações: "foi apenas imaginado" (sentido de "somente imaginado") ou "foi imaginado apenas uma vez" (sentido de "uma única vez"). A má colocação do termo "apenas" gera essa dupla leitura, configurando o fenômeno pedido no enunciado.
PEGA ESSA DICA!
Ambiguidade por má colocação ocorre quando a posição de uma palavra (advérbio, pronome, etc.) no período permite mais de uma interpretação sintática ou semântica. Compare a posição original com a reescrita para verificar se há clareza.
Alternativa A — ❌ Incorreta
A frase "O senador falou com o repórter na porta de seu gabinete" apresenta ambiguidade no referente do possessivo "seu" (gabinete do senador ou do repórter), mas essa ambiguidade é de referência pronominal, não provocada pela colocação do termo. O pronome "seu" está em posição normal (antes do substantivo) e a ambiguidade decorre da existência de dois antecedentes possíveis, não de má colocação.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Em "O deputado e a deputada casaram-se no mês passado", a ambiguidade é lexical: o verbo "casar-se" pode ser recíproco (um com o outro) ou reflexivo (cada um casou com outra pessoa). Não há termo mal colocado; a estrutura está correta, e o sentido ambíguo vem do próprio verbo.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A frase "O que agora é provado foi uma vez apenas imaginado" tem o advérbio "apenas" posposto a "uma vez". Essa colocação gera duas possibilidades de interpretação:
"apenas" modifica "imaginado" → "foi apenas imaginado" (ou seja, não passou de imaginação);
"apenas" modifica "uma vez" → "foi imaginado apenas uma vez" (ou seja, ocorreu uma única vez).
A posição do termo "apenas" é a causa direta da ambiguidade, pois, se estivesse antes do verbo ("foi apenas imaginado uma vez") ou antes de "uma vez" ("foi apenas uma vez imaginado"), a leitura seria unívoca. Portanto, a má colocação de "apenas" é o que provoca a duplicidade de sentido.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Em "O porteiro falou com o deputado que mora perto daqui", a oração adjetiva "que mora perto daqui" está imediatamente após "deputado", sendo este o antecedente natural. Não há ambiguidade: o deputado é quem mora perto. A colocação está clara.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A frase "A demissão do presidente foi muito comentada" apresenta ambiguidade estrutural (genitivo subjetivo ou objetivo: o presidente demitiu alguém ou foi demitido?), mas essa ambiguidade é inerente à construção sintática "substantivo + complemento com de", e não decorre da má colocação de um termo. A ordem das palavras está fixa e correta; o problema está na relação semântica do complemento.
Conclusão: apenas a alternativa C apresenta ambiguidade gerada pela posição inadequada de um termo ("apenas"), conforme exigido pelo enunciado. As demais alternativas ou são inequívocas ou apresentam ambiguidade de outra natureza.