Estratégia Argumentativa no Sermão do Mandato
Gabarito: letra C. A argumentação de Vieira consiste em um raciocínio lógico-dedutivo que utiliza condicionais ("Se amo...") para implicar uma conclusão sobre a natureza do "amor fino", caracterizando a lógica implicativa.
"O amor fino não busca causa nem fruto. Se amo, porque me amam, tem o amor causa; se amo, para que me amem, tem fruto: e amor fino não há de ter porquê, nem para quê".
O autor estabelece duas premissas condicionais: (1) se amo por ser amado, então o amor tem causa; (2) se amo para ser amado, então o amor tem fruto. A partir disso, conclui que o amor fino (verdadeiro) não pode ter causa nem fruto, ou seja, não deve ter "porquê" nem "para quê". Esse encadeamento lógico de "se... então" leva a uma conclusão necessária, que é a essência da lógica implicativa.
Estratégia Argumentativa | Descrição no Trecho | Relação com o Texto | Conclusão |
|---|
Lógica Implicativa (C) | Uso de condicionais ("Se amo...") para deduzir uma conclusão necessária | "Se amo, porque me amam, tem o amor causa; se amo, para que me amem, tem fruto" → "amor fino não há de ter porquê, nem para quê" | O raciocínio parte de premissas (causa/fruto) e implica logicamente a definição de amor fino |
Analogia (A) | Comparação entre elementos semelhantes | Não há paralelo analógico no texto | ❌ Incorreta: o texto usa condicionais, não analogia |
Apelo a Fatos (B) | Uso de evidências empíricas para convencer | O texto é conceitual, sem fatos concretos | ❌ Incorreta: foge ao tema (fatos não estão presentes) |
Indução (D) | Generalização a partir de casos particulares | O movimento é dedutivo (premissas gerais → conclusão particular) | ❌ Incorreta: troca indução por dedução |
Questionamento de Premissas (E) | Contestação das bases do argumento | As premissas são aceitas, não questionadas | ❌ Incorreta: a conclusão decorre por implicação, não por refutação |
Alternativa A — ❌ Incorreta
A argumentação não se baseia em analogias (comparações entre elementos semelhantes). Vieira usa condicionais lógicas, não paralelos analógicos. Erro: troca de conceito (confunde analogia com implicação lógica).
Alternativa B — ❌ Incorreta
O texto não recorre a fatos empíricos; é puramente conceitual e lógico. A persuasão não se dá por fatos, mas por raciocínio. Erro: fuga ao tema (traz elemento estranho "fatos").
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Conforme demonstrado, o trecho estrutura-se com premissas condicionais que implicam uma conclusão, caracterizando a lógica implicativa.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Pensamento indutivo parte de casos particulares para uma generalização. Aqui, o movimento é dedutivo: das premissas gerais (definição de amor) para a conclusão particular. Erro: troca de conceito (indução x dedução).
Alternativa E — ❌ Incorreta
Não há questionamento das premissas; as premissas são aceitas e delas se extrai a conclusão. A conclusão é obtida por implicação, não por contestação. Erro: troca de conceito (questionar premissas é próprio da refutação, não da implicação).
Gabarito: letra C