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Questão de História — História do Brasil — FGV 2024

HistóriaHistória do Brasil
Código
fg093207
Banca
FGV
Órgão
Prefeitura de Vitória - ES
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
PEB III - História
Avancemos um pouco mais no tempo e tomemos como objeto a produção dos historiadores relativa ao que se convencionou chamar de transição política rumo a um regime democrático no país. Como é costume acontecer, há várias propostas que buscam situar no tempo esse processo. Para alguns, a transição política deu-se na passagem da ditadura militar para um regime civil, ou seja, mais ou menos entre 1974 e 1985 – quando José Sarney tomou posse. Para outros, estes mais preocupados com a institucionalidade e a clássica questão da legitimidade, sugerem que a transição se completa com a promulgação da constituição de 1988 e a eleição pelo voto popular do Presidente da república, no caso, Fernando Collor. Por fim, há os que colocam em xeque tanto o modus operandi da transição, como o processo de institucionalização democrática, considerando o regime civil, daí resultando em uma experiência política marcadamente conservadora e limitada, e, portanto, distante do que se poderia chamar de democracia.(FREIRE, Américo. Democracia brasileira em foco: historiografia, atores e proposições. Salvador: Saga, 2019. p. 14).Apesar de existir diferenças na produção historiográfica sobre o período pós-ditadura, é possível identificar algumas proximidades entre elas.Para analisar o elemento comum dessa produção devemos considerar
  1. Aa concepção da democracia como instrumento da dominação burguesa.
  2. Ba defesa da atuação dos militares como fator de equilíbrio na transição política.
  3. Ca presença de aportes teóricos da História política francesa.
  4. Do apagamento da participação da classe operária no processo político.
  5. Ea crítica ao uso da memória no campo da História política em razão de sua subjetividade.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — a presença de aportes teóricos da História política francesa.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Elemento comum na historiografia sobre a transição democrática brasileira

Gabarito: letra C. As três correntes historiográficas descritas no texto compartilham o uso de aportes teóricos da História política francesa, especialmente no que se refere aos conceitos de institucionalidade, legitimidade e transição, que são centrais na chamada "nova história política" (René Rémond, Pierre Rosanvallon). As demais alternativas apontam interpretações particulares que não são comuns a todas as posições.

A questão testa a capacidade de identificar o fio condutor comum entre diferentes abordagens historiográficas. O texto apresenta três visões distintas sobre o período pós-ditadura: (1) ênfase na passagem do regime militar para o civil (1974-1985); (2) ênfase na institucionalidade e legitimidade (Constituição de 1988 e eleição de Collor); (3) crítica à transição como conservadora e limitada. Apesar das diferenças, todas dialogam com o campo da história política francesa, que fornece categorias como transição, institucionalização e democracia.

NÃO CAIA NESSA!

A alternativa A (democracia como instrumento da dominação burguesa) pode parecer atraente para quem associa a crítica à transição com uma leitura marxista, mas essa visão é específica da terceira corrente, não comum a todas. Já a alternativa E (crítica ao uso da memória) não está presente no texto. O ponto central é que as três correntes operam com conceitos da história política francesa, como institucionalidade e legitimidade.

Alternativa A — ❌ Incorreta

A concepção da democracia como instrumento da dominação burguesa é própria de uma leitura marxista ou gramsciana, que pode estar presente na terceira corrente (crítica ao caráter conservador da transição), mas não é um elemento comum às posições que destacam a institucionalidade ou a simples transição de poder.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A defesa da atuação dos militares como fator de equilíbrio seria típica de uma visão conservadora ou mesmo de setores militares, mas não é compartilhada pelas correntes que criticam a transição ou que enfatizam a legitimidade democrática. O texto não sugere essa proximidade.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A presença de aportes teóricos da História política francesa é o elemento comum. A primeira corrente fala em "transição" (conceito caro à história política francesa); a segunda em "institucionalidade" e "legitimidade" (eixos da nouvelle histoire politique); a terceira critica o "modus operandi" da transição e a "institucionalização democrática", também com ferramentas dessa tradição. A influência francesa na historiografia brasileira é notória, como exemplificado pelo positivismo de Auguste Comte na República Velha (conforme o texto de apoio sobre a Primeira República).

Alternativa D — ❌ Incorreta

O apagamento da participação da classe operária não é mencionado no texto e, se ocorre em alguma análise, não é um traço comum a todas as correntes. A terceira corrente critica o caráter conservador, mas não necessariamente aponta o apagamento operário.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A crítica ao uso da memória por sua subjetividade é um debate mais recente na historiografia, ligado à história oral e à memória coletiva. O texto não aborda essa questão; as preocupações são com transição, institucionalidade e legitimidade.

Gabarito: letra C.

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