Questão de História — História do Brasil — FGV 2024
História›História do Brasil
Código
fg094426
Banca
FGV
Órgão
SES-MT
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Historiador
Pode-se pensar, desta forma, que a década de 1960 constitui como que um ponto de inflexão cujos desdobramentos frutificam de forma plena nos anos 1970, e daí prosseguem. São várias as razões que podem ser citadas para justificar esta transformação ampla e significativa, muitas delas, não por acaso, já arroladas em artigos que discutem especificamente a renovação ocorrida no campo disciplinar da história no plano internacional, com suas repercussões no Brasil. A revitalização dos estudos de história política, ou o que tem sido chamado de o "retorno" da história política, guarda relações profundas com as mudanças de orientações teóricas que atingiram as ciências sociais de forma geral. Inúmeros autores situam o fenômeno como uma crise dos paradigmas estruturalistas então vigentes: o marxista, o funcionalista e também o de uma vertente da escola dos Annales.Adaptado de: GOMES, Angela de Castro. Política: História, Ciência, Cultura etc., Estudos históricos, n.17, 1996, pp.62-63. Com base na leitura do trecho, assinale a afirmativa que descreve corretamente o foco dado por essa transformação da historiografia, durante os anos 1960 e 1970.
AEnfoque em acontecimentos de grandes vultos, como guerras e conquistas territoriais por potências imperiais.
BDescrição minuciosa dos eventos histórico, com ênfase na precisão das datas e detalhes, carente de análise crítica.
CInterpretação dos processos históricos considerando suas situações socioeconômicas.
DLeitura ambiciosa e totalizantes dos eventos históricos, fundamentadas em explicações materialistas.
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GabaritoC — Interpretação dos processos históricos considerando suas situações socioeconômicas.
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Historiografia brasileira: a renovação da história política nos anos 1960-1970
Gabarito: letra C. A transformação historiográfica ocorrida nas décadas de 1960 e 1970, descrita no texto como o "retorno" da história política, caracterizou-se pela interpretação dos processos históricos com atenção às situações socioeconômicas. Diferentemente da velha história política (focada em eventos e grandes personagens) e das abordagens estruturalistas deterministas, a nova história política incorporou as contribuições das ciências sociais, analisando o político em articulação com o social, o econômico e o cultural.
Alternativa A — ❌ Incorreta
Refere-se ao enfoque tradicional da história política do século XIX, centrada em guerras, conquistas e ações de grandes estadistas. Essa perspectiva foi superada pela renovação ocorrida no período, que buscou justamente romper com o "acontecimental" e ampliar as fontes e objetos da análise histórica.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Descreve uma historiografia positivista e factual, preocupada com a precisão cronológica e com a descrição minuciosa, sem problematização teórica. A transformação dos anos 1960-1970, ao contrário, valorizou a reflexão teórico-metodológica e a crítica das fontes.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A nova história política, renovada a partir da crise dos paradigmas estruturalistas (marxismo, funcionalismo e uma vertente dos Annales), passou a considerar os processos históricos em suas dimensões socioeconômicas, sem contudo recair no determinismo estrutural. Conforme o texto de Angela de Castro Gomes, a revitalização da história política "guarda relações profundas com as mudanças de orientações teóricas que atingiram as ciências sociais de forma geral", integrando análise política e contexto socioeconômico.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Remete às explicações totalizantes e materialistas típicas do marxismo ortodoxo e de correntes estruturalistas. Essas abordagens são justamente as que entram em crise no período, abrindo espaço para a renovação da história política, que as critica por sua rigidez e por negligenciarem a autonomia relativa da política.
NÃO CAIA NESSA!
A banca pode tentar confundir o candidato ao associar a "crise dos paradigmas estruturalistas" a uma permanência das abordagens socioeconômicas. Na verdade, a nova história política surge como crítica ao determinismo, mas não abandona a análise socioeconômica — ela a integra de forma não totalizante. A alternativa D parece correta por seu apelo materialista, mas é exatamente o oposto do que propõe a renovação.
Gabarito: letra C — a única que descreve corretamente o foco da transformação historiográfica.