Pular para o conteúdo principal

Questão de História — Fundamentos da História : Tempo, Memória e Cultura — FGV 2024

HistóriaFundamentos da História : Tempo, Memória e Cultura
Código
fg093217
Banca
FGV
Órgão
Prefeitura de Vitória - ES
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
PEB III - História
A Nova História, que se propagou nos meios acadêmicos nos anos 60 e 70, tinha em suas origens duas inspirações básicas – a dos Annales e a do marxismo. Naquele período, a influência da Nouvelle Histoire assentava-se principalmente no prestígio então alcançado pela chamada história quantitativa, ou serial, cujos êxitos em campos como o da história econômica, social e demográfica, levavam muitos historiadores crer que aquele era o caminho rumo a uma História realmente científica.(FALCON, Francisco José Calazans. Estudos de teoria da História e historiografia: teoria da História. São Paulo; Hucitec, 2011. p. 62).Apesar das diferenças entre as três gerações dos Annales, é possível identificar um chão comum. Para analisar os pontos em comum que marcam a trajetória da produção historiográfica das três gerações dos Annales, devemos considerar
  1. Aa ênfase na trajetória de indivíduos em suas relações com a estrutura social.
  2. Ba abordagem microscópica dos fenômenos sociais de modo a superar as grandes narrativas.
  3. Ca prática da interdisciplinaridade de modo a conferir o caráter de ciência à História.
  4. Da ênfase no estudo da ação humana e suas subjetividades.
  5. Ea estreita relação com a filosofia para a definição epistemológica do campo da História.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — a prática da interdisciplinaridade de modo a conferir o caráter de ciência à História.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Escola dos Annales: o traço comum entre as gerações

Gabarito: letra C. O ponto central que une as três gerações dos Annales (fundadores, Braudel e Nova História) é a prática da interdisciplinaridade, incorporando métodos de outras ciências sociais para conferir à História um caráter científico. Esse compromisso com uma história total e multifacetada atravessa toda a trajetória do movimento.

A questão exige conhecimento sobre a historiografia dos Annales, movimento que revolucionou a História ao propor o diálogo com a sociologia, economia, geografia, antropologia e demografia. O enunciado menciona a história quantitativa/serial como expressão do prestígio da Nova História, mas o traço comum é mais amplo.

Geração dos Annales

Ênfase principal

Abordagem metodológica

Relação com outras disciplinas

Objetivo central

1ª geração (Bloch, Febvre)

Estruturas sociais e econômicas

História-problema, análise de conjunturas

Diálogo com sociologia, geografia e economia

Romper com a história positivista e factual

2ª geração (Braudel)

Longa duração e estruturas geohistóricas

História serial e quantitativa (tempo geográfico, social, individual)

Integração com demografia, geografia e economia

Construir uma história total e científica

3ª geração (Nova História)

Mentalidades, cultura e micro-história

História serial ampliada, abordagem qualitativa e quantitativa

Interdisciplinaridade com antropologia, psicologia e demografia

Expandir o campo histórico para novos objetos e métodos

11ª geração (Bloch, Febvre)
História social e econômica
Interdisciplinaridade
22ª geração (Braudel)
Longa duração
História serial/quantitativa
33ª geração (Nova História)
História cultural e das mentalidades
Micro-história
4Traço comum
Interdisciplinaridade
História como ciência
Escola dos Annales
LEVELsoulevel.com.br
Escola dos Annales: 1ª geração (Bloch, Febvre) (História social e econômica, Interdisciplinaridade); 2ª geração (Braudel) (Longa duração, História serial/quantitativa); 3ª geração (Nova História) (História cultural e das mentalidades, Micro-história); Traço comum (Interdisciplinaridade, História como ciência)

Alternativa A — ❌ Incorreta

A ênfase na trajetória de indivíduos não é o fio condutor das três gerações. Os Annales priorizam estruturas e conjunturas, e a micro-história (que dá atenção a indivíduos) é um desenvolvimento posterior, não compartilhado por todas as fases.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A abordagem microscópica é característica da terceira geração (micro-história italiana) e da história cultural, mas não está presente na primeira geração (história social e econômica) nem na segunda (Braudel, longa duração). O combate às grandes narrativas é mais um traço da Nova História, não um ponto comum.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A interdisciplinaridade é a marca registrada dos Annales desde o manifesto fundador de Marc Bloch e Lucien Febvre, passando pela história serial de Braudel e chegando à Nova História. O objetivo é romper com a história positivista e integrar métodos das ciências sociais para tornar a História uma ciência legítima.

Alternativa D — ❌ Incorreta

O estudo da ação humana e das subjetividades é mais associado à história cultural e das mentalidades, que ganha força na terceira geração. Não é o traço comum, pois as primeiras gerações priorizavam estruturas econômicas e demográficas.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A relação com a filosofia não é o eixo central dos Annales. O movimento buscou se aproximar das ciências sociais empíricas, afastando-se da filosofia especulativa. A definição epistemológica veio mais do diálogo com a sociologia (Durkheim) e a economia.

PEGA ESSA DICA!

Para identificar o traço comum dos Annales, lembre-se da tríade: interdisciplinaridade, história-problema e recusa do factual. Esses três pilares atravessam as gerações, enquanto outros aspectos (como micro-história ou história quantitativa) são específicos de cada fase.

Gabarito: letra C

Link permanente: /questoes/fg093217