Metodologia desenvolvida desde fins dos anos 1950 e amplamente utilizada e consolidada ao redor do mundo, a história oral chega ao século XXI catalisada pelas discussões da história pública, assim como pelas novas tecnologias, que colocam em questão novas formas de gravação, interação, preservação e difusão das narrativas orais e audiovisuais.Fonte: DE ALMEIDA, Juniele Rabêlo; Fonseca, Vivian. História Oral: Dimensões Públicas no tempo presente, Estudos históricos, 34 (74), 2021, p. 446.Assinale a afirmativa que descreve corretamente as possibilidades do uso da metodologia da História Oral, como as entrevistas, para a investigação histórica.
AO avanço da tecnologia de gravação das entrevistas tem permitido aos historiadores compreenderem objetivamente o passado histórico, tornando-o inquestionável.
BO uso da História Oral como metodologia é limitado, porque permite compreender, a partir das entrevistas, apenas processos do tempo presente, deixando lacunas sobre outras temporalidades.
CO historiador deve saber que as entrevistas expressam a memória individual e coletiva através da oralidade, tanto na seleção quanto na omissão de informações durante a narrativa.
DOs consensos identificados nas entrevistas constituem unidades narrativas que condensam as experiências dos entrevistados, o que reduz o trabalho do historiador à transcrição das gravações.
Revelar gabarito e comentário▾
GabaritoC — O historiador deve saber que as entrevistas expressam a memória individual e coletiva através da oralidade, tanto na seleção quanto na omissão de informações durante a narrativa.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
História Oral: desafios e potencialidades metodológicas
Gabarito: letra C. A História Oral trabalha com a memória, que é seletiva e subjetiva; o historiador deve compreender que tanto a seleção quanto a omissão de informações nas entrevistas fazem parte da construção da narrativa. É o que afirma corretamente a alternativa C.
A questão testa o entendimento dos fundamentos da História Oral como metodologia de pesquisa. Diferentemente de uma fonte objetiva e inquestionável, a entrevista oral expressa visões parciais, influenciadas pelo contexto, pela memória individual e coletiva, e pelo próprio ato de narrar. O historiador não deve tomar o depoimento como verdade absoluta, mas sim analisá-lo criticamente.
História Oral (metodologia): Fonte: memória (Individual, Coletiva); Características da narrativa (Seletiva (escolhas), Subjetiva (visão parcial), Omissões (silêncios)); Papel do historiador (Análise crítica, Contextualização, Cruzamento com outras fontes); Aplicação temporal (Passado recente, Passado remoto (tradição oral), Presente)
Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que a tecnologia permite compreender o passado de forma objetiva e inquestionável. A História Oral, porém, reconhece que as narrativas são subjetivas e que a tecnologia apenas amplia as possibilidades de registro, sem eliminar a seletividade e a interpretação inerentes à memória. O passado histórico jamais se torna "inquestionável" por meio de gravações.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Diz que a História Oral é limitada ao tempo presente. Na verdade, a metodologia é aplicada a diversos períodos históricos, desde que haja fontes orais disponíveis (entrevistas com pessoas que vivenciaram ou transmitiram memórias de épocas passadas). Ela não se restringe ao presente, mas pode abordar o passado recente ou mesmo remoto através da tradição oral.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Reconhece que as entrevistas expressam a memória — tanto individual quanto coletiva —, e que o historiador deve estar atento aos processos de seleção e omissão durante a narrativa. Essa é a perspectiva crítica adotada pela História Oral: a fonte não é um espelho do real, mas uma construção que revela escolhas e silêncios.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Sugere que os consensos nas entrevistas reduzem o trabalho do historiador à mera transcrição. Isso é falso: a transcrição é apenas o primeiro passo; o historiador precisa contextualizar, cruzar com outras fontes, analisar as visões de mundo, as contradições e os silêncios. Consensos não eliminam a interpretação.