Questão de História — História do Brasil — FGV 2024
História›História do Brasil
Código
fg094441
Banca
FGV
Órgão
SES-MT
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Historiador
O artigo “Uma leitura do Brasil Colonial”, publicado no já longínquo ano de 2000 e, no ano seguinte, o livro O Antigo Regime nos Trópicos tiveram por base em grande medida as propostas impactantes, para os historiadores brasileiros, de António Manuel Hespanha. Esse foi o caso, por exemplo, do uso do conceito seminal de sociedade corporativa e polissinodal para entender a monarquia portuguesa da época moderna.Adaptado de: FRAGOSO, João; BICALHO, Maria Fernanda. Uma releitura do “Brasil colonial” a partir da obra de António Manuel Hespanha, Revista do Instituto de Estudos Brasileiros, n. 83, p. 42.Com base no texto, assinale a afirmativa que descreve corretamente a inovação do conceito utilizado por António Manuel Hespanha para compreender a relação entre a monarquia portuguesa e seu território luso americano.
AO conceito critica a análise que caracterizava a monarquia portuguesa pela sua pluralidade de modelos jurídicos e políticos, passando a descrevê-la como um poder centralizador, burocrático e organizado.
BO conceito propõe a tese de que a monarquia portuguesa era um estado absolutista na época moderna, que determinava unilateralmente a relação de subordinação das colônias americanas.
CO conceito rompe com as interpretações historiográficas que consideravam o monarca como centro da monarquia portuguesa em relação aos seus súditos peninsulares e provenientes dos territórios americanos periféricos.
DO conceito caracteriza a monarquia portuguesa como uma entidade política centralizada na figura do rei, reconhecendo o compartilhamento de poder com outros, incluindo as instituições das possessões ultramarinas.
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GabaritoD — O conceito caracteriza a monarquia portuguesa como uma entidade política centralizada na figura do rei, reconhecendo o compartilhamento de poder com outros, incluindo as instituições das possessões ultramarinas.
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Historiografia do Brasil Colonial: conceito de "sociedade corporativa e polissinodal" de António Manuel Hespanha
Gabarito: D. A inovação do conceito de "sociedade corporativa e polissinodal" está em reconhecer que a monarquia portuguesa da época moderna, embora centrada na figura do rei, compartilhava o poder com diversos corpos sociais, inclusive das possessões ultramarinas, rompendo com a visão absolutista. Essa é a descrição correta da alternativa D.
A questão exige compreender que Hespanha critica a historiografia tradicional que via a monarquia portuguesa como um Estado absolutista e centralizador. Em vez disso, propõe um modelo corporativo e polissinodal, onde o poder é exercido de forma plural e negociada entre o rei, a Igreja, a nobreza, os municípios e as instituições coloniais. Assim, o rei continua sendo o centro político, mas não detém o monopólio do poder.
Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que o conceito critica a pluralidade e descreve a monarquia como "poder centralizador, burocrático e organizado". É o oposto: Hespanha valoriza a pluralidade e destaca a descentralização do poder. A alternativa inverte o sentido da inovação.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Propõe que a monarquia era um Estado absolutista que determinava unilateralmente a subordinação das colônias. Hespanha justamente nega o absolutismo e mostra que o poder era compartilhado, inclusive com as elites coloniais, que participavam das decisões por meio de instituições como as Câmaras Municipais e os Conselhos Ultramarinos.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Afirma que o conceito rompe com interpretações que consideravam o monarca como centro da monarquia. Embora Hespanha relativize a centralidade absoluta do rei, ele ainda o considera um centro importante, mas não exclusivo. A ideia de "sociedade polissinodal" pressupõe múltiplos centros, não a eliminação do monarca como centro. A alternativa C exagera ao dizer "rompe com as interpretações que consideravam o monarca como centro", dando a entender que o monarca deixaria de ser central, o que não é correto.
Alternativa D — ✅ Correta
Descreve a monarquia como "entidade política centralizada na figura do rei, reconhecendo o compartilhamento de poder com outros, incluindo as instituições das possessões ultramarinas". Essa é a essência do conceito: o rei é o centro, mas o poder é compartilhado com corporações e instituições, inclusive as coloniais. Portanto, é a alternativa que melhor reflete a inovação de Hespanha.
PEGA ESSA DICA!
A banca explora a confusão entre "centro" e "absolutismo". Hespanha não nega a centralidade do rei, mas sim o caráter absoluto e burocrático do poder. Memorize: "corporativa e polissinodal" = poder plural e compartilhado, não absolutista nem descentralizado a ponto de eliminar o rei.