Questão de História — Fundamentos da História : Tempo, Memória e Cultura — FGV 2024
- Código
- fg094451
- Banca
- FGV
- Órgão
- SES-MT
- Ano
- 2024
- Nível
- Superior
- Cargo
- Historiador
- AI, apenas.
- BI e II, apenas.
- CII e III, apenas.
- DI, II e III.
GabaritoA — I, apenas.
Gabarito: letra A — apenas a afirmativa I está correta. O texto de Koselleck defende que o tempo histórico é constituído por múltiplas camadas temporais que podem ser acessadas pela análise semântica dos documentos (I). A afirmativa II nega o papel das projeções futuras, o que contraria a teoria koselleckiana. Já a afirmativa III impõe uma visão linear e física do tempo, rejeitada pelo autor.
O fragmento apresentado explicita que a análise semântica visa investigar "a constituição linguística das experiências temporais". Koselleck é conhecido por propor uma teoria dos tempos históricos com múltiplas camadas (Zeitschichten), onde passado, presente e futuro se entrelaçam. As projeções futuras (expectativas) são um elemento central da experiência temporal, o que torna a afirmativa II incorreta. A afirmativa III também é falsa, pois Koselleck critica a noção de um tempo linear e homogêneo, associado à cronologia física ou astronômica, e defende a historicidade do próprio tempo.
A afirmativa está de acordo com o texto: o tempo histórico é composto por sobreposição de domínios temporais ("experiências temporais") que podem ser revelados pela análise semântica dos documentos. O autor afirma que as análises semânticas "pretendem investigar a constituição linguística das experiencias temporais".
Koselleck atribui grande importância às projeções futuras como parte do tempo histórico. Em sua obra, o par conceitual "campo de experiência" e "horizonte de expectativa" é fundamental. O texto menciona que a análise semântica permite "fazer deduções... sobre a dimensão histórica e antropológica inerente a toda conceptualização", o que inclui as expectativas futuras. Afirmar que os historiadores não devem considerar projeções futuras contradiz diretamente a abordagem de Koselleck.
A banca tenta confundir o conceito de "projeções futuras como objeto de análise histórica" com "prognósticos mensuráveis que o historiador não deve fazer". Koselleck não defende que o historiador faça previsões, mas sim que as expectativas do passado (como eram imaginadas) são parte integrante do tempo histórico e devem ser analisadas.
Koselleck rejeita a ideia de um tempo histórico linear, baseado em determinações físicas ou astronômicas. Para ele, o tempo histórico é socialmente construído, com múltiplas temporalidades e ritmos distintos. O texto destaca a importância do "simbolismo observado nas fontes históricas" e da análise semântica, o que vai contra a afirmação de que o tempo histórico "transcende o simbolismo".
Lembre-se de que Koselleck trabalha com a ideia de "camadas do tempo" (Zeitschichten) e com a tensão entre experiência e expectativa. Na prova, relacione sempre a afirmação sobre tempo linear com a crítica dos Annales e da história conceitual.
Gabarito: letra A — apenas a afirmativa I está correta.
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