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Questão de História — Período Colonial: produção de riqueza e escravismo — FGV 2024

HistóriaPeríodo Colonial: produção de riqueza e escravismo
Código
fg094437
Banca
FGV
Órgão
SES-MT
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Historiador
Leia os trechos a seguir.I. A desagregação do regime escravocrata e senhorial se operou, no Brasil, sem que se cercasse a destituição dos antigos agentes de trabalho escravo de assistência e garantias que os protegessem na transição para o sistema de trabalho livre. Os senhores foram eximidos da responsabilidade pela manutenção e segurança dos libertos, sem que o Estado, a Igreja ou outra qualquer instituição assumissem encargos especiais, que tivessem por objeto prepará-los para o novo regime de organização da vida e do trabalho. O liberto se viu convertido, sumária e abruptamente, em senhor de si mesmo, tornando-se responsável por sua pessoa e por seus dependentes, embora não dispusesse de meios materiais e morais para realizar essa proeza nos quadros de uma economia competitiva.Fonte: FERNANDES, Florestan. A integração do negro na sociedade de classes, Volume 1. São Paulo: Editora Globo, 2008, p. 29.II. Todo brasileiro, mesmo o alvo, de cabelo louro, traz na alma, quando não na alma e no corpo – há muita gente de jenipapo ou mancha mongólica pelo Brasil – a sombra, ou pelo menos a pinta do indígena ou do negro. A influência direta ou vaga e remota, do africano. Na música, no andar, na fala, no canto de ninar menino pequeno, em tudo que é expressão sincera de vida, trazemos quase todos a marca da influência negra. Da escrava que nos embalou. Que nos deu de mamar. Que nos deu de comer, ela própria amolengando na mão o bolão de comida. Da negra velha que nos contou as primeiras histórias de bicho e de mal-assombrado. Da mulata que nos tirou o primeiro bicho-de-pé de uma coceira tão boa. Da que nos iniciou no amor físico e nos transmitiu, ao ranger da cama-de-vento, a primeira sensação completa de homem.Adaptado de: FREYRE, Gilberto. Casa-grande & senzala: formação da família brasileira sob o regime da economia patriarcal, São Paulo: Global, 2003, p. 367.Avalie as afirmativas que interpretam os trechos e assinale (V) para a verdadeira e (F) para a falsa.( ) I interpreta a incorporação da população afrodescendente na sociedade brasileira através da análise do mercado de trabalho, responsabilizando os próprios libertos pela falta de melhoria em suas condições.( ) II interpreta a integração dos afrodescendentes à sociedade brasileira como um processo marcado pela violência, concentrando-se principalmente nos abusos cometidos contra as mulheres escravizadas.( ) I compreende a sociedade pós-abolição como perpetuadora dos mecanismos de manutenção da desigualdade. II observa as interações sociais entre os grupos formadores do Brasil de forma positiva e atribui centralidade aos afrodescendentes em sua análise.As afirmativas são, respectivamente,
  1. AV – V – F.
  2. BV – F – V.
  3. CF – V – F.
  4. DF – F – V.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — F – F – V.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Interpretação dos textos de Florestan Fernandes e Gilberto Freyre

Gabarito: letra D. A sequência correta é F – F – V. A primeira afirmativa inverte o sentido do texto de Florestan Fernandes, que critica o abandono dos libertos pela sociedade e não os responsabiliza. A segunda distorce o texto de Gilberto Freyre, que tem tom positivo e não foca em violência. A terceira interpreta corretamente ambos: I denuncia a perpetuação da desigualdade, II vê a influência negra de forma positiva e central.

1ª afirmativa — ❌ Falsa

O trecho I afirma que a desagregação do regime escravocrata ocorreu "sem que se cercasse a destituição dos antigos agentes de trabalho escravo de assistência e garantias" e que "os senhores foram eximidos da responsabilidade pela manutenção e segurança dos libertos". Portanto, a crítica é direcionada à falta de políticas públicas e ao abandono, não aos libertos. A afirmativa diz o contrário: "responsabilizando os próprios libertos pela falta de melhoria em suas condições". Isso é uma inversão do argumento do autor.

2ª afirmativa — ❌ Falsa

O texto II de Gilberto Freyre descreve a influência negra na cultura brasileira de forma afetiva e positiva: "Na música, no andar, na fala... trazemos quase todos a marca da influência negra. Da escrava que nos embalou... Da mulata que nos iniciou no amor físico". Não há ênfase em violência ou abusos; ao contrário, é uma visão idealizada da miscigenação. A afirmativa erra ao caracterizar o texto como "processo marcado pela violência" e foco em "abusos contra mulheres escravizadas".

3ª afirmativa — ✅ Verdadeira

O texto I critica a ausência de assistência e a manutenção das desigualdades, afirmando que o liberto foi "convertido... em senhor de si mesmo" sem meios "para realizar essa proeza nos quadros de uma economia competitiva". Isso corresponde a "perpetuadora dos mecanismos de manutenção da desigualdade". O texto II, por sua vez, enaltece o papel do negro na formação cultural: "trazemos quase todos a marca da influência negra" e atribui centralidade às figuras femininas negras (escrava, mulata). Portanto, a afirmativa está correta.

NÃO CAIA NESSA!

A banca inverte o sentido do texto de Florestan Fernandes na primeira afirmativa. O candidato pode confundir a crítica à estrutura social com uma suposta "culpa" dos libertos. A dica é atentar para o sujeito da responsabilização: no texto, a sociedade e o Estado são os ausentes, não os libertos.

Gabarito: letra D (F – F – V).

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