Questão de Medicina — Farmacologia e Anestesiologia — FGV 2024
- Código
- fg094503
- Banca
- FGV
- Órgão
- SES-MT
- Ano
- 2024
- Nível
- Superior
- Cargo
- Médico Anestesiologista
- Ateofilina etilenodiamina.
- BN-acetilcisteína.
- CΒ2 agonistas.
- Dcromoglicato.
GabaritoB — N-acetilcisteína.
Gabarito: letra B. O fármaco que rompe as pontes dissulfeto das glicoproteínas do muco, reduzindo sua viscosidade e facilitando sua eliminação, é a N-acetilcisteína — um agente mucolítico de uso clássico no preparo de pacientes submetidos a cirurgias pulmonares. As demais alternativas (teofilina, β2-agonistas e cromoglicato) atuam por outros mecanismos, voltados à broncodilatação ou à estabilização de mastócitos, e não têm ação direta sobre a estrutura química do muco.
A N-acetilcisteína é um derivado do aminoácido cisteína que contém um grupo tiol (sulfidrila) livre. Esse grupo tiol é capaz de reduzir as pontes dissulfeto (−S−S−) que unem as glicoproteínas de alto peso molecular presentes no muco brônquico. Ao quebrar essas ligações, a estrutura do muco se desfaz em cadeias menores, o que diminui sua viscosidade e elasticidade, tornando-o mais fluido e, portanto, mais fácil de ser expelido pela tosse ou por aspiração. Esse mecanismo é particularmente útil em situações de hipersecreção viscosa, como na fibrose cística, na bronquite crônica e no pós-operatório de cirurgias torácicas, em que o acúmulo de secreção espessa pode obstruir vias aéreas e predispor a atelectasias e infecções.
Na prática clínica, a N-acetilcisteína pode ser administrada por via oral, inalatória ou intravenosa, e também é amplamente utilizada como antídoto na intoxicação por paracetamol, devido à sua capacidade de repor os estoques de glutationa. No contexto de cirurgia pulmonar, seu uso visa melhorar a higiene brônquica e reduzir complicações pós-operatórias relacionadas ao acúmulo de secreções. É importante destacar que, por ser um fármaco com ação direta sobre o muco, ela não possui efeito broncodilatador significativo — diferentemente dos β2-agonistas e da teofilina, que relaxam a musculatura lisa brônquica.
A distinção central que separa as alternativas é o mecanismo de ação: enquanto a N-acetilcisteína age sobre a estrutura química do muco (mucolítico), os β2-agonistas e a teofilina são broncodilatadores (relaxam o músculo liso), e o cromoglicato é um estabilizador de mastócitos (profilático da asma). A banca explora exatamente essa confusão: o enunciado descreve com precisão o mecanismo mucolítico, e o candidato que não domina a farmacologia respiratória pode ser tentado a escolher um broncodilatador, que é o tratamento mais comum para broncoespasmo, mas não para a viscosidade do muco.
A teofilina etilenodiamina (aminofilina) é um broncodilatador derivado da xantina, que atua inibindo a fosfodiesterase e aumentando os níveis de AMPc, promovendo relaxamento da musculatura lisa brônquica. Ela não tem ação sobre as pontes dissulfeto do muco. Seu uso é mais restrito atualmente devido à janela terapêutica estreita e à eficácia modesta, sendo considerada uma opção de segunda linha no tratamento da asma e da DPOC.
A N-acetilcisteína é o fármaco que rompe as pontes dissulfeto das glicoproteínas do muco, reduzindo sua viscosidade e melhorando sua eliminação. Esse é exatamente o mecanismo descrito no enunciado, tornando-a a alternativa correta. É o mucolítico mais utilizado na prática clínica para o manejo de secreções espessas, especialmente em pacientes submetidos a cirurgias pulmonares.
Os β2-agonistas (como salbutamol e formoterol) são broncodilatadores que atuam estimulando receptores β2-adrenérgicos, aumentando o AMPc e relaxando a musculatura lisa brônquica. Eles são eficazes no alívio do broncoespasmo, mas não têm efeito sobre a viscosidade do muco nem sobre as pontes dissulfeto. São usados para controle sintomático da asma e da DPOC, não como mucolíticos.
O cromoglicato (cromoglicato de sódio) é um estabilizador de mastócitos, utilizado principalmente na profilaxia da asma alérgica, prevenindo a liberação de mediadores inflamatórios como histamina e leucotrienos. Não possui ação mucolítica nem broncodilatadora direta, e não interfere nas pontes dissulfeto do muco. Seu uso caiu em desuso com o advento dos corticosteroides inalatórios.
A banca descreve o mecanismo mucolítico (quebra de pontes dissulfeto) e o candidato, ao pensar em "secreção e broncoespasmo", pode associar automaticamente a broncodilatadores como β2-agonistas ou teofilina. Mas o enunciado fala especificamente da viscosidade do muco, não do broncoespasmo — o que aponta diretamente para a N-acetilcisteína. Fique atento: broncodilatador não é mucolítico, e vice-versa.
Para questões de farmacologia respiratória, monte um quadro mental com as classes: mucolíticos (N-acetilcisteína, bromexina, ambroxol) → agem no muco; broncodilatadores (β2-agonistas, anticolinérgicos, teofilina) → relaxam músculo liso; anti-inflamatórios (corticosteroides) → reduzem inflamação; estabilizadores de mastócitos (cromoglicato) → profilaxia. Identifique o mecanismo descrito no enunciado e associe à classe correta.
Gabarito: letra B
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